JORGE HUMBERTO

do tempo, 38 anos de vida
das letras, o poeta que discorre
dos sons, o poeta que canta
das cores, o poeta que pinta
dos amores, o homem que sente...
do Tejo, o alimento d'alma,
da pátria, Portugal no coração...
das flores, a natureza viva
dos pássaros, as asas altaneiras
nas rosas brancas, o reflexo do eterno
fonte de seu ser...
das dores do mundo, espinhos cravados
em seu corpo, transpondo sua alma
da beleza, sua visão primeira...
do ser humano, o amor ilimitado...
dos amigos, a força e a vontade
da poesia, seu trunfo e sua coragem
da palavra, seu tributo a humanidade...
de sua sensibilidade, o afago presente
de sua presença, o homem poeta,
o poeta homem, brisa de encanto...
de meu amor, a verdade espelhada
em seus olhos e em sua alma.
 
Paola Caumo
17/abril/2004

"Nós não somos, vamos sendo"
                 Jorge Humberto

*

DOS TEUS BRAÇOS MULHER
Jorge Humberto

Dos teus braços, mulher.
Dos teus braços
Nasce-te a força, que é a raiz
De um pensamento,

Do teu ventre fruto,
Fruto-semente,
Giz e éster
Do imenso firmamento,

No entanto o gesto
Que te define,
É só no outro que fica,
Acaso ele saiba
O que implica,
Ser-se mulher
E o que, sendo dela,
É em nós e vivifica.

(10/03/2004)

&

Delicias de Poeta
Jorge Humberto

Certa vez…
Prometi pintar-te o rosto… lembras?
Eu até acho que pode haver uma beleza, nada
Tristonha, num rosto triste, solene talvez,
Mas, ainda assim, daria vida aos cabelos,
As bochechas seriam uma subtileza,
Entre o sorriso e o escarnecer,
O riso mostrar-se-ia aberto e franco,
E o nariz, senhor de si,
Teria um toque imperial

Já as sobrancelhas
Seriam uma tristeza inconsolável,
Os olhos,
Mistério de luzes indecifráveis,
Líquidos,
Uma Lua que se abrisse,
Duas aves que não se querem presas,
E no monte do teu corpo,
Poria a bandeira mais alva que houvesse,
Qual a tua pele, invejosa de lhe ter descoberto
A beleza retraída e escondida,
Durante anos

Então,
Soltaria todas as fragrâncias lá contidas,
Rosmaninho,
Rosa e malmequer,
Sândalos perfumados,
E eu seria quem amar-te-ia,
Para toda a eternidade,
Mulher minha, que me vives e respiras,
Virgem láctea do meu sonho mais aguardado,
Delicia de todos os jardins suspensos,
Leite puro em louça e cristal,
Minha mulher
E minha amada

Não sou poeta,
Que se o fora,
Seria o homem descido à terra,
Para te amar

(22/Janeiro/2004)

&

A NÓS DISTANTE 
Jorge Humberto

Como dizer
Que te quero,
A palavra
Enquanto espero,
Que o medo
Se esbata,
A insegurança
Se abra,
E a vida assome
E te deixe
Farta,
Ante o que te consome?

Como dizer
Que te preciso,
E seja verdade
Em ti?
O que em mim,
Embora
Necessidade,
Sempre
É saudade,
Se longe de ti.

Como dizer
Que te desejo,
Sem que fira
Sentimentos,
Ou à lembrança
Maus momentos,
Exultem
Outros comportamentos,
Quiçá herança,
De tantos lamentos?

Como dizer,
Enfim,
Que gosto de ti,
Que és importante
Para mim,
E que
Doravante,
Se estradas
Houverem a percorrer,
Pois que em uno
As façamos,
E um só caminho,
Agora,
Aqui a nós distante,
Mais que o prever,
Seja já
O que vamos querer?

(29/Junho/03)

*

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