1994 até hoje - A decadência da 89 FM
 

89 FM adota perfil "Jovem Pan" e poucos percebem

Fábio Massari não consegue elevar a audiência da 89 FM. Pelo contrário, sua conduta não contribuiu para dar credibilidade à emissora devido aos erros por esta cometidos. Massari foi até injustiçado e quase todos os alternativos, de diversas tribos, boicotaram a 89 FM por achar que a emissora só virou "alternativa" para se aproveitar dos ventos do grunge.

Massari é um sujeito competente e conhecedor profundo de rock. É um bom jornalista e apresentador, mas estava se envolvendo em "maus lençóis". Em 1993 muitos de nós confundimos as coisas e pensávamos que o VJ da MTV era responsável pela picaretagem, só por estar na coordenação, mas as coisas não são fáceis assim. Não existe maniqueísmo nem realidades prontas e visíveis no rádio, muita coisa oculta existe. E Massari apenas sofreu as limitações e pressões de dois lados, seja dos donos da 89 FM, que queriam uma ênfase maior no rock barulhento, seja pelos duvidosos Carlos Eduardo Miranda e Tatola, antigos músicos de rock que acabaram sendo mentores de um projeto estereotipado de rock brasileiro "engraçadinho" que hoje corrompe muitos conjuntos, mesmo os emergentes.

Com isso, Fábio Massari - que na 89 estava mais à vontade apenas no seu programa "Rock Report", como atualmente no "Jornal da MTV" e "Lado B" - deixou a coordenação da 89 FM em dezembro de 1994. No seu lugar, entrou Luís Augusto Alper, um dos fundadores da 89 FM que chegou a ter passagem pela Jovem Pan 2.

Estranhamente, o segundo semestre de 1994 e o decorrer de 1995-1996 foram marcados pela extinção suspeita de quase todas as rádios originais de rock do Brasil, só restando a Ipanema FM, que, todavia, se tornou eclética a partir de 1997, num perfil próximo ao das FMs comunitárias e universitárias brasileiras, que tocam reggae, samba de velha guarda e hip hop mas pouco ousam quando tocam músicas de rock. Entre as lamentáveis perdas, estavam a Fluminense FM, de Niterói, e a 97 FM, de Santo André. Com uma campanha feita na Internet, a Fluminense FM retornou ao ar em agosto de 2002, depois de uma fase experimental bem-sucedida na sintonia dos 540 khz do Grande Rio de Janeiro.

Em agosto de 2002, no entanto, a Fluminense FM, em meio a uma campanha pelo seu retorno, retoma a sintonia dos 94,9 mhz, pouco mais de um ano de fase experimental, nos 540 khz da Fluminense AM, fase esta que já causou estrondoso sucesso, após sete anos de programação alternativa fora do ar no rádio carioca.

A extinção tão repentina das rádios de rock originais e autênticas se tornou suspeita por vários motivos. Entre eles, cabe destacar:

1) Por que todas essas rádios foram extintas em curto espaço de tempo? Elas sempre viveram de problemas financeiros, mas é estranho que apenas estes tenham motivado a brusca extinção.

2) Por que as rádios que depois assumiram o segmento rock não tiveram, em nenhum momento, uma conduta à altura das antigas rádios alternativas? Mesmo em suas piores trapalhadas, rádios como 97 FM, Fluminense FM e a 95 FM de Santos ainda podiam assimilar a realidade do público roqueiro, em alguns bons momentos. Já as "sucessoras" se limitaram a repetir a mesma fórmula das FMs "poperó" adaptadas ao "vitrolão" (repertório musical) e estereótipos "roqueiros", não raro sucumbindo à mesma visão que os reacionários moralistas têm do ouvinte de rock, como uma suposta insanidade mental.

Suspeita-se, na época, que a 89 FM tenha armado tal situação, telefonando para emissoras paulistas não-roqueiras - da Jovem Pan 2 à CBN, passando pela equipe de Lélio Teixeira que havia deixado, na época, a Nova FM, então uma rádio de pop dance - informando da crise financeira das rádios alternativas brasileiras, para assim estas serem vendidas aos grupos procurados. Dessa forma, a Jovem Pan 2 comprou a Fluminense FM e a santista 95 FM. A equipe de Lélio ocupou a 97 FM. A CBN tirou do ar a Estação Primeira FM.

Dessas emissoras formadas, pode-se dizer que a única rádio que se aproximou do bom êxito foi a 97 FM (descontando o "Aemão engraçadinho" do "Estádio 97"), pois a 97 foi a única a ter uma audiência realmente significativa no segmento dance, além de um digno faturamento, enquanto que as outras emissoras apenas fingiam um estado de grandeza usando até da poluição sonora da audiência dos automóveis (sobretudo CBN Curitiba e a então Jovem Pan Rio dos 94,9 mhz niteroienses) que, dizem, era feita por amigos de produtores das emissoras, que recebiam uma gorjeta para circularem pelas ruas com o rádio em alto volume, para chamar atenção e fazer mershandising sonoro ilegal.

Aparentemente, as rádios Cidade, no Rio de Janeiro, 89 FM em São Paulo, 96 FM, em Curitiba e Enseada FM, em Santos, as duas últimas com um nível de competência maior, ainda que sem a genialidade das antecessoras, se anunciaram como "sucessoras" ou "herdeiras" das rádios de rock originais.

Fora algumas rádios, que, sem ousarem muito, pelo menos cumpriram com sua missão de divulgar nomes mais conceituados no rock, a maioria das emissoras que assumiram o rótulo "rock" a partir de 1995 se tornou sofrível. Com locutores do mesmo estilo pop das FMs convencionais, essas rádios pecaram pelas limitações mercadológicas que foram impostas à programação. Dessa forma, o espaço para as bandas autênticas de rock era escasso, restrito às mesmas músicas de sucesso, uma média de duas ou três músicas. Era o "estilo Jovem Pan" sendo implantado nas ditas "rádios rock" com evidência cada vez maior, embora os ouvintes dessas rádios, por irônica ingenuidade, declarem ódio mortal ao perfil da Jovem Pan 2, sem perceberem portanto que a "rádio rock" que apreciam, apesar da diferença no "vitrolão", adota a mesma linguagem da emissora que abominam.

Além disso, a atitude das ditas "rádios rock" se tornou superficial, nivelada à alienação de boa parte da juventude brasileira. Ao invés, por exemplo, de conscientizar as pessoas sobre os problemas do meio-ambiente, as "rádios rock" se restringem a citar passeios de mountain bike. Ou, se existe alguma conscientização, ela é feita de forma domesticada, por meio de spots publicitários nos intervalos da emissora, com um discurso adocicado e acrítico que só quem tem menos de 16 anos e que não seja radicalmente roqueiro pode apreciar.

A partir da 89 FM, o que se vê nesse modelo "jovempanizado" das "rádios rock" é um esforço vão de tentar agradar a todos. A 89 FM quis o sucesso da Jovem Pan 2 e o prestígio da Fluminense FM, ao mesmo tempo. Caiu em inúmeras contradições, ao longo dos anos. Se no final dos anos 80 a rádio oscilava entre a linguagem "alô, dona-de-casa" de locutores que mais pareciam estar comandando programas de disco music, nos anos 90 a coisa se escancarou. Se, antes, pelo menos dava para ouvir um locutor de estilo realmente rock em programas específicos ou em horários como o fim da noite ou a madrugada, temperada com canções e artistas menos "fáceis" do rock, de 1995 para cá a 89 FM padronizou quase toda a programação com locutores histéricos e eufóricos que mais parecem concorrentes não-assumidos do dublê de locutor Luciano Huck.

Com isso, a 89 FM oscilava entre tentar abranger o rock autêntico e tentar absorver algum "megasucesso" do momento, seja rock ou imitação disso. Beirava à irritação de muitos roqueiros essa oscilação, ao passo que a 89 FM não podia mais esconder que era uma rádio comercial. Admitia tal condição, embora criasse artifícios que continuassem vendendo a idéia de que a 89 FM ainda era uma "rádio de rock".

A Internet é um exemplo disso. A página da 89 FM era incrementada de inúmeras frases e datas de rock, dos mais diversos músicos e cantores do gênero, além de patrocínios de alguns concertos de bandas autênticas. Esses patrocínios eram, demagogicamente, denominados de "apoio". Afinal, o verdadeiro apoio, que é a ampla divulgação do artista, não apenas quando ele aparece no Brasil ou quando emplaca nas paradas da Billboard, isso a 89 FM não oferece.

Com esse procedimento, grupos como Jethro Tull, Allman Brothers ou Dead Kennedys eram deixados em segundo plano, enquanto grupos duvidosos para o perfil rock como Mamonas Assassinas e Baba Cósmica ganharam mais cartaz.

Os finados Mamonas Assassinas eram um fenômeno que atingiu várias facções do pop e do popularesco (principalmente nas classes D e E que se nutrem "culturalmente" com os programas de Fausto Silva e Gugu Liberato). Foram um sucesso meteórico tragicamente interrompido. Quando fizeram sucesso com músicas como "O Vira" e "Pelados em Santos", os Mamonas Assassinas ocuparam os playlists de várias rádios, como Band FM e Jovem Pan 2. Só que a 89, contrariando um procedimento natural de uma rádio de rock em dar um passo atrás diante de um "megasucesso", aderiu abertamente à "febre Mamonas". Além disso, o falecido conjunto de Guarulhos não era exatamente um grupo de rock, e sim um grupo de humor musical. Eram vistos pela mídia como um "grupo de rock que parodiava a música brega", mas na prática eram o inverso, tal era a camaradagem e a satisfação que os cinco jovens tinham com o mundo popularesco.

Os Sobrinhos do Athaíde foram outro carro-chefe da emissora, um fenômeno que desnorteou a mente de muitos jovens. Mediano grupo de besteirol, na mesma linha do "Pânico" da Jovem Pan 2, os três comediantes começaram na USP FM e foram para a 89 ainda sob a gestão Fábio Massari. A imitação de um surfista, que foi batizada de Peterson Foca (trocadilho com o nome do surfista Peterson Rosa) fez o trio ter uma errônea projeção cult, só porque trabalhavam numa emissora rotulada de "rock". Tidos como "humoristas rock" (coisa que não ocorreria se o mesmo programa dos Sobrinhos do Athaíde tivesse nascido na Jovem Pan Sat), os três se dissolveram em dois projetos, um é o "Tim-tim-por-tim-tim" da Transamérica e os outros dois no "Pelotão da boa vontade" (89 FM) e no "MTV Rock & Gol" (que de rock só tem o nome; até pagodeiros participam da rodada).

Além da adesão a um fenômeno abertamente popularesco e a um humorismo besteirol - apesar da suposta roupagem rock - , outro momento constrangedor da 89 FM foi o conservadorismo aberto da emissora, na gestão de Alper. Em dois episódios, a emissora quase complicou sua situação criando problemas com músicos de rock.

Em 1997, na vinda do grupo Marky Ramone & The Intruders ao Brasil, que iria ser lançado pela 89 Records (então um braço fonográfico da Paradoxx, numa parceria semelhante à da Jovem Pan 2; depois virou subsidiária da Universal Music e, em 2000, desativada), o líder do grupo, Marky Ramone, ninguém menos que o ex-integrante do famoso grupo Ramones, solicitou divulgação gratuita da vinda de sua banda pela 89 FM. O diretor-artístico Alper e o dono da rádio, José Camargo Júnior, recusaram energicamente o pedido. "Nem para minha mãe eu divulgaria de graça", argumentou Júnior. O incidente teve divulgação ampla pela revista Rock Brigade.

Já em 1999, era a vez de Lobão ser vítima da 89 FM. Ao lançar um álbum mais voltado para a Bossa Nova, A Vida é Doce, com elementos de música eletrônica, o cantor carioca foi classificado como "decadente" por Alper e Júnior, já no periódico "89 A Revista Rock". Na própria emissora, o cantor recebeu o mesmo tratamento, e o escândalo foi parar nas páginas da Showbizz, que já estava com uma linha editorial melhor, menos pop e menos adesista ao esquema da 89 FM e congêneres (em 1996 Israel do Vale e outros repórteres tiveram a constrangedora idéia de classificar, numa reportagem dos Raimundos, as rádios Cidade, do RJ, e 89, de SP, de "duas das melhores rádios rock do país", mesmo não estando ambas com a "bola toda"). O incidente acabou estimulando o sucesso do Lobão com seu álbum que, sem divulgação em rádio e com distribuição restrita às bancas, teve vendas dignas de um álbum trabalhado pelas paradas de sucesso. E olha que nem a única aparição do "grande lobo" no Domingão do Faustão influiu em si no sucesso do álbum.

O escândalo do Lobão resultou na saída de Luís Augusto Alper da coordenação da 89, sendo a princípio substituído pelo seu suplente na função, Pastor Gonzalez, músico do Pitbulls On Crack. Mas Pastor, ligado amistosamente a Alper, também saiu da emissora, que acabou ganhando a coordenação de Alexandre Hovoruski, nada menos do que o produtor das coletâneas de dance music farofa da Jovem Pan Sat, aparentemente "convertido ao rock" para comandar o projeto de rede da 89 FM.

Em 2000 e 2002, respectivamente, a 89 FM tentou desfazer o "mal-entendido", convidando Marky Ramone (já envolvido com os Ramainz) para o concerto comemorativo da tal "rede rock" em dezembro de 2000 (evento similar ocorreu no Rio de Janeiro comemorando a afiliação da Rádio Cidade à rede 89). A banda não compareceu por motivo não esclarecido. Já Lobão, em 2002, seria convidado para se apresentar no programa "Rock na Aula", realizado num colégio ou faculdade em São Paulo ou Rio de Janeiro e transmitido via rede (no caso, foi um colégio paulista). Na entrevista, nenhuma alusão ao desastroso episódio da rádio foi mencionada.

Em 2000, a rede da 89 FM entra no ar, depois de uma tentativa fracassada nos anos 90, quando a rádio via perecer sua afiliada em Recife, num primeiro de abril de 1993. Com a Rádio Cidade, no Rio, como afiliada, a 89 arranjou outra afiliada, a 103 FM de Sorocaba, que desde 1997 operava em caráter experimental como retransmissora da 89.

No segundo semestre de 2002, a 89 adquiriu a outra 89 FM, de Amparo (região metropolitana de Campinas), que tinha uma metodologia diferente, mais politicamente correta, mesclando o perfil classic rock com alguns locutores mais pop ao lado de outros autenticamente roqueiros. Essa 89 se autodefinia "A Máquina do Som", lema que tomou emprestado da extinta Excelsior FM, rádio de rock dos anos 70 que ocupava o espaço hoje reservado para o "papagaio" (retransmissora FM de emissora AM numa mesma região) da CBN na capital paulista. A 89 FM de Amparo, que não tinha vínculo originalmente com a sua similar da capital, ao ser por esta adquirida transferiu sua sede para Campinas, repetindo a prática da própria matriz, pois a 89 FM surgiu em Osasco e transferiu sua sede para a capital paulista.

A metodologia da programação da 89 FM, que nos seus aspectos pop eram acanhados e sutis, hoje é abertamente comercial, embora continue o discurso supostamente "antipop" da emissora. Seu repertório musical consiste em reproduzir o que já é tocado no programa "Uauá" da MTV, e seus programas de rock pesado buscam pegar carona nas revistas Rock Brigade e Roadie Crew e no "Riff" da MTV. Além disso, a grade de programas acabou justamente se espelhando com mais fidelidade na Jovem Pan 2, a mesma que é aparentemente hostilizada por seus ouvintes.

Com essa programação, acabou prevalecendo a abordagem "farofa", que a mídia tanto se esforçou em se recusar a admitir na 89 FM. Mesmo sendo anunciado como o "carro-chefe" da programação, o rock na prática é deixado em segundo plano. Conforme os escândalos com Lobão e Marky Ramone comprovaram, a 89 FM se transformou numa espécie de aluguel de hits roqueiros, com a rádio cobrando uma grana para tocar rock. As gravadoras, os empresários artísticos e as casas de espetáculos (estas, quando as bandas e cantores se apresentam em cada cidade, seja da emissora-sede ou da afiliada, sejam as bandas e cantores nacionais e estrangeiros) pagam a execução das músicas (geralmente um punhadinho de sucessos consagrados) e quanto mais sucesso e quanto mais comercial for o artista (por exemplo, Bon Jovi e Guns N'Roses), mais barato sai o "jabá", ou seja, menos dinheiro a gravadora ou o empresário artístico pagará para tocar o nome em questão.

Quanto mais "difícil" for o intérprete, e quanto mais este for relevante para o rock autêntico, o dinheiro a ser pago por execução de músicas passa a ser maior. Não fosse esse "jabá", nenhuma canção de rock, por mais popular que seja, apareceria na rádio 89 FM, que usa esse aluguel como forma de enriquecer, assim como a participação dos lucros dos ingressos de cada concerto patrocinado pela rádio.

Do ano 2000 em diante, a 89 FM passou a criar programas em que o carro-chefe não é mais alguma tendência do rock - com exceção dos programas "Noise" e "Gordo, o Filme", ambos de rock pesado, respectivamente heavy e punk - , mas algum outro elemento, como o locutor em questão, as perguntas ou a entrevista de alguma celebridade. "Gordo, o Filme", a princípio, seria uma espécie de "Gordo a Go-go" no rádio, com João Gordo entrevistando e fazendo uma espécie de "rádiodramatização" com um convidado, tendo incluído até Joana Prado e, pasmem, Celso Portiolli (o mauricinho que apresentou o "Tempo de Alegria" do SBT e fez parte do programa "Pânico" da Jovem Pan 2). Mas a falta de critério dos convidados pegou mal e depois só músicos de rock ou coisa próxima disso aparecem no programa.

Exemplos dessa tendência de criar programas em que o rock não é mais do que coadjuvante - e ainda assim privilegiando tendências comerciais e pasteurizadas - são o "Pressão Total", um game show produzido por ex-profissionais da Rede Transamérica, e o "Do balacobaco", com o locutor Zé Luís, que não faz o gênero de radialista de rock. "Do balacobaco" - que na afiliada carioca, a Rádio Cidade, ganhou um similar, "A Hora dos Perdidos", apresentado pelo locutor Rhoodes - é um programa inspirado no "Torpeedo" da Jovem Pan 2, só que sem uma moça, atriz ou locutora, como parceira. Consiste no locutor falar temas corriqueiros, os ouvintes telefonarem comentando ou dando recados, e uma programação musical de hits é tocada durante o programa, baseada nos pedidos de ouvintes.

Este tipo de programa é uma cópia "normal" do excêntrico programa "Teleguiado" que Cazé Pessini apresentou na MTV. É, portanto, uma fórmula mais próxima daqueles que Luciano Huck havia lançado na TV ("Circulando", "H" e "Caldeirão do Huck"), cuja versão em rádio é justamente o "Torpedo". Programas sem qualquer fim cultural, e, no caso da rede da 89 FM, sem qualquer relevância para a divulgação do rock e, além disso, são apresentados por locutores pop cujo estilo animadinho simplesmente destoa de tudo o que uma autêntica rádio de rock costuma fazer. Mas como rádio autenticamente rock a 89 FM já não é há muito, muito tempo, dá para entender seu processo de se tornar literalmente uma sósia grunge da Jovem Pan 2.

E assim, a tal "rede rock" se afirma no mundo das aparências. Mas de que adianta o termo "A Rádio Rock" ter registro de cartório, de que adianta todo o discurso publicitário tipo "a rádio mais rock do Brasil", e toda a pronúncia exaustiva e vã do termo "rock" para enganar ouvintes "irados" mas ingênuos, se o rock nunca é tratado com aquela forma espontânea, verdadeira, e os próprios locutores só estão lá para fazer tipo (menos o João Gordo e Zé do Caixão, e este aliás saiu da emissora), pois na vida íntima não ouvem um décimo sequer do rock que dizem representar diante dos microfones. O público de rock, exigente que é, percebe logo a farsa e, quando não tem rádio, acaba apelando para suas coleções de discos para ouvir rock, sem serem obrigados a escutar o mesmo punhado de "grandes sucessos" que a rede 89 toca várias vezes ao dia.

EMISSORAS DA REDE 89 FM:

89 FM (89,1 MHZ) - São Paulo-SP
Cidade (102,9 mhz) - Rio de Janeiro-RJ
103 FM (103,7 mhz) - Sorocaba-SP
89 FM (89,1 mhz) - Campinas-SP

 

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