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FERNANDO OLIVEIRA (FEROOL)

Fernando Oliveira: autodidacta, nasceu para os lados do Porto, Portugal em 1945. Jornalista, poeta " Versos Achados no Caminho" Versos Colhidos em Paragens" e editor. Tradutor Literário e Jurídico, Douro Terra do Vinho do Porto, O Trigo, obras completas, Os Mistérios de Jesus, tradução independente. Vive em Paris onde edita " O Dono da Loja, Jornal onde acolhe centenas de poetas e Jornal'Ecos que co-fundou e co-dirige com a escritora e poeta brasileira Vânia Moreira Diniz. Cata-Vento, grupo fechado onde discorre com outros escritores sobre o existencialismo e o pós-modernismo literário. Escreve em Francês e traduz poemas para este idioma. Vive em Paris.
http://www.ferool.info


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ajeita-te pretenso enjeitado
ferool


o homem serpenteia no arraial do medo divino… rema no térreo poiso com os olhos sempre postos na cúpula azulada… onde pretende ler mensagens de viagens esotéricas… inventa transportes alados… constrói aselhas com penas adulteradas pelo abuso dos seus pretensos descuidos pragmáticos… e espera no parque… como o feirante… espreita a oportunidade de desfiar o seu historial… e ser eleito para a conjecturada assembleia global…

acomoda-se de missões imaginárias
e oferece perdões aos indiferentes
recua e avança como um felino
veste ou infama os indigentes
sem diferenciar as causas etárias
vive num palco consumido pelo destino

da sua genuína generosidade, compõe consequências
onde pretende ver inscritas as suas referências
até à idade do balanço apócrifo
homem mosaico, tal composto hieroglífico
purga-se nas leis da universalidade insofismável
componente do circo, professa o descartável

lhano puro, ou monstro tirano… não é insano… apenas os ícones o afligem… por isso vive com o pensamento na origem…

sopra flautas com vento, que enchem bocas cardadas
de sangue jorrado em terrosas cruzadas
homem arcanjo, de constituição enjeitada
apologético do tudo, porque tem medo do nada

não se constrói, não se reedifica, não se refresca… o secular não lhe interessa… o que lhe interessa é o momento da transição… previdente!… criou métodos de purificação no seu entretanto… experimenta balanças com pesos e medidas desequilibrados pela erosão dos seus actos… o homem tem medo… não do homem… mas do ante-homem… por isso o seu germinar é diferenciado… quase excluído do painel empírico… automedica-se efémero… com remédios de traquejo enlutado… desde o dia da sua primeira experimentação…. o homem é meu irmão…

poéfilo


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o desgosto das rosas
ferool

as rosas levaram a dona
até à sua última morada
e ali permaneceram quietas
no templo da saudade

mimosas, lascivas e cheirosas
espiando o silêncio
dum peito extático
sem pancadas nem chamadas

onde outrora se ostentavam
acolhedoras e vaidosas

até que o luto as venceu
no plácido campo-santo

como num adeus desfibrado
doaram-se ao vento
e pétala a pétala desfaleceram

legaram o tempo
a outras rosas
companheiras doutros ânimos

a dona morreu de amores
as rosas, de desgosto
destinos congregados

 


&
 

Des’esperança
ferool


A esperança em desmesura
pode levar à loucura
A esperança, não é fé, nem ambição
apenas áleas de acção

A ambição tem planos
e a fé, ânimos e desânimos
Nem empírica, nem espiritual
como o abecedário global

Ela nasce, vive e morre

O desespero em desmesura
pode levar à loucura
O desespero, não é um estado de espera
como o infeliz assevera

Mas a ausência de esperança
no auge da intemperança
Nem físico nem intemporal
fenómeno da idade universal

Que desaparece, ou ocorre


 

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