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| Derrubando as fronteiras da sexualidade O Bee Gee Robin Gibb ofendeu a sua família e amigos revelando ao vivo no rádio: "Minha esposa é lésbica e eu a amo". Seu comentário causou tanta repercussão que ele se recusou confirmar se era verdade ou não. Agora, Robin e Dwina falam pela primeira vez a respeito de seu mais do que incomum casamento... (Entrevista feita por Ian Woodward, 1995) |
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| A sequência de sucessos pop dos Bee Gees brindou a Robin Gibb com uma fortuna de 50 milhões de libras. Mas, diz ele, foi sua esposa Dwina quem lhe trouxe a libertação... Enquanto nos sentamos junto à piscina em sua mansão de Miami, ele a olha e diz: “Dwina trouxe algo a minha vida que duvido que outra mulher pudesse trazer". Por sua vez, Dwina diz: “Se Robin não tivesse aparecido, nunca teria casado, definitivamente não". Ela pode não ser uma grande defensora do casamento, mas o casal está junto há 15 anos e celebrará seu décimo aniversário de casamentos em 31 de julho. Eles também superaram a tormenta que se levantou nos tablóides ingleses a partir das revelações de Robin em uma emissora de rádio norte-americana a respeito de que sua esposa era lésbica. Naquele momento, uma chocada Dwina disse: "Vou matá-lo!", e Robin permaneceu com a boca fechada desde então. Mas agora o casal quer contar como é esse casamento. Robin, 45 anos, cujos sucessos incluem "Night fever", "Stayin' alive", "If I can't have you" e "Massachusetts", explica: "Eu estava sendo entrevistado pelo mais escandaloso apresentador dos EUA, ao vivo, na rádio. Você tem que escandalizar ele simultaneamente ou vira o boneco que ele vai manipular, assim eu me antecipei. Apenas quando eu estava no avião rumo a Londres, mais tarde, que me dei conta da lata de vermes que tinha aberto... mas sim, é verdade, Dwina é bissexual comigo". Dwina diz que as revelações de Robin não a feriram, mas admite: "Seus comentários me aborreceram, mas só porque estava preocupada com minha família, minha mãe e nosso filho Robin-John (agora de 12 anos) os receberiam. Não me envergonhou o que Robin disse, nem agora, sempre fui liberada. Ninguém pode ferir-me com nada que diga ou faça, eu só sigo vivendo minha vida". E trata-se de um estilo de vida muito luxuoso. Depois que a poeirada se assentou, ela decidiu impor um castigo a seu marido: "Eu lhe disse, 'Me deve o maior diamante que existe', e como gosto dos Jaguar, ele me deu um XJRS azul diamante, com uma placa que diz DRUID". Dwina, que nasceu na Irlanda do Norte, é uma líder Druida, como assim também uma artista e novelista de sucesso. E, para demonstrar que tudo estava perdoado, ela lhe deu um anel de ouro com um camafeo, que tinha pertencido a Lady Hamilton. O casal é fisicamente muito diferente - ele é extremamente magro, veste um jeans tubo e calça botas de ciclista. Dwina, 40 anos, é loira e radiante - mas eles crêem que são espíritos entrelaçados. "Nós compartilhamos a mesma filosofia a respeito de derrubar as fronteiras em termos de sexualidade", diz Dwina. "Ela me fez mais aberto, libertou-me" completa Robin, que insiste: "Nós temos liberdade de fazer nossas próprias coisas. Se estamos separados um do outro por duas ou três semanas, não nos preocupa, não temos ciúmes, já passamos a coisa frenética do noivo/noiva". "Se Robin encontra outra mulher e quer ter algo com ela, que problema há?", pergunta Dwina. "Nós temos um laço físico-espiritual pelo qual sabemos que sempre estaremos juntos. E, devido à AIDS, somos super cuidadosos em ter impensadamente relações extra-conjugais". Robin vai direto ao ponto. "Eu sabia que Dwina era gay quando nos casamos, mas não me importou porque estava apaixonado por ela, e ainda estou. E, de todo modo, ela é bissexual comigo. Ela é a melhor esposa que um homem pode desejar". "Se encontramos alguém que nos atrai, podemos falar disso", diz Dwina. "Discutiremos sem medos, nem sentimentos de culpa. Isto é totalmente aberto. Agrada-nos 'navegar' e nos agrada observar". Os Bee Gees têm uma imagem. "Por tudo isso é que recebi um enorme pontapé, por falar disto na rádio. Não houve má intenção, só uma tolice altamente espiritual, para pegar um gancho no momento". Dwina diz: "Ele estava tentando chocar - e realmente chocou a minha mãe!". Mas que pensam seus irmãos, Maurice e Barry, que vivem próximo? "Eles estão acostumados com Robin", diz Dwina. "Num programa de rádio lhes perguntaram que vidas passadas poderiam ter tido, e Robin se adiantou e disse 'Barry foi, provavelmente, um táxi-boy de Oscar Wilde', ele tende a soltar estas bombas. Talvez por isso nos atraímos um ao outro". A atração começou por volta de 1980. "Nosso primeiro encontro foi na casa de Maurice", recorda ela. "Robin ia me encomendar alguns trabalhos de arte e eu me lembro dele espiando por trás das cortinas quando cheguei com alguns desenhos". Robin, que tem 2 filhos maiores (Spencer, 22, e Melissa, 21 em junho), estava divorciando-se. "Eu não estava procurando alguém para ter uma relação. Foi um período bem pesado para mim, mas ao final nós 2 fomos vencidos. Temos o mesmo senso de humor, o mesmo interesse na História e na vida. Ela sempre me aceitou totalmente pelo que sou, como eu o fiz com ela. Os 2 se beneficiam cada um da vida do outro, das atitudes e personalidades. É algo químico. O nosso é um desses casos em que os similares se atraem. Eu não poderia viver com alguém oposto a mim, que guarde rancores. Nunca vamos dormir brigados". Dwina recorda: "Eu vinha sendo uma solitária durante uns 10 anos, quando encontrei Robin pela primeira vez. Eu tive uma filha que nasceu prematuramente e, infelizmente, morreu. Eu estava demasiado ocupada trabalhando como para pensar em romances, vivendo entre pó de tijolos, numa casa no sudeste de Londres, enquanto tratava de progredir. Minha cozinha não tinha teto e eu usava uma cozinha elétrica para preparar 3 refeições principais". Ela agora tem um cheff, que vive na casa, em cada um de seus milionários lares. "Não muito depois de que Robin e eu nos encontramos, soubemos que queríamos ter um filho juntos, antes de conviver um com o outro. Sentíamos que os nossos eram bons genes para juntar. Mas o bebê não apareceu até que vivemos juntos. Robin encontrou um sopro de ar fresco em sua vida quando me conheceu. Eu lhe brindei com muitas coisas e vice-versa. Sou poeta, artista e novelista, e ele me ajudou a enfocar-me em terminar as coisas". Dwina é, certamente, uma autora prolífica. Acaba de finalizar uma novela, "Os grilletes", que se desenvolve entre as comunidades gays e heterossexuais da área de South Beach, em Miami. Outros dois livros estão a ponto de serem publicados, "Sob o envoltório" e "Os suspiros mentem", exploram as relações entre mulheres. "Escrever sobre uma mulher que sente este profundo amor por outra mulher é um tema que, para mim, é totalmente natural abordar", diz ela. "Há uma seção em 'Os suspiros mentem' a respeito do lesbianismo e o voyeurismo. Esses são livros que eu devia escrever. Não me agradam os limites com os que nos enfrenta a sociedade. A Robin também não. Ele estava rompendo limites quando falou de mim nesse programa de rádio". Ao olhar para trás, em 10 anos de casamento, Robin, cujos hits solo incluem "Oh, darling!" e "Saved by the bell", diz: "Não estávamos realmente muito interessados na idéia de casar. Nem sequer a contemplávamos, só estávamos na expectativa". "De todo modo", reflete Dwina, "não penso que um bocado de papel te possa reter. Sempre fui rebelde a respeito, igual a Robin". "Mas", insiste ele, "isso só significa que nos comprometemos aos olhos de Deus". Robin diz que se apaixonou por Dwina tanto por sua aparência, personalidade e sexualidade, como por sua espiritualidade. Hoje ela é uma líder Druida - seu título completo é Patrona da Ordem dos Bardos, Ovates e Druidas - e um quarto no lar de Miami alberga artefatos espirituais de todo mundo. "Sempre compartilhei a espiritualidade de Dwina", diz Robin, "ainda que nunca me converti ao druismo. É realmente uma crença nos elementos e o culto à natureza, mais do que dançar nu arredor de Stonehenge". Mas Robin tem suas próprias crenças pessoais. Crê que foi irmão de Dwina numa vida anterior. Dwina, descendente de um rei irlandês, procurou em sua árvore familiar e apurou que um de seus ancestrais esteve casado com um ancestral de Robin. Ela diz: "Somos como gêmeos. Nascemos no mesmo dia". Robin também é obcecado por figuras históricas. "Primeiro foi Charles Dieckens, logo Oliver Cromwell, depois Winston Churchill. Agora compartilho minha cama com Horatio Nelson", revela Dwina, "E vivendo numa casa com tantas conexões históricas como esta, ele está em seu elemento". Aparentemente, a casa foi freqüentada pelo Presidente John F. Kennedy, uns 30 anos atrás. Ele levou uma sucessão de loiras amantes ali, para relações amorosas, incluindo Marilyn Monroe. "Nosso dormitório é onde ele fez amor com todas suas garotas", diz Robin, que parece ter uma inclinação a comprar prévios ninhos de amor. Seu lar anterior, em Miami, quatro portas abaixo, foi o esconderijo do gangster Al Capone e da rainha dos filmes de Hollywood, Lana Turner. Quando Robin-John nasceu, os Gibb se mudaram para sua atual residência. "Aqui era como o castelo da Bela Adormecida, depois dos 100 anos de sonho, tudo tampado por mato", diz ele. "E dentro era como a casa de Miss Havisham em Grandes Esperanças, tudo coberto por pó. Tinha ficado vazia desde o assassinato de Kennedy. Eu passava dirigindo todos os dias, ainda que não podia ver a casa por causa das plantas crescidas. As portas estavam abertas e pessoas entravam e usavam o local para sessões de 'fazer amor'. Eu vi que ali tinha potencial. Eu realmente soube que essa tinha que ser minha casa na América. Já estamos aqui há 12 anos e nunca me canso do lugar". Seu lar em Miami está onde Robin e Dwina trabalham, Robin num novo álbum dos Bee Gees, em seu próprio estúdio de gravação em Miami, e Dwina terminando sua saga céltica: "Cormac: O Sábio". Quando querem relaxar, vão à sua propriedade medieval de 4 milhões de libras, com 20 acres, em Oxfordshire. O casamento deles pode não ser convencional, mas eles são inflexíveis: é um que funciona. "Nosso casamento foi sempre igual", diz ela "e creio que sempre o será. Temos uma relação especial". "Uma relação muito especial", apóia seu marido, enquanto se sentam em seu terraço, observando uma magnífica baía ao luar. "Temos um saudável entendimento das necessidades do outro. Eu entendo seu espírito criativo". "É impossível", insiste Dwina, "ter um estilo de vida convencional se é gente criativa". "O nosso não é um estilo de vida convencional", diz Robin, "não vivemos segundo as regras. O que fazemos em nossa vida privada pode não ser do agrado de muita gente, mas esse é um problema de cada um. A vida deve ser vivida a pleno, e isso é o que estamos fazendo - Não sou um monge, e Dwina não é uma freira!”. |
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