Jorge
Amado é uma das figuras mais importantes de nossa
história e a sua obra marcou indelevelmente o
século que se foi. Ainda passarão gerações, antes
que se possa adquirir a perspectiva adequada para a
apreciação de Jorge na vida cultural brasileira,
mas, já em nosso tempo, não há como escapar do
reconhecimento de que ele é o fecundo e original
criador e catalisador de um universo que hoje
frequenta o imaginário de milhões de brasileiros- e
continuará a frequentar, como acontece com os
grandes mestres em toda a parte.
Não
há ninguém que se compare a ele no amor,
transmutado em fábula, fantasia e poesia, pelo nosso
povo, que sempre foi o seu personagem principal,
especialmente o povo da Bahia, onde, afinal, se
abriga parte tão significativa da identidade
nacional. Sempre se orgulhou em apresentar-se como
romancista, nunca aspirou a ser mais do que, em suas
proprias palavras, um contador de histórias. E um
contador de histórias ele o foi, a vida inteira, um
construtor de mundos, um tecelão de mitos, o
escritor que ensinou tantos a ler, amar e compreender
o nosso país. E poucos haverá como ele, brasileiro
universalmente conhecido e aclamado, que tenham
contribuído tanto para a nossa afirmação,
ameaçada de todas as formas, mas ainda brava e
persistente, graças a homens de sua estirpe.
João Ubaldo
Ribeiro (escritor)
