Paola Poesias__
Amigos Poetas

 

NajahDL

 

Sou Sueli. Paulistana, de 1957. Gosto de gente;
suas nuanças, suas variações, seus cheiros.
Gosto de ver seres humanos exercendo seu viver.
Meu professor de Direito Penal disse,
certa vez, sobre a responsabilidade da palavra,
sobre a força que ela tem em fazer crescer ou
destruir um ser humano e, desde então, passei
a prestar muita atenção na junção das letras.
E gosto delas, gosto de brincar com elas.
Não sou poeta e jamais serei, pois não tenho
disciplina, mas gosto de trilhar pelas palavras,
por sua sonoridade, por todos os caminhos que
levam uma idéia a se tornar um plano de vôo
e o expresso da alma.
 
NajahDL



*
 

O meu eterno
Najah ÐL®
 
 
Você habita leve nos meus sonhos
está na força dos meus passos
no contorno dos meus braços
e nos versos que componho
 
Tanto amor entregue ao tempo
num viver mágico de segundos
tanta vida fluindo ao vento
levando sensações em solo fecundo
 
Que abençoada fui eu ao tê-lo
e essa dádiva levarei sempre comigo
pela existência, pelo vôo ao deserto,
por toda a eternidade do meu infinito
 
Onde quer que eu esteja, você estará
onde minh'alma conseguir alcançar,
onde meus olhos pousarem à frente...
 
já faz parte do meu destino, para sempre.
 
 
 &

 
Loba
Najah ÐL®
 
Em mim esse animal sangra
dolorido em seu confinamento
e arredio investe a sua zanga
mordendo p'ra aplacar seu sofrimento.
 
Ataca no limiar da desventura
não se alivia nem tem contentamento,
suas razões açoitam um tormento
de animal ferido, carente de cura.
 
E como quem se acostuma de pequeno
a correr de caçador onipotente,
tripudia a dor, galgando o escuro
 
sentindo na carne o fastio do veneno
ouriça os pêlos e arreganhando os dentes
uiva sua dor num morro seguro.
 
 
 
 &

 
Retumbos
Najah ÐL®
 
 
Me atordoa o troante silêncio
da salva de prata vazia
trazida pela mão encarquilhada
de um mordomo de libré
que sobe sorrateiro
pelas escadarias do templo
do meu corpo
 
Me atordoa o ranger
das portas fechadas
imóveis, encalombadas
nas paredes curvas
da minha mente
 
Me atordoa o deslizar ingrato
das águas que abandonam
a aridez das íris
e se juntam em vertentes
desabando torrencialmente
e escandalizando
 
Me atordoa o cântico
mudo do párodo
que migra do coração
a cumprir seu destino
 
Me atordoa o alarido
de minh'alma sozinha.


*

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