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FERNANDA GUIMARÃES

FERNANDA GUIMARÃES é cearense, nascida em 16 de dezembro. Descobriu sua paixão e teve seu primeiro, e breve, contato com a poesia na adolescência. A autora adormeceu e o tempo, por muito, embalou seus versos. Por fim, renasce a inspiração e a poeta Fernanda Guimarães desperta no ano 2000. Encontramos sua obra na Internet em seus sites: De Amores e Saudades – Fernanda Guimarães (www.fernandaguimaraes.com.br) e Fernanda Guimarães em Prosa e Verso (http://br.geocities.com/nandinhaguimaraes), onde tem inebriado seus leitores com a fragrância de suas imagens e expressões poéticas. Amor e saudade são temas que caminham ao lado desta poetisa.
Fernanda Guimarães já participou das Antologias: Seleção de Poetas Notívagos 2001, 1ª Antologia Cantinho do Poeta, I Prêmio Literário Livraria Asabeça 2002 - Poesias, Contos e Crônicas, onde foi umas das ganhadora do concurso e Tertúlia na Era de Aquários, coletânea da lista literária Luna e Amigos.
Fernanda é graduada em Serviço Social, atua na área de turismo e, através de sua poesia, leva-nos à descoberta de novos horizontes e cenários superando-se, com destreza, ao preestabelecer a viagem do corpo e da alma. (por Amanda Preissler)



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Pronunciando-me pelo Olhar
© Fernanda Guimarães

À distância, o azul é infinito para o olhar
Para além do que se presume
O coração refestela-se no horizonte da saudade
Desnuda-se a lembrança em vontades incontidas
Percorrendo as marcas de um sonho...
No cenário habitado pela ternura
O pensamento tece histórias
Unindo e entrelaçando num mesmo tear
Os meus mais íntimos anseios
Os meus mais profundos desejos
Meu olhar urde enredos
Com fios que tramam saudades
No bordado da tua ausência

Meu olhar escreve capítulos
Que ainda não vivi
Resgata momentos de pretéritas existências,
Finaliza os enredos dos meus “quase”
Inventa finais felizes com os meus “talvez”...
Hoje o meu olhar é uma fresta
Uma tela para o futuro
Mostrando-me o porvir no algures não deslumbrado
Meu olhar habilita-me a navegar pela imensidão
Onde as cores, sons e imagens
Projetam-se em luzes e mistérios

Meu olhar é o espelho de minhas buscas
Reflexo dos meus silêncios
Quando todas as palavras são insuficientes
Para que eu me confidencie ao universo
Meu olhar é o idioma possível
A me propiciar interseções
Quando me revelo e me descubro em outro olhar
E transformo o mundo da solidão individual
No abraço do reconhecer-me
Meu olhar preenche a tua ausência
Quando se permite convocar pela saudade
E os barcos do pensamento
Ajudam-no a navegar em águas
Que me resgatam da tua falta


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Voz da Noite
© Fernanda Guimarães

Reconheço a voz íntima da nostalgia
Enquanto o pensamento percorre
Os corredores das lembranças
Em mim, a noite perdida
O grito aprisionado no olhar
O desvanecer de tanta ternura
Dissipando-se no imperecível
Diluindo-se no abstrato

No horizonte o olhar fixo
Buscando-te onde não me alcanças
Um arder de emoções cala-se em meus lábios
Em mim o pulsar do teu coração
E este amor despido num rito de solidão
Um princípio de lágrimas
Beija-me a face que não tocaste
Depois, o silêncio, os sonhos, a imensidão
E o debruçar dos meus olhares
No caminho onde a saudade
É somente a tua ausência...


&

Acalanto para uma Saudade
© Fernanda Guimarães

O olhar desenha o teu rosto
Pronunciando-te em lembranças
Teu sorriso acaricia meus lábios
Oferecendo-me o desejo do teu abraço
E as confissões que me revelam em ti
Ouço-te trazendo-me em teus passos
E um sentimento de plenitude
Acolhe-me à beira de um murmúrio
Na voz dos teus silêncios
Miram-me todas as palavras
Que nunca me disseste
No mais profundo de mim
O desígnio secreto que me anima
O olhar, o sonho, a vida
À minha volta, a mudez do anoitecer
Evocando-me ao ritual desta solidão
Onde tua saudade é que me afaga...
 

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