Paola Poesias__
Amigos Poetas

 

Angélica T. Almstadter

SOU

Sou a veia pulsante
Jorro de vida incessante
Ave irriquieta
Fala que não se aquieta
Sou o estrondo do vulcão
Constante erupção
Chama viva
Lira ativa
Bomba nuclear
Emoção no ar
Sou o todo da explosão
Um dia de furacão
Sou na vida o desafio
Da navalha o fio
Sou do começo ao fim
Acontecimento de mim


Angélica T. Almstadter

*
 

Com requinte
Angélica T. Almstadter
 
Quero um pedacinho de emoção,
Só uma lasquinha do teu coração;
Deixa na janela,minha parcela;
Que eu recolho ,sem que ninguém veja.
Ontem, quando teu sorriso me beijou;
Pude sentir, o gosto de cereja,
Que inundou meus lábios, quase virgens...
Atrás dessa face corada de vergonha,
Meu olhar, muito mais te desejou,
Longe da tua visão, tive vertigens.
Aquém do que a minh´alma sonha,
Meu corpo solitário te fareja,
E quando nas tardes, em mim passeias,
Tenho súbitos de poética desmedida;
Tenho suores de fadiga;
Pelo bardo que verseja,
Com a calma, permanentemente, inibida.
Desse naco, tão bem guardado,
Quero provar, em pequenos acepipes,
Dessa dose altamente letal,
Quero me fartar, sem recato,
Sou em ti, como em mim, imortal
Então vem, e me encharca de requintes.

10-12-04


&
 

Calmaria
Angélica T. Almstadter
 
No dia em que eu puder as lágrimas secar
Fazer-me inteira no teu leito, no teu peito
Sem reservas e sem as muitas doses de agonia
Que tenho que ingerir para sobreviver
Quando nada mais me violentar
E eu puder dizer sem medo: eu aceito
Adormecer nos teus braços, na tua companhia
Não sei se esse meu riso sem jeito
No meu rosto ainda vai permanecer
Porém meus olhos feito brasas acesas
Farão bailar as meninas pupilas faceiras
Que de tanto navegarem no sereno
Dos meus olhares marejados
Aprenderam o canto doce das corredeiras
Nesse dia de pranto ameno
Quando meu desejos cobiçados
Despedirem as dores derradeiras
Serei fonte a jorrar cristalina
Eterna musa da tua calmaria
E tu que abristes os cadeados do peito
Destrancastes as travas com doçura
Entenderá num olhar o meu preito
A minha verdade segura


&
 

Garimpo

Angélica T. Almstadter


 

Resgatando anos de promessas,

De vólupias encobertas;

 Na esteira, resfolegando paixão,

Quando tudo era proibido,

Me perdi às avessas,

Dentro das falas incertas,

Sufocada, da senil solidão,

Com pruridos na libido.

Como te procurei sentir, sem pressa,

Na rigidez da minha mão,

Em cada lance de degraus,

Onde o desejo em mim começa.

Nos rostos desfigurados,

Dos anjos cegos

Que ensaiam seus saraus,

Vi tua face, multifacetada,

Zombando, de um quase nada;

Nesse mar de egos.

Anos de procura, remexidos,

Espetando sem cuidado,

Meus sentires retorcidos,

Em camas, de linho gelado.

 

10-12-04

*

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