O ClandestinoAnderson Alencar - STORM
Às vezes vagamos sem rumo numa nau, que eu chamo de emoção, e nem lembramos como fomos parar nela.
Um dia, por alguma razão que desconhecemos, vimos alguém que também nos viu.
E nessa troca de relações confundimos um interesse momentâneo com algo mais profundo e nessa confusão acabamos embarcando com tudo nessa nau.
Ela se lança ao mar e enfrenta todos os perigos e nós com ela.
Muitas vezes em alguns momentos temos a certeza de que estamos no barco certo, com a pessoa certa, mas estamos enganados.
Para ela o importante não é o amor, ou a paixão ou o desejo e isso ainda torna menos compreensível as atitudes que essas pessoas tomam na vida e sim a festa da vida que em verdade não dá nenhuma alegria apenas frustrações, um pseudo-sucesso.
Um dia renunciei ao sucesso por uma mulher e mesmo não tendo dado certo jamais me arrependi porque eu me arrependeria eternamente se não tivesse comprovado em mim esse erro.
Um dia jovem, assumi algo que julguei ser amor porque já fora amor um dia.
Mas eu errei e me machuquei e o pior eu a machuquei.
Eu tinha 22 anos e ela 17 e nessa idade erramos muito, mas mesmo errando tivemos pelo menos a coragem de tentar.
A dúvida é pior do que o fracasso.
O tempo que é implacável comete um crime contra nós, ele tira nossa ousadia e nossa capacidade de tentar sermos felizes.
Não entendemos que a única coisa na vida que importa é ser feliz é ser de alguém e se entregar inteiramente e por isso cada dia fica mais difícil encontrar esse caminho , essa meta.
A prudência e o medo de nossos fracassos anteriores garantem o nosso fracasso do futuro.
Quando amamos e nos entregamos o mundo sorri, o mundo é diferente e mesmo assim nossa estupidez não nos permite essa entrega.
Às vezes canso dessa busca porque cada dia que passa mais nos tornamos imunes a concessões e quem não concede não recebe, afinal a vida é uma troca mesmo na emoção.
Depois de muito tempo á bordo entendi uma coisa.
Nunca tive esse amor, ele sempre foi restrito, condicional , desconfiado, temeroso, precavido, fechado e sem nenhuma entrega.
O tempo pelo menos me ensinou que insistir nisso é só se magoar mais, entristecer-se e até se ofender.
Felizmente o porto está próximo e nesse porto solidão espera-me um trem, o trem da vida e preciso sair com cuidado desse navio porque em verdade nunca tive passagem nele, apenas entrei viajei e vou sair como estou, porque jamais passei nessa embarcação, nessa viagem , nessa emoção, nessa paixão e nesse amor que acreditei tanto, de um simples clandestino.
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