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MARILDA ( OlhosDe£in¢e )

        

A pequena cidade do norte do Paraná - Andirá - foi o meu primeiro porto da vida.
Braços acolhedores e seguros me esperavam e estes quatro braços ensinaram-me a conhecer os valores e os princípios básicos da vida. Aos meus pais, rendo o meu carinho e a minha saudade.
Cresci com a cumplicidade do tempo e passei da  infância feliz e traquina, para a adolescência cercada de novidades e surpresas que me fizeram aprender a diferenciar: o mal do bem, a tristeza da decepção, o sorriso da alegria da alma, e, a mais bela de todas... a descoberta do amor.
As adversidades estavam à minha espera, entendi que há sempre um porquê para as suas visitas. Sobrevivi a muitas batalhas e com a ajuda das reflexões, embrenhei-me na trilha de entender a vida em todos os seus segmentos.
Descobri que meus momentos e minhas reflexões eram os mentores da minha intenção da escrita, e assim, passei a colocar no papel a minha alma ainda sem muita lapidação, mas vertendo sentimentos. Foi no ano de 1998 que a saudade em mim,  se intensificou e percebi que ela não mais adormeceria. Uma saudade muito especial  alojou-se em meu coração e tornou-me uma detentora de sentimentos expostos em versos.
De repente... surpreendi-me em meio à poemas que descreviam os meus momentos vividos. Percebi que havia ganho a cumplicidade do sonho, da saudade e da esperança.
Os versos agrupavam-se e findavam em poesias sem rimas, sem técnicas e sem pretensão alguma de me fazer poetisa, apenas uma mulher que faz da sensibilidade da alma a transparência de seus momentos.
Desde então, assino meus poemas e textos com o pseudônimo "OlhosDe£in¢e", não pelos belos olhos do lince, mas sim, pela sutileza na sensibilidade de perscrutar a alma. Esta sensibilidade adquiro com as adversidades e reflexões pelas quais a vida me faz passar.
Preservo os valores, a ética e os bons princípios, repudio a mentira e o ser com ausência de caráter. Romântica e sonhadora, morrerei.
Há 20 anos tenho como habitat a bela cidade de Curitiba e nela respiro a vida.

Marilda ( OlhosDe£in¢e )

www.olhosdelince.net


*

Eu pensei...
(OlhosDe£in¢e) 

Eu pensei... 
Que a saudade 
afastaria um novo amor, 
que a beleza de amar 
se perderia em tristes dias.

Eu pensei... 
Que a solidão me acompanharia, 
que a chuva fina seria a minha amiga, 
que o cinza do céu
seria eterno em meu olhar. 

Eu pensei... 
Que as flores não abririam 
diante de meu olhar, 
que o sorriso dos apaixonados 
seria apenas um quadro na parede.

Enganei-me... 
Momentos felizes visitam-me,
sorrisos apaixonados inundam a minha alma, 
as flores perfumam o ar por onde passo, 
o cinza do céu foi embora e o azul apareceu, 
a chuva fina lava as minhas saudades, 
e a solidão deu lugar

para a cumplicidade de um novo amor!


&
 

Carícia no olhar
(OlhosDe£in¢e)

Quando olho a lua...
Uma carícia me envolve,
pensando em seus braços
ao redor de meu corpo.

Quando olho o céu...
Busco nas estrelas,
a carícia que sempre me envia,
no brilho do seu olhar.

Quando olho o mar...
Com suas ondas suaves,
procuro pelas suas mãos
que tanto me acariciam.

Quando olho as flores...
Sinto as carícias
do roçar de seus lábios,
em meu rosto feliz !

Quando fecho os olhos...
Continuo a sonhar com seu cheiro,
seus olhos, sua boca, seus braços e
seu corpo entrelaçado na carícia do meu amor!


&
 

Vida, eterno porto de meditação
(OlhosDe£in¢e)

Na dança suave dos pássaros
entre os azuis miscíveis do firmamento,
percebo um cenário perfeito
para a meditação serena.

O sol, no findar do dia,
tinge as bordas do céu
com o vermelho dourado,
levando-me a refletir
sobre o mistério que
envolve a vida.

Vida, mestra de sabedoria,
em que só aprende
aquele que consegue
diferenciar nos detalhes
o valor de seu existir.

Vida, eterno porto de meditação,
nuances de luzes
a iluminarem o crescer da alma!

*

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