Elucubrações

 

 Uma das minhas elucubrações deriva de minha infância e é hoje uma paranóia.
Tão forte ela é que vem constantemente se tornando realidade.
Na minha vida ela começou a se materializar muito cedo e com uma força que me marcou para sempre.
É difícil para o escritor, não empurrar o conto no leitor e sim empurrar o leitor no conto.
É como amar. È fácil amar, o difícil é saber ser amado.
A vida tem demonstrado que ser ativo é muito mais fácil do que ser passivo.
Uma vez um velho colega disse-me: Alencar, seguir algu
ém é fácil o pior é ser seguido. Ele se referia a seguir um carro ou ir á frente para que outro carro o acompanhasse.
Bem o fato é que ser seguido é difícil especialmente em idéias, ideais, vontades, anseios e desejos.
Voltando a minha elucubração, ela surgiu por presenciar um acontecimento que ainda hoje acho impossível.
Há uma expressão que diz: ninguém morre de amor.
Morre sim
E tenho tristes experiências a esse respeito
Já vi morrerem de amor e num dos casos a pessoa culpada nem sabia desse amor.
Eu diria uma morte não anunciada.
Esses fatos geraram em mim uma paranóia e em toda elucubração eu as vejo.
È, como a vida, um teatro onde eu sou o ator principal. Diria um drama, um terrível drama se é que dramas podem não ser terríveis.
O cenário: um carro, latas a ele amarradas. A inscrição que soa como uma facada. Recém - casados.
Umas poucas pessoas paradas na porta da igreja. Em todos os meus pesadelos há uma igreja.
Onde há deus há tristeza, sofrimento e o mal.
Uma mulher, triste, chorando, angustiada.
Ela de branco e eu como sempre de preto. Nas vestes e na alma.
Ela linda e triste eu apenas triste, muito triste.
A seu lado alguém que deveria ser eu, mas não sou..
O carro parte e eu fico.
O carro parte e eu choro
O carro parte e a leva
O carro parte, mas deixa toda minha angustia, meu sofrimento, minha tristeza.
O carro parte e com ele minha esperança
O carro parte e eu morro nesse instante.
Acordo com a sensação de realidade futura.
Sempre o mesmo sempre se repete
Agora o carro partiu novamente e eu estou só.
dentro dele, ela e não outro homem, apenas o nosso orgulho a nossa estupidez.
Bem sempre que alguém se vai, eu não fico só.
E novamente não estou só.
Comigo, meu orgulho, minha honra e minha vontade porque tudo passa, tudo se vai menos isso. O dela ela leva na bagagem.

"Época triste a nossa, em que é mais difícil quebrar um preconceito do que um átomo"
Einstein.

"Contra a tolice lutam os próprios deuses em vão"
Schiller
Boa viagem, seja feliz
Meu amor vai dentro de ti e quanto a mim, bem:
Vou pegar novamente o meu Trem da vida.

Anderson Alencar - STORM - Amor bandido

 

 

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