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COMEÇANDO

COMO COMECEI

Antes de tudo a pessoa que vai começar a pesquisar precisa ter em mente que não é algo que se consegue da noite para o dia; é um trabalho que exige dedicação, compreensão, uma certa renda (para gastos com telefone, internet, cartas, ainda mais se sua família ultrapassa o território brasileiro, combustível, etc...) e porque não, ética, afinal, você lida com informações de pessoas e algumas podem se sentir invadidas quando vêem seus dados expostos, por exemplo, num site na internet.

O começo não é tão difícil se você tem o mínimo de convivência com sua família. O primeiro contato que eu tive, que eu me lembro, com o tema de genealogia, história de família, foi na minha primeira aula de História da 5 série. A professora, como introdução ao que era História, passou como dever de casa algumas questões, que consistiam em escrever no caderno o nome dos pais e avós, de onde e porque vieram... Chegando em casa, muitíssimo empolgada com a minha primeira aula de História, já peguei o meu caderno e fui perguntar aos meus pais 'quem eram eles'. Meus avós maternos eu conhecia, eles moravam numa casa em nosso sítio naquela época (1996), mas os paternos... eu praticamente nem sabia que tinha. Então a medida que meu pai contava as histórias eu ia tentando escrever, mas eu acabei me perdendo, pois meu pai relatava muita coisa, e passei somente a ouvir. No final pedi que ele me dissesse como eu teria que escrever e então ficou bem resumido. E assim eu soube melhor (o mínimo) de onde eu vim. Mas até eu me dedicar à atividade de genealogia passou muito tempo...

... foi depois que meu pai faleceu que eu me dei conta de que não sabia nada sobre ele. Eu vivia na mesma casa que ele há 14 anos e somente o conhecia como autoridade. Era pai; dificilmente trocávamos confidências... ele não queria encher minha cabeça, e eu achava que ele nunca me entenderia. E depois de um tempo que ele não estava mais conosco eu senti falta de saber quem ele era... o que ele fez em vida... afinal, quando ele foi pai pela primeira vez ele já tinha 57 anos, então tinha toda uma vida, já feito metade de sua história... eu podia contar com minha mãe para saber mais dele, mas e antes deles se conhecerem? Quem poderia me ajudar? Então eu lembrei que meu pai tinha uma irmã, a Ruth, mas eu não conhecia. Conseqüentemente, eu poderia ter primos... e tinha. Comecei a questionar minha mãe os nomes, quem eram... tinha mais algum parente no Brasil? Tinha... e assim comecei a ir atrás de informações sobre a família de meu pai. Com alguns documentos antigos consegui chegar aos meus "heptavós"... e achei uma atividade tão gostosa que fui pro lado de minha mãe... peguei dicas na internet, programas onde eu poderia arquivar os dados e que calculava o parentesco... nos mecanismos de busca digitava os sobrenomes e ia entrando nas páginas, procurando parentes por aí... encontrei um site na Alemanha, mandei meu endereço, passei meus dados e semanas depois recebi um pacote enorme com uma árvore frondosa, tudo em alemão. Não entendia nada. Mas fui passando página por página e por surpresa vi o nome de minha mãe! Meus avós, meus tios-avós, tudo, tudo.... me perguntava como é que sabiam de nós, e fiz de tudo para entender os papéis, que eram cópias e ainda escritos em máquinas de escrever... e esse pessoal da Alemanha passou meu e-mail para outros parentes, no Canadá, EUA, Alemanha e eu conheci pessoas muito bacanas, mais próximas do que eu imaginava, cada uma com a sua vida... é estranho como de geração em geração as famílias vão perdendo contato...

...e voltando ao assunto, eu poderia conhecer melhor meu pai, saber sobre sua infância, sua juventude, sua vida, conversando com parentes próximos, e eu sabia que tinha. Alguns eu conheci quando eu era pequena, mas não me lembro... eu só tinha conhecido uma tia de meu pai, a Leni Czinczel, nascida Hammer, que passou uns dias em nossa casa, mas ela já era bem velhinha. Eu tinha uns 5, 6 anos imagino, e ela era muito doce comigo. Eu, ela e minha irmã passávamos horas jogando um jogo de cartas alemão, era um baralho diferente, mas faltava algumas cartas e ela começou a fazer um novo com cartolina que minha mãe tinha comprado, mas não chegou a terminar. E quando eu e minha irmã descobrimos que ela falava alemão? Pegamos um toca-fitas e colocamos uma fita K-7 com músicas infantis em alemão e corríamos atrás dela para mostrar, como se ela nunca tivesse ouvido alemão. E ela tinha paciência, embora eu achava às vezes que ela dava uma fugidinha... :o)

O total desconhecimento em respeito à família de meu pai foi porque ele nunca visitava ninguém, nunca falava de ninguém e quando eu o questionava sobre isso ele dizia que não se importava, que ele tinha sofrido muito na casa dele e não gostava de lembrar... Em casa havia uma pasta com documentos, passaportes e alguns papéis antigos, tudo da família. Alguns dos papéis estavam todos em alemão, velhos, e para piorar, na escrita antiga (gótica). Tinha, de graça, minha linhagem até meus heptavós... eram documentos que foi preciso na época para meus avós adquirirem a cidadania brasileira, se for realmente isso. Mas irei aperfeiçoar esta árvore, para também saber dos irmãos de meus tataravôs e encontrar outros parentes por aí...

Toda vez que eu recebia a visita de algum familiar, o enchia de perguntas, e quanto mais velho, mais eu enchia a paciência. Os mais velhos sempre gostam de contar as histórias e experiências por qual passaram e querem ajudar. Os mais novos não: dificilmente sabem algo e posso contar nos dedos de uma mão os que realmente se interessaram.

Em busca de familiares desconhecidos, procurava pela internet, em listas telefônicas, mandava cartas, e-mails e só não fiz muitos telefonemas por excesso de timidez. Não tive muito retorno, talvez de umas 20 cartas que eu cheguei a mandar recebi somente 3 retornos. Hoje em dia eu mando selos e envelopes junto com a carta se eu não conheço a pessoa e peço informações.

AS DIFICULDADES

Dificuldades existem em todo lugar. Além da timidez e não saber falar o alemão, tive problemas com a minha idade, vendo expressões faciais que duvidavam, olhavam torto, não davam crédito, não me levavam a sério.... e isso é ruim. Também dependo ainda muito de alguém para ir visitar familiares em outras cidades, ou ir em cemitérios, cartórios, museus, bibliotecas regionais... alguns problemas de saúde também impedem que eu saia de casa na boa; o preço da correspondência internacional. (e porque não, da nacional. Atualmente uma carta custa R$ 0,50... os Correios justificam dizendo que a taxa média nos outros países é essa...) E nem sempre dá para usar o serviço de carta-social.

No meu caso, de ter que contatar pessoas fora do Brasil, escrever em inglês foi essencial, embora se eu soubesse falar eu tivesse menos problemas. Consigo escrever o básico para ser entendida... E o idioma alemão me faz muita falta.

Outro problema é a distorção de histórias... durante um tempo eu planejei no futuro escrever um livro e quando entrevistava as pessoas, parecia que a história estava sendo modelada, do jeito que a pessoa queria que ela aparecesse, por vezes acrescentavam mais ou tiravam algo... por outro lado algumas pessoas na hora, principalmente as de mais idade, podem fazer confusão, a memória falhar e você acabar com uma história não 100% certa. Recentemente, lendo uns papéis com uma história que eu tinha anotado a tempos, me surgiu uma dúvida. Então fui questionar a pessoa e ela me contou um desfecho da história bem diferente. Eu questionei o anterior, e só ouvi "Não, não, não falei nada disso".

Egoísmo também existe... algumas pessoas fugiam, enrolavam, outras diziam não saber (e sabiam), e outras não queriam papo pois não gostavam da família e não queriam participar de nada. Mas eu respeitei.Em outros casos a escrita diferente dos nomes em certidões e documentos podem fazer uma confusão enorme. Em algumas situações uma letra diferente pode causar uma burocracia enorme na hora de requerer alguma nacionalidade diferente. Então precisa-se retificar o documento e provar que se trata do mesmo sobrenome.

APERFEIÇOANDO

Eu não poderia deixar de citar como uma fonte de aprendizado enorme as listas de discussão na internet. Você entra em contato com pessoas que são profissionais ou amadoras, mas que têm experiência no assunto, debate dúvidas, recebe palpites, dicas, tudo gratuito, de coração e boa vontade. Trocando idéias, ajudando aos outros e por vezes recebendo ajuda, você adquire experiência, aprende mais, recebe ânimo para continuar pesquisando e se teu sobrenome não for tão desconhecido assim você até encontra parentes dentro dos grupos. Não existe escola onde você aprende como pesquisar ou como montar sua árvore, e enquanto isso o melhor é conhecer pessoas do meio, mesmo que eles não tenham e pesquisem o mesmo sobrenome que o seu. Eu atualmente participo de três listas de discussão, é bom você se sentir amparado numa prática nem tão comum assim... faz amizades... é ótimo! Mas antes que você corra para se cadastrar fica o aviso de que ninguém fará a sua árvore. Não adianta chegar e pedir tudo, esta não é a finalidade do grupo. É um lugar para troca de dados, histórias e experiências e não há lugar para "sangue-sugas".

Eu dou a sugestão de conhecer o site do IGEPAR e fazer um curso gratuito, no formato .DOC, bem elaborado e ótima oportunidade para vocêcomeçar a montar a sua árvore. Há também no site www.genealogia.net um curso gratuito por e-mail, e uma versão paga mais completa.

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