
Minha oração
Anderson Alencar
São 6 horas da tarde
O sol se põe numa esteira de ouro e sombras.
Nesse momento uma tristeza profunda invade meu ser.
Penso no meu pai que se foi, na minha filha querida,
na minha mãe, nas pessoas que conheci e que até sorriam.
Penso no meu sogro, lembro do sofrimento de
meu filho que até hoje nem sei como se salvou.
Lembro de meus acidentes uns simples e outros graves.
Ouço os tiros que me atingiram e os que atingiram outros.
Lembro das prisões onde jamais deveria viver
um ser vivo especialmente humano.
Ao fundo além dessa aquarela de luzes e sombras ouço
os sinos de uma igreja distante e a Ave - Maria.
Nossa que inspiração teve quem compôs essa música.
Certamente não partiu de um ateu.
Um dia eu escrevi que mesmo com todas as dificuldades do
mundo vale a pena viver só para se ter
uma paixão ou várias, mas será?
Ainda embora pareça uma contradição, não achei essa
resposta e isso me entristece.
Oro a meu pai.
Oro a minha filha
Oro a todos e por todos, mas em verdade eu oro por mim.
Tenho ânsias de me ajoelhar e chorar.
Nessa oração pouco me resta a pedir especialmente pelos que se foram.
Então faz-se a luz.
Já sei pelo que oro.
Oro para você que me lê.
Oro para mim.
Oro para encontrar uma resposta e a mim mesmo.
Oro principalmente para que já que tantos que amei se
foram e esses não voltam mais, peço em constrição que ao
menos nosso amor não morra antes de mim.
Essa é a minha oração.
Amém.
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