Curiosidades relacionadas à rádio 89 FM
 

Fizemos aqui uma coleta de dados que questionam a "imagem roqueira" da 89 FM. Qualquer nova curiosidade, tipo "aquele amigo meu fanático pela 89 FM coleciona discos dos Backstreet Boys" ou "aquela turma da pesada que posa de malvada na platéia dos shows heavy rebolava animadamente num show do Harmonia do Samba", mande uma mensagem.

Esta página também mostra "micos" mais antigos da dita
"rádio rock" de São Paulo.

 

1. Nas páginas da Folha de São Paulo, em novembro de 1985, a 89 FM, prestes a surgir, mandou um anúncio em que a emissora não era creditada. Havia apenas frases do tipo "acabou a agonia dos rebeldes sem rádio". A estética era "engraçadinha", bem do tipo FM pop. E olha que os rebeldes já tinham a 97 Rock FM, que na época era brilhante. No entanto, a 89 FM, surgida em 02.12.1985, é erroneamente aclamada como "FM revolucionária", quando o máximo que fez, em toda sua trajetória, foi passar, nos dois primeiros anos, uma programação roqueira correta, eficaz, mas "chupada" da 97 Rock, e acrescida de um sotaque pop da MTV.

2. A Editora Três, que edita a revista Isto É, tinha duas revistas de música, Som Três e Roll, que tinham o rock como carro-chefe. Essas duas revistas tiveram colaboradores originários da lendária revista carioca "Rock, a História e a Glória", como Ana Maria Bahiana e Maurício Kubrusly, este muito longe dos seus comentários "engraçadinhos" nos festivais de música mais recentes. Essas revistas faziam permuta com a Fluminense FM (RJ) e davam espaço para a colaboração de Luiz Antônio Mello. Mas é só a Roll, em 1985, abraçar o pop (teve até Madonna na capa), e publicar anúncios da Rádio Cidade e 89 FM, que dois anos depois estaria falida, não dando certo como clone da revista BIZZ (atual Showbizz).

3. Em coluna da Claudette Poodle numa edição da BIZZ em 1987, é mencionada a bronca do André Jung, baterista do Ira!, em relação à 89 FM, uma dita "rádio rock" que tinha parceria com a Rádio Cidade (que era pop tanto em RJ como em SP - hoje a Rádio Cidade paulista é populaaresca e recentemente até perdeu o nome por causa de um processo do Jornal do Brasil, sendo rebatizada como Sucesso FM). Anos depois, o Ira!, precisando de dinheiro, aceitou conviver com a atuação dessa emissora comercial que hoje explora financeiramente o mainstream do rock. Mas talvez compreendamos o Ira!, que no fundo faz a "política da boa vizinhança".

4. Outra edição da BIZZ de 1987 publica carta de leitor reclamando das rádios que tocam rock em SP. Ele cita Kid Vinil (então na 89 FM) como único radialista decente e comenta que a 97 FM extinguiu programas fundamentais e que a 89 FM não estava mais divulgando o material da gravadora Baratos Afins.

5. Anúncio publicitário da 89, intitulado "89 de A a Z", é uma típica amostra da atitude esquizofrênica da 89 FM, dividida entre o pop e o rock. A lista inclui tanto nomes "difíceis" (rejeitados até pelos seus ouvintes) como King Crimson, UK Subs e Felt, como nomes mais "fáceis" como Phil Collins (já convertido para o pop), Gene Loves Jezebelt, Tina Turner (que a rigor nunca foi rock, fez soul e andava fazendo pop baba então), A-ha e até um obscuro cantor de miami bass melódico, Noel Pagan (daqueles sucessos "Silent morning" e "Like a child"). O anúncio foi publicado em diversas revistas entre 1988 e 1989.

6. Outro anúncio da 89 FM em 1989 mostra uma velhinha com guitarra a tiracolo e diz que seu objetivo é fazer uma São Paulo mais "alegre e bem-humorada". Papo semelhante ao das mais tolas rádios pop e popularescas da capital paulista.

7. Na BIZZ de dezembro de 1992, uma leitora de Santo André espinafra as "rádios rock" 97 (já diluída) e 89 FM, comentando que as rádios repetem muito as músicas, sobretudo do grunge, facção do rock em moda na época. A leitora também critica o estilo de programação "alô gatinha" dessas rádios. A resposta do redator, de nome não creditado, à missivista demonstra concordância e acrescenta que os locutores dessas "rádios rock" operam como qualquer FM, só que usam jeans surrado e camiseta dos Ramones.

8. Comentário do ouvinte Luís Carlos V. da Silva, de Recife, Pernambuco, publicado na contracapa do LP comemorativo dos oito anos do programa "Novas Tendências", então transmitido na capital pernambucana pela 89 FM, lançada em 1992:
"Vocês têm um jeito especial de locução que eu nunca ouvi, acho que vocês fazem parte das rádios do futuro e voltaram ao passado para adiantar o que vai ser mais tarde".
Muitos pernambucanos ficavam indignados com o tipo de locução pop da 89 FM de lá, extinta em primeiro de abril de 1993 pelo boicote dos ouvintes, que viam na locução de José Roberto Mahr - de autêntico estilo roqueiro - uma exceção à regra.

9. Diante da primeira decadência, a 89 FM despeja, em 1993, uma série de vinhetas parodiando as de outras rádios e cujo lema é de uma completa infelicidade: "Ouça a 89 ou morra". A 89 quis ser radical com este lema forte, mas ela foi apenas burra. E não deu certo.

10. Um vídeoclipe do Angra, a longa canção "Angels Cry", na versão ao vivo, mostra cenas de uma apresentação num evento da 89 FM. O logotipo da emissora chega a aparecer no fundo, em algumas cenas. No entanto, parece que a 89 foi meio "pé frio", uma vez que o clipe, que chegou a ser rodado em programas normais da MTV, só rola raramente na íntegra. E o clipe, por sua vez, mesmo completo, é cortado levemente no final e não aparecem as palmas.

11. Entre 1995 e 1997 a 89 FM é duramente condenada pelos leitores da Rock Brigade. Cartas para a revista reprovavam a atitude da dita "rádio rock" que não dá cobertura digna para o heavy metal. Nessa época, Ricardo Alexandre, de O Estado de São Paulo, faz críticas à 89 enquanto, no mesmo período, o jornalista Tom Leão, de O Globo, alfineta a similar Rádio Cidade, do Rio de Janeiro, quando esta ainda não era da rede da 89 mas seguia o mesmo estilo de programação.

12. Em fevereiro de 1997, a repórter Drica Prado, da Cover Guitarra, em texto sobre rock nas rádios, comete o erro grosseiro de creditar a 89 FM como "pioneira". Como todo mundo que se informa em radialismo rock sabe, a 97 FM Rock foi a pioneira, surgida em novembro de 1983. Só porque a 97 Rock é extinta, não significa que ela tenha perdido o pioneirismo. Pura malandragem, ou então desinformação, da moça.

13. Nos anos de 1997 e 1998, a 89 FM testa uma estratégia de merchandising em programas jornalísticos da Rede Globo. Numa reportagem do Fantástico, sobre camping no litoral paulista, um dos entrevistados põe o boné da 89 FM. Noutra reportagem, desta vez no Jornal Nacional, um aparelho de som numa exposição de CD e som em São Paulo, mostrava o marcador de frequência indicando 89,1 mhz (89 FM) e tocava a música "Garota nacional", do Skank. Essa música, já nessa época, estava massificada demais, passando a ser renegada pelo próprio grupo e não sendo apropriada sequer para medianas rádios de rock. Nessa mesma época, o piloto de motocross Alexandre Barros era patrocinado pela 89 FM.

14. No início de 1998, as revistas Guitar Player e Cover Guitarra misteriosamente sumiram das bancas com rapidez anormal, até mesmo para revistas com venda expressiva como as citadas. Em janeiro, o então editor da Cover Guitarra, Régis Tadeu, talvez para redimir o mico acima e o outro mico de publicar anúncios da Rádio Cidade (RJ) - em alguns deles apareciam garotas com visual tipo Spice Girls ou playboys fantasiados de surfistas - , em texto sobre a festa da 89 FM de dezembro de 1997, criticou o tratamento que a emissora dá ao rock. Na Guitar Player, a crítica vem de uma carta de um leitor, reprovando a pasteurização representada pela música dos Titãs e pela programação da 89 FM. Em duas semanas todos os exemplares desapareceram das bancas de todo o país. É provável que tenham sido recolhidas. Talvez seja uma censura da 89 FM, que aliás começava a lançar a tal "89 A Revista Rock", espécie de "diário oficial" da emissora.

15. O organizador deste site, Alexandre Figueiredo, mandou carta para a Dynamite concordando com um fã de punk que, numa edição de 1997, falou que Jello Biafra não gostaria da bajulação da 89 FM aos Dead Kennedys. Figueiredo comentou que a 89 FM adotava o mesmo estilo de locução da Jovem Pan 2 (então rádio dance e hoje dedicada ao pop eclético), e a resposta da redação da revista, na edição de junho de 1998, sem nome creditado, disse que o referido leitor, ao invés de criticar a 89 FM, devia aplaudi-la pelos 12 anos completados como "rádio rock", como se isso fosse sinal de uma emissora resistente e perseverante. Com esse perfil diluído até as vísceras, isso na verdade não representa resistência alguma. A Dynamite perdeu boa parte da freguesia com este comentário.

16. Um fórum do provedor Serv Net, intitulado Música 98, atualmente extinto, ganha um fórum especial contra a 89 FM. Intitulado "89 FM? Estou fora, gosto mais de rock", condenava a conduta da 89 FM e outros desmandos de rádios similares. O fórum permaneceu no ar até maio de 2000, mas até aí já havia muita gente revoltada com a emissora paulista. A extinção de todos os fóruns da Serv Net se deve por causa da venda do provedor a outra empresa do ramo, a PSI Net, que também faliu.

17. No programa "Turma da Cultura", TV Cultura, especial sobre o dia do rádio, em abril de 1998, uma espectadora do programa ligou e falou ao vivo. Ela disse que sua cantora favorita era Celine Dion, mas sobre sua rádio predileta, ela afirmou ser a 89 FM. Não é o primeiro caso de ouvintes da 89 afirmarem gostar de pop meloso. Na extinta revista de adolescentes Putz, uma leitora que também expressou predileção pela 89 FM, disse que sua cantora favorita era Toni Braxton.

18. O locutor Roberto Hais, que era da Transamérica, enquanto trabalhava na 89 FM, em 1998, uma vez comentou que trabalhava com rock, mas na verdade curtia som "putz-putz" (dance music). Meses depois Hais já estava na equipe da Band FM e, em seguida, de volta à Transamérica. Conta-se nos bastidores de que Hais foi transferido de emissora, num arranjo promovido pela cúpula da 89, para não comprometer a imagem de outros locutores, que também devem gostar tanto de "putz-putz" quanto Hais, que iria ser um dedo-duro em potencial a "entregar" toda a equipe da 89 FM.

19. Uma vez, em dezembro de 2000, quando nossa equipe editava o site "O Pior do Rio", por um pequeno problema de leitura do Geocities, o logotipo da 89 FM foi lido como se fosse a foto do Luciano Huck. Será que isso alude a uma futura "jovempanização" assumida da 89 FM? Bem, de rádio dance a 89 FM tem tudo, as gírias, a linguagem, os humorísticos, só falta o vitrolão.

20. Notável o namoro de Zé Luís, locutor da 89 FM, com a mídia convencional. Depois de fazer sucesso como garoto-propaganda da Tele-Sena (era ele que falava com um cofrinho em forma de porco animado por computador), e ter sido repórter do extinto "Tempo de Alegria", com Celso Portiolli, e tentado uma imagem mais "cult" cobrindo a ausência de Soninha (que foi cobrir as Olimpíadas para o ESPN Brasil) no programa RG da TV Cultura, Zé Luís foi apresentador do quadro "Supermarket", do programa "Note e anote" da Rede Record. Curiosamente, dois fatos envolvem a 89 FM e a Jovem Pan 2, rádios supostamente rivais mas praticamente gêmeas. Um é que Celso Portiolli chegou a fazer o"Pastor Abu" do programa "Pânico" (JP2), e a antiga locutora de off (locução sem mostrar imagem de quem fala) do "Supermarket", a bela Tina Roma, também trabalhou na Jovem Pan 2. Não bastasse isso, Zé Luís agora é repórter do "É Show", também Rede Record, apresentado por Adriane Galisteu (co-apresentadora do Torpedo da Jovem Pan 2 e que havia sido namorada de um dos sócios da Jovem Pan Rio). Só falta o próprio Zé Luís virar funcionário do Tutinha e ao que parece não faltará muito para isso.

21. O coordenador da 89 FM, Luís Augusto Alper, saiu da emissora no início de 2001. Aparentemente, foi por causa de outros projetos pessoais, mas depois ele foi chamado para converter o perfil adulto contemporâneo da Eldorado FM em mais uma "Jovem Pan 2" enrustida. No entanto, Alper, um dos idealizadores da deturpação roqueiro-comercial da 89 FM, em 1985, e que já passou até pela própria Jovem Pan 2, saiu por causa da crescente indignação dos fãs de rock, que estavam irritados com os rumos da emissora. As queixas contra a emissora, obviamente, chegaram às mãos do então coordenador, que acabou constrangido com a revolta dos roqueiros e "pendurou o boné". Mas no lugar dele entrou gente pior, o ex-coordenador da Rádio Cidade, Alexandre Hovoruski, que nos anos 90 se consagrou como co-produtor da série de coletâneas "As Sete Melhores da Jovem Pan", de dance music. No entanto, pouco depois, Hovoruski foi substituído por Ricardo Mendonça, ex-programador daquela fase "roqueira" terrível da Rede Transamérica (1995-1996) e que desde 1997 trabalhava na 89 FM.

22. Coincidência demais para ser casual. Enquanto Marcos Mion e Jairo Bouer, da MTV, são contratados pela Jovem Pan 2, João Gordo e Fernanda Lima, também da MTV, são contratados pela 89 FM. Depois o próprio Jairo Bouer foi trabalhar na 89 FM, através do programa "Sexo Oral".

23. Em 2003, Luís Augusto Alper passa a ser coordenador artístico da Jovem Pan 2. Uma troca de papéis, não relacionada à função, mas à empresa onde se trabalha, com Alexandre Hovoruski. Há oito anos atrás, este era da Jovem Pan 2 e aquele, da 89 FM. Hoje ocorre o inverso. Coincidência?

 

A verdadeira história da 89 FM

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