Sofisticação
Anderson Alencar
Na vida não entendo porquê, buscamos mais sofisticação e exibicionismo do que a
paixão e a felicidade.
Por que carros novos e luxuosos se eles apenas nos transportam para perto ou
longe dos braços do amor da paixão.
Por que jóias caras e lindas se nem dormimos com elas?
Por que roupas exuberantes se no melhor e mais precioso momento de nossas vidas
nos despimos delas?
A sofisticação tem outro nome: vaidade
Se pararmos para pensar, mentimos quando dizemos que não importa a opinião de
outros a nosso respeito.
Importa sim e muito.
Aliás, é tudo o que importa nas nossas vidas.
Adoramos nosso estrelismo.
Submetemo-nos a vexames como bancar uma mulher que nem é nossa, ou uma mulher
bancar um macho de condição inferior a dela só para mostrar sua beleza porque a
beleza atrai aos olhos mas nem sempre sacia nossos prazeres e muitas vezes em
nenhum momento recebe um atmo de amor ou paixão e até o sexo nem tão bom assim.
Desfilamos carros, seres, homens ou mulheres, animais como cavalos e cães, e
toda sorte de coisas que possamos exibir.
Ninguém paga 75.000.000 de dólares num quadro porque gosta de arte. Paga para
mostrar que o tem.
Uma mulher se entrega a seu chefe e isso acontece sempre não por amá-lo, mas
para mostrar que é a puta do chefe.
Até na religião as pessoas usam sua proximidade com o sacerdote para mostrar que
também manda na igreja que é dona de uma parte de deus.
Mesmo em papéis subalternos e subordinados, mesmo se dando todo, o indivíduo se
sente poderoso
Ele arruma a igreja, toca o órgão, o musical e até o do sacerdote, faz o
churrasco nas quermesses, carrega o andor ou seja faz tudo para que digam nossa
o fulano manda na igreja.
E todos os chamam para ver se por osmose, que absurdo, recebem um pouco desse
ridículo poder.
E isso gera uma pergunta?
Por que se curvam a um poder falso?
Por que um sacerdote semi ignorante que o vejam no candomblé ou na umbanda pode
Ter essa força sobre seus seguidores?
Nunca entenderei.
Não o porquê dessa entrega mas sim jamais entenderei a negativa de ceder a única
coisa realmente importante na vida, a única cosia motivadora de tudo o que
existe de belo e feio nesse universo. O amor. A paixão.
Entregam-se a uma tristeza, um ostracismo emocional que nem as luzes da ribalta
conseguem esconder.
As luzes refletem lágrimas, tristeza mesmo disfarçada em sorrisos sarcásticos e
enganadores. Enganadores de si mesmo.
Buscam a paz em psicanalistas, religiosos, templos, mas nunca na única coisa
capaz de aplacar essa angustia. O amor, a entrega, os braços de quem lhe ama, o
prazer dessa doce e insuperável emoção.
Se deus existir ele mora nessa emoção e se não existir essa emoção substitui a
tudo.
Ela é o remédio, ela é a religião, ela é o médico ela é a felicidade.
Nada no universo substitui isso.
O dinheiro, o luxo, as festas, as gargalhadas, os amigos se existem, e nem a
família são tão importantes como o amor e a paixão.
E neles que reside todo prazer da vida ate porque ele é espontâneo, simples como
devem ser as coisas.
Nada se equipara a isso.
Não que eu não defenda a sofisticação, não que eu não seja vaidoso, mas ela deve
estar sempre acompanhada da paixão, do amor da entrega e da realização da
emoção.
Sofisticação sem amor é como um Royce sem motor é como uma lancha em terra é
como um sofisticado equipamento de pesca num rio sem peixes, um pássaro sem
asas, é como uma flor sem perfume, é como um amor sem ser correspondido.
A cada um cabe a escolha, até porque ninguém é bem sucedido sem ser amado
verdadeiramente e ter esse amor consigo.
Decidamos: viver a simplicidade do amor ou a inútil, triste, vazia, fútil,
solitária mesmo na multidão, mesmo em si, sofisticação.
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