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CLIMA
Conjunto das diversas
condições meteorológicas de uma região, que, registradas ao longo de pelo
menos dez anos, lhe conferem determinado tipo de estado atmosférico. Na sua
definição se consideram temperatura, pressão, umidade, regime de ventos e
correntes marítimas. Também sofre influência do relevo, da vegetação, de
fenômenos naturais e do homem. O clima é dividido em cinco grandes grupos:
quente, temperado, frio, seco e montanhoso.
O
homem, porém, tem provocado alterações nos climas do mundo por meio do
desmatamento , da emissão de gases
contribuintes do efeito estufa, entre outras atividades. A principal mudança
observada é o ligeiro aquecimento da Terra. Em 1996, o Painel
Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), organismo da ONU, divulga
que a temperatura do ar aumentou entre 0,3ºC e 0,6ºC nos últimos cem anos.
Com o aquecimento, as temperaturas altas tendem a ser mais freqüentes e as
baixas menos constantes, levando a mudanças no regime normal de seca e chuva em
algumas regiões. O IPCC relaciona o aumento da temperatura do ar com a elevação
do nível do mar - de 10 cm a 25 cm neste século - decorrente do aquecimento
das águas e do derretimento das geleiras.
El
Niño
– As mudanças no clima mundial também são causadas por fenômenos naturais,
como o El Niño. Desde o início do século, quando começa a ser
estudado, o El Niño tem ocorrido a cada dois ou sete anos. O El Niño de 1982 a
1983, considerado o pior até 1997, ocasionou inundações e secas e um prejuízo
econômico de US$ 13 bilhões em todo o mundo. Nos anos 90, após o El Niño
prolongado de 1991 a 1995, os cientistas verificam seu retorno no começo de
1997. As imagens feitas pelo satélite norte-americano Topex-Poseidon revelam
que, entre março e abril, a massa de água quente no oceano Pacífico
equatorial quase triplica de tamanho, passando a ocupar cerca de 14.000.000 km².
E, em setembro, os satélites mostram que as águas superficiais do Pacífico
estão cerca de 5,5ºC acima da temperatura média normal (24ºC). No Brasil, o
fenômeno provoca um inverno mais ameno nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul
e Sudeste, como o ocorrido em 1997. No verão ocorrem fortes secas no Nordeste e
enchentes no Sul e no Sudeste.
CLIMA DO BRASIL
A maior parte do território brasileiro (92%) está
localizada na zona intertropical, com relevo dominado por baixas e médias
altitudes. Por isso predominam os climas quentes
e úmidos, com média de temperatura na faixa de 20ºC . A amplitude térmica -
diferença entre as médias anuais de temperaturas máximas e mínimas - é
baixa. Os tipos de clima presentes no Brasil são:
Equatorial
– Ocorre na região Amazônica, ao norte de Mato Grosso e a oeste do Maranhão
e está sob ação da massa de ar equatorial continental - de ar quente e
geralmente úmido. Suas principais características são temperaturas médias
elevadas (25ºC a 27ºC); chuvas abundantes, com índices próximos de 2.000
mm/ano, e bem distribuídas ao longo do ano; e reduzida amplitude térmica, não
ultrapassando 3ºC. No inverno, essa região pode sofrer influência da massa
polar atlântica, que atinge a Amazônia ocidental ocasionando um fenômeno
denominado "friagem", ou seja, súbito rebaixamento da temperatura em
uma região normalmente muito quente.
Tropical
– Abrange todo Brasil central, a porção oriental do Maranhão, grande parte
do Piauí e a porção ocidental da Bahia e de Minas Gerais. Também é
encontrado no extremo norte do país, em Roraima. Caracteriza-se por temperatura
elevada (de 18ºC a 28ºC), com amplitude térmica de 5ºC a 7ºC, e estações
bem definidas - uma chuvosa e outra seca. Apresenta alto índice pluviométrico,
em torno de 1.500 mm/ano. A estação de chuva é o verão, quando a massa
equatorial continental está sobre a região. No inverno, com o deslocamento
dessa massa diminui a umidade e então ocorre a estação seca.
Tropical
de altitude – É encontrado nas partes mais elevadas, entre 800 m e
1.000 m, do planalto Atlântico do Sudeste. Abrange trechos dos estados de São
Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e norte do Paraná. Sofre a
influência da massa de ar tropical atlântica, que provoca chuvas no período
do verão. Apresenta temperatura amena, entre 18ºC e 22ºC, e amplitude térmica
anual entre 7ºC e 9ºC. No inverno, as geadas acontecem com certa freqüência
em virtude da ação das frentes frias originadas da massa polar atlântica.
Tropical
atlântico ou tropical úmido – Estende-se pela faixa litorânea do
Rio Grande do Norte ao Paraná. Sofre a ação direta da massa tropical atlântica,
que, por ser quente e úmida, provoca chuvas intensas. O clima é quente - com
variação de temperatura entre 18ºC e 26ºC e amplitude térmica maior à
medida que se avança em direção ao sul -, úmido e chuvoso durante todo o
ano. No Nordeste, a maior concentração de chuva ocorre no inverno. No Sudeste,
no verão. O índice pluviométrico médio é de 2.000 mm/ano.
Subtropical
– Acontece nas latitudes abaixo do trópico de Capricórnio: abrange o
sul do estado de São Paulo, a maior parte do Paraná, Santa Catarina e Rio
Grande do Sul. É influenciado pela massa polar atlântica, que determina
temperatura média de 18ºC e amplitude térmica elevada (10ºC). As chuvas são
pouco intensas, 1.000 mm/ano, mas bem distribuídas durante o ano. Há geadas
com freqüência e eventuais nevadas. Apresenta estações do ano bem marcadas.
O verão é muito quente, podendo ultrapassar os 30ºC de temperatura. O inverno
é muito frio, com temperatura inferior a 0ºC. Primavera e outono têm
temperatura média entre 12ºC e 18ºC.
Semi-árido
– Típico do interior do
Nordeste, na região conhecida como o Polígono das Secas, que corresponde a
quase todo o sertão nordestino e
aos vales médio e inferior do rio São Francisco
. Sofre influência da massa tropical atlântica que, ao chegar à região,
já se apresenta com pouca umidade. Caracteriza-se por elevadas temperaturas (média
de 27ºC) e chuvas escassas (em torno de 750 mm/ano), irregulares e mal distribuídas
durante o ano. Há períodos em que a massa equatorial atlântica (superúmida)
chega no litoral norte da Região Nordeste e atinge o sertão, causando chuva
intensa nos meses de fevereiro, março e abril.
ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS NO BRASIL
Além de fatores como latitude, longitude, altitude e
proximidade do oceano, o clima sofre influência das atividades humanas. Nas
grandes cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro, à medida que aumentam o número
de indústrias e a quantidade de resíduos industriais jogados na atmosfera,
surge o chamado "clima urbano", caracterizado por "ilhas de
calor". Os resíduos industriais formam nuvens de poluição, que
permanecem próximas da superfície, retendo parte da radiação infravermelha
responsável pelo aumento da temperatura. As cidades também são mais sujeitas
a enchentes, já que o solo impermeabilizado não absorve com rapidez a água da
chuva.
Outra característica
do clima das grandes cidades são as inversões térmicas que resultam no
agravamento da poluição do ar. O fenômeno acontece no inverno, quando as
camadas atmosféricas próximas da superfície estão mais frias que as camadas
superiores, e, por isso, retêm os poluentes, agravando a poluição atmosférica.
Para tentar diminuir o agravamento da poluição, a cidade de São Paulo
institui o rodízio de automóveis.
Alterações
climáticas graves são provocadas pelo desmatamento. A derrubada e a queimada
de florestas deixam a superfície devastada sem condições de reter a energia
do sol e de formar fluxos ascendentes de ar. Com isso acentua-se a estabilidade
atmosférica, as nuvens não se formam e não chove, o que prejudica a
agricultura e ameaça as florestas.
Para evitar
que as mudanças climáticas causadas pela ação do homem prejudiquem toda a
Terra, o Brasil, junto com outros 154 países, assina a Convenção Climática
durante a ECO-92. O objetivo é controlar as atividades que possam aumentar o
efeito estufa, a chuva ácida e o buraco na camada de ozônio.
Há também
fenômenos naturais que alteram o clima. Um dos mais conhecidos é El Niño ,
que entra novamente em atividade a partir de maio de 1997. No Brasil, suas
conseqüências são aumento da temperatura no inverno, maior seca na Região
Nordeste e chuva mais forte nas regiões Sul e Sudeste.
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