Três jovens (cinqüentões) na estrada novamente



"Apesar das minhas roupas rasgadas
Eu acredito que vá conseguir
Uma carona que me leve pelo menos à cidade mais próxima
Onde ninguém vai me olhar de frente
Quando eu tocar na minha guitarra as canções que eu conheço
Eu tinha apenas dezessete anos
No dia em que saí de casa
E não fazem mais de quatro semanas que eu estou na estrada
Mas encontrei tantas pessoas tristes desaprendendo como conversar
Que parece que eu estou carregando os pecados do mundo"


(Primeira canção da estrada - Zé Rodrix e Sá, 1972)


        Você sabia que a dupla Sá & Guarabyra na verdade começou como um trio? Em 1971, os cariocas Luiz Carlos Pereira de Sá, 56, e José Rodrigues Trindade (Zé Rodrix), 54, se uniram no Rio de Janeiro com o baiano Gutemberg Nery Guarabyra Filho, 54, para formar o trio Sá, Rodrix & Guarabyra. Após gravarem dois discos, "Passado, Presente e Futuro" (Odeon, 1972) e "Terra" (Odeon, 1973), em 1973 Zé Rodrix partiu para uma carreira solo e a dupla Sá & Guarabyra continuou junta. Agora os três voltaram. No ano passado, eles se reuniram para um show no Rock In Rio III, gostaram muito de tocar juntos de novo e resolveram lançar um disco ao vivo, o "Outra Vez na Estrada" (Som Livre, 2001), gravado no Teatro Mars em São Paulo. Esse foi o grande show que eles apresentaram no SESC de Bauru dia 17 de maio.

        Os três são precursores da mistura do rock com sons regionais do Brasil e suas músicas carregam a marca de sua época, a contracultura dos anos 60. Suas letras falam de liberdade, as coisas simples da vida, a alegria de tocar, misturado com um som que lembra o rock progressivo em conexão com baiões, xotes e outros estilos do interior do Brasil. Essa salada musical foi chamada de "rock rural" pela crítica, apelido tirado da famosa canção de Zé Rodrix, "Casa no Campo", imortalizada por Elis Regina - "Eu quero uma casa no campo, onde eu possa compor muitos rocks rurais...". O termo se firmou também pelo fato de Sá e Guarabyra usarem muito a viola com cordas dobradas, de 10 e de 12 cordas, bastante comuns nos modões caipiras. Enfim, pode-se dizer que a música deles representa uma espécie de utopia, trazer a harmonia do campo para a cidade, ideologia muito mais forte nos anos 60 e 70.

        Antes de formarem o trio eles já trabalhavam como músicos e compositores: Sá foi gravado, entre outros, por Pery Ribeiro e Nara Leão ("Escadas do Bonfim", "Menina de Hiroshima"); Rodrix, nos teclados, integrou em 1966 o conjunto Momento 4uatro, com o qual se apresentou no III Festival de Música Brasileira da TV Record em 1967, acompanhando Marília Medalha, Edu Lobo e o Quarteto Novo com "Ponteio", no início dos anos 70 foi integrante do grupo de rock progressivo Som Imaginário, e continuou atuando como compositor, criando "Casa no Campo" juntamente com o guitarrista Tavito, que ganhou o festival de Juiz de Fora em 1971; e Guarabyra participou do grupo Manifesto e ganhou um Festival da Canção da TV Globo com sua "Margarida".

        Após a saída de Rodrix, Sá e Guarabyra gravaram juntos doze discos e tiveram uma fileira de sucessos: "Cheiro mineiro de flor", "Sete Marias", "Caçador de mim", "Sobradinho", "Pássaro" etc. A mistura com o rock caiu um pouco nessa fase de duo, ficando mais próximos da MPB numa mescla com sons regionais. Talvez o maior momento de sucesso tenha sido quando gravaram "Roque Santeiro" para a novela homônima da Rede Globo em 1986, e ainda colocando de lambuja mais duas canções na trilha, "Dona" e "Verdades e mentiras", todas do disco "Harmonia" (RCA Victor, 1986).

        Outra música que rendeu muitas semanas nas paradas das rádios brasileiras foi "Espanhola", do disco "Pirão de peixe com pimenta" (Som Livre, 1977), uma parceria de Guarabyra com o músico mineiro Flávio Venturini. Aqui cabe um parênteses um pouco grande: Sá e Guarabyra realizaram trabalhos com outros músicos mineiros do chamado Clube da Esquina, movimento musical de Belo Horizonte dos anos 60 e 70 que misturou bossa nova, toadas, congadas, choro, jazz, folias de reis e rock progressivo, tendo como participantes Milton Nascimento, Lô Borges, Flávio Venturini, Beto Guedes, Ronaldo Bastos, Wagner Tiso, Fernando Brant, entre outros.

        Rodrix não teve uma carreira solo de muito sucesso, mas teve trabalhos importantes na música brasileira. Nos anos 70, lançou seis discos que variaram do rock psicodélico a incursões por sons latinos. Em 1976, compôs a trilha do filme "O esquadrão da morte". Participou do histórico grupo pré-punk Joelho de Porco nos discos "Saqueando a cidade" (Lira Paulistana/Continental, 1983) e "18 anos sem sucesso" (Eldorado, 1988). Além da música, foi jornalista, professor, cozinheiro e escritor - lançou em 1999 o romance "Diário de um Construtor do Templo" (Record). Também é dono do estúdio A Voz do Brasil, que produz jingles e músicas comerciais.

Mais uma vez a estrada

        O conceito dessa nova reunião é tentar passar a impressão que o espírito do começo da banda voltou. O CD novo e sua primeira faixa não tem o nome de "Outra vez na estrada" somente pelo motivo mais óbvio, o retorno do trio, mas também é uma menção ao histórico sucesso do grupo, "Primeira canção da estrada", de seu primeiro disco "Passado, Presente e Futuro". Essa nova canção é uma apresentação do trio, "estamos juntos novamente".

        O show em Bauru abriu com outro grande sucesso do primeiro disco, o hino "Mestre Jonas" com seus teclados psicodélicos e o vocal rascante de Zé Rodrix. Seria então a volta do rock rural? É cedo para dizer, as músicas novas "Aqui se faz, aqui se paga", "No tempo dos nossos sonhos (nova era)" e, principalmente, "Jesus numa moto", são boas, mas ainda não alcançam as memoráveis "Caçador de mim", "Sobradinho", "Pássaro" e "O pó da estrada" (outra vez a estrada!). É melhor esperar o próximo disco.

        Outra coisa que também não é a mesma é a voz dos três, não tem mais o vigor dos anos 70, o que era esperado. O ponto positivo foi a boa escolha da banda de apoio do trio, principalmente o naipe de metais. E independente dessas observações, a que se reconhecer o domínio de palco dos três, fruto de sua imensa bagagem. O grande público, formado não só por cinqüentões, mas por muita gente jovem também, cantou junto todos os sucessos. Só isso já valeria o espetáculo.

        Pouco antes do show, o Bazarcultura participou da entrevista coletiva com o trio que você confere abaixo:


Pergunta - Como tem sido esse retorno depois de quase trinta anos? Como é retornar e ver os jovens cantando as músicas de vocês?
Zé Rodrix
- Eu acho muito legal, estranho muito, porque desses trinta anos passei pelo menos vinte fora dos palcos. É muito interessante você saber que fez um trabalho que perdurou durante todo esse tempo, inclusive existem platéias que a gente pode ver pessoas que acompanhavam a gente desde o começo, e mais o filho e o neto dele. Acontece desses netos levarem discos já autografados por nós, quando o avô e o pai pediram para a gente, e aí você tem que dar o terceiro autógrafo. É um negócio muito bonito e que vem provar que determinadas coisas feitas com a maior honestidade e verdade possível têm essa permanência, e as pessoas conseguem entender exatamente isso.

Pergunta - Como você vê a música no Brasil hoje? Como é trabalhar com música hoje?
Guarabyra
- Nunca foi fácil. Hoje, ontem, e acho que amanhã não será também. Pessoalmente, acho porque existem muitos músicos bons no Brasil, então a concorrência sempre dificulta as coisas, mas a pessoa que tem talento consegue se sobressair. Reclamam muito dos esquemas da indústria fonográfica, direito autoral, mas são etapas do crescimento do mercado fonográfico nacional que a gente têm que ir enfrentando e derrubando, já foi muito pior, o direito autoral era distribuído muito mal, hoje já está razoável, mas não "razoavelmente bem", só razoável. Então é uma batalha, e acho que o Brasil num foco geral reflete essa luta também, as questões trabalhistas, direito da criança, a gente vê evoluindo, vê melhorando, e na música não é diferente.

Pergunta - Quais os planos para o futuro?
- Têm mais trinta anos, pelo menos. A gente pretende se aposentar daqui trinta anos com um grande show no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.
Guarabyra - Pode ser no Cemitério do Caju também (risos).
Rodrix - Faz uma sessão de mesa branca (mais risos).
- A curto prazo, nós vamos gravar outro disco, de estúdio dessa vez. A gente lançou recentemente um CD e DVD ao vivo, o "Outra Vez na Estrada", estamos fazendo a turnê hoje aqui em Bauru em razão desse disco, e vamos depois projetar um trabalho, talvez ainda para este ano, de um novo disco de estúdio não só com cinco músicas inéditas, mas apenas com uma ou duas regravações, no máximo. É mostrar justamente que o trio continua atuando, nós nunca paramos de compor, de fazer as coisas. As pessoas gostam muito e, claro, ficamos muito orgulhosos em saber que nossas músicas antigas estão nas mentes e corações do povo, mas a gente quer também que elas queriam saber das nossas músicas novas, as novas coisas que a gente têm para falar.

Pergunta - Sobre essas novas idéias, a situação nova do país, como isso tem transformado a carreira de vocês, as músicas novas de vocês?
Rodrix
- Nesse novo disco nós já tivemos essas experiências, nas nossas músicas inéditas que estão no "Outra Vez na Estrada" a gente sente a emoção ao mesmo tempo de espanto e alegria do público, porque nós sempre tivemos uma característica muito pessoal, nós sempre lidamos com histórias e personagens muito interessantes. Você não vai encontrar nas músicas do três algo que seja inócuo, simplesmente institucional e falando por cima de um assunto. É sempre uma visão diferente ou aprofunda de alguma história, de algum personagem inesperado.
- Ou uma opinião.
Rodrix - Nós sempre fomos pessoas muito panfletárias.

Bazarcultura - A respeito disso, é muito peculiar a música nova "Jesus Numa Moto". Você viu um motoqueiro "Hell Angel's" andando de capacete e quando ele parou...
Rodrix
- Isso, quando ele parou, tirou o capacete e era um gerente de banco, um senhor. Um senhor de quase seus setenta anos, aquela cara de gerente de banco, e estava numa moto. Aí falei para o meu filho, "olha aí, meu filho, esse aí meteu um Marlon Brando nas idéias e saiu por aí!", exatamente onde começa a música. Então essa característica panfletária, você pode ver nas músicas antigas e nas novas, pois nós sempre fomos gente com esse tipo de postura, panfletária, aberta, de opinião, nunca a música pela música, algo que a gente não perdeu nesses anos, e talvez aí esteja o motivo do interesse das pessoas ter permanecido.
       Uma música, por exemplo, como "Sobradinho", na época levantou uma lebre sobre algo que ninguém sabia que estava acontecendo. O governo brasileiro só foi assumir a existência da barragem de Sobradinho depois que a música saiu, antes estavam fazendo a barragem na encolha. Todas as questões que a gente levantou, tudo o que a gente falou, inclusive a maneira como se fala, pois nós temos maneiras muito pessoais de lidar com os assuntos, e quando juntam essas maneiras os assuntos ficam muito interessantes. Isso é um negócio legal e o nosso público pode contar com isso, essa fidelidade, a gente vai continuar falando dessa maneira.

Bazarcultura - Muita gente que eu conheço pensa que vocês são mineiros. De onde vem essa imagem ou jeito de mineiros?
- Isso é um negócio muito engraçado, em Minas pensam que nós somos mineiros (risos). Uma vez nós recebemos, quando tocávamos em dupla, uma proposta de um empresário entusiasmado, "eu quero juntar todos vocês mineiros debaixo de um só show, vocês, Beto Guedes, Lô Borges etc." (mais risos). A gente fica muito orgulhoso de ser mineiros honorários, mas não somos na realidade. Eu particularmente sou filho de mineira, sou casado com mineira, tenho filhos em Belo Horizonte, mas não sou mineiro. As pessoas que eu encontro em Belo Horizonte, onde vivo boa parte do meu tempo, sempre me perguntam, "e aí? de volta pra terra?". Eu acho muito bom isso, nós sermos vistos como mineiros. O Guarabyra é de Bom Jesus da Lapa, nasceu em Barra do Rio Grande e foi criado em Bom Jesus da Lapa na beira do Rio São Francisco, que tem uma cultura aparte, o Rio São Francisco tanto em Minas como na Bahia, e acredito que até ali por cima de Sergipe seja uma cultura aparte. Então é uma cultura praticamente mineira.
Guarabyra - Sem querer, acho que acabo sendo mais mineiro, porque no tempo que vivia em Bom Jesus da Lapa, a capital daquele meu pedaço era Belo Horizonte porque era muito difícil ir até Salvador para estudar, era muito longe, as estradas eram de terra e no tempo da chuva não passava mesmo. Então o caminho era pegar um vapor no Rio São Francisco, saltar em Pirapora, já em Minas, e pegar um trem para Belo Horizonte, onde todo mundo morava em república, todo mundo da minha terra, então a gente têm uma ligação muito grande com os mineiros mesmo.
- Como a nossa música também foi muito calcada nessa raiz do São Francisco, um local que a gente viajava sempre e de onde o Guarabyra é originário, eu acredito que no final das contas, apesar do Guarabyra ser baiano, quando a música brasileira se dividiu em dois grandes segmentos na década de 70, os mineiros e os baianos, os "Miltons" e os "Caetanos", eu acho que nós, que éramos de uma geração um pouco posterior, quando aparecemos com a nossa música, que foi chamada de rock rural, nós fomos alinhados aos mineiros.
Rodrix - A gente que observar o seguinte, o mineiro está para o Brasil como o judeu está para o mundo. Tem mineiro em todo lugar (risos).

Pergunta - E é legal o som de vocês ser denominado de rock rural?
Rodrix
- Na falta de um nome melhor...
- Isso, é um rótulo.

Pergunta - E hoje no Brasil não mais espaço para o rock rural? Não tem nenhum nome novo fazendo esse som?
Rodrix
- Eu acho que um monte de gente se aproveitou dessa porta que a gente abriu com o rock rural, que foi uma junção da música urbana com outra que na época era considerada brega, como os xotes, os baiões, os cocos, a própria música mineira. Na esteira que a gente abriu, um monte de gente veio e conseguir impor no Brasil o valor e reconhecimento para esses tipos música. A mistura que a gente fez foi muito útil nesse sentido e eu acho que um monte de gente continua nessa onda.
Guarabyra - Antes de "Sobradinho" fazia uns vinte anos que não entrava um xote nas paradas.
- Eu acho também que nós trouxemos tudo o que era chamado de caipira, regional, para a classe média urbana, aí como era a primeira coisa que a classe média urbana via e ouvia disso, ela chamou de rock rural. Por quê? Porque eram três cabeludos, na época éramos os três cabeludos, jovens, de idéias hippies, num tipo de banda moderna, eletrificada, aquela coisa toda, e cantando uma música que era mais ou menos, sabe, aquela impureza que tu põe na ostra para crescer a pérola.

Pergunta - Vocês fizeram uma música em homenagem a Tom Jobim, a bossa "Coisa boa", do disco "Rio-Bahia" (RGE, 1997). Gostaria que vocês comentassem essa belíssima canção.
Guarabyra
- Eu acho o disco "Rio-Bahia" um dos melhores que a gente fez, embora a gente o tenha feito na RGE no momento em que ela estava acabando, se desfazendo, e o disco não pôde ser muito divulgado, mas ele é um estudo de ritmos brasileiros que não tem igual na música popular brasileira contemporânea. No "Rio-Bahia", lembrando que tem Minas no meio (risos), a gente resolveu fazer um estudo técnico mesmo de todos ritmos brasileiros que a gente conhecia, que a gente gostava, e eles têm realmente dois territórios fundamentais que é a Bahia e o Rio de Janeiro, e a bossa-nova naturalmente tinha que entrar. A homenagem ao Tom Jobim é usando uma harmonia que sem ele não existiria no Brasil.
- Eu estive agora em Firenzi, na Itália, e fui a um bar que havia visitado em 99 e no qual deixei o "Rio-Bahia", e para a minha surpresa quando cheguei de novo nesse bar bati na porta, porque é um bar meio fechado, um bar de jovens universitários e coisa e tal, em que os caras olham primeiro para ver quem é você.
Rodrix - Para ver se não é da "Polizia" (risos).
- E esse bar tinha sido indicado por um amigo meu cantor lá de Firenzi, disse que os meninos vão lá tocar e mostras as músicas deles. O dono do bar, o Léo, dessa última vez não foi quem abriu a porta, foi o filho dele, então tive que falar, "eu sou um brasileiro etc. e tal, fui indicado pelo Andrea para vir para cá", porque ele não iria lembrar de mim em 99. Quando o Léo foi me receber, ele olhou para mim e disse, "mas eu tou te conhecendo...", eu disse que já tive lá e ele olhou para mim e falou "Rio-Bahia, Sá & Guarabyra, eu ouço todo dia" (risos). Eu fiquei perplexo.
Guarabyra - É um disco tipo de exportação, digamos assim.
- Eu disse, "mas é mesmo? você não tá de cascata comigo?", ele não podia se lembrar de mim depois de três anos e vir com essa cascata. Aí ele disse que ouvia sim o disco todos os dias, que achava maravilhoso. Eu deixei agora o disco do trio com ele, vamos ver, espero voltar a Firenzi e ser lembrado.
Rodrix - Aí ele vai falar, "vocês são aqueles três, não é?" (risos).

Bazarcultura - Como é essa química entre vocês? O Rodrix tem trabalhos com uma pegada mais rock e vocês uma ligação maior com MPB e o folk. Como é essa união?
Rodrix
- Isso na realidade é uma coisa que acabou ficando, mas eu acho que as nossas formações, tanto musicais quanto culturais, são muito parecidas. A nossa vida urbana no Rio, que nós três tivemos, foi na mesma época, vivenciando as mesmas coisas, ouvindo as mesmas coisas.
- E de maneira muito intensa.
Rodrix - E ao mesmo tempo, nós tínhamos toda essa influência do interior brasileiro. O Guarabyra por ter influência lá da Bahia. Eu influenciado por meu pai que também era do interior da Bahia, uma cidade chamada Rio de Contas, cidade em que você entra e pensa que está em Minas, parece uma Ouro Preto, uma Mariana, e a influência do estado do Rio da minha mãe. E o Sá também tem a influência da mãe mineira e de todo a parte do Rio de Janeiro, que também tem uma cultura musical e rural muito interessantes. Eu acho que nossas experiências musicais são todas muito parecidas, é que nós tivemos maneiras diferentes e pessoais de olhar cada uma dessas coisas. A grande química que eu acho que o trio tem é porque com três vozes e com três cabeças pensando, a gente consegue fazer coisas muito mais interessantes.

Pergunta - Nessa volta do trio o que tem de novo nesse trabalho atual?
- No disco tem quatro músicas inéditas e mais uma de bônus-track. "O Criador e criatura" foi uma música que a gente fez originalmente para a novela "O Clone" e que acabou entrando porque a gente achou que ficou muito boa, "Jesus numa moto" que é a música que está tocando em rádio, tem "No tempo dos nossos sonhos", que é um comentário sobre um acontecimento engraçado com um amigo nosso, mas um dos personagens daqueles que a gente tira da cartola, "Outra vez na estrada" é uma apresentação mesmo do que a gente veio fazer, uma abertura quase teatral, "Aqui se faz, aqui se paga" é um comentário sobre a arrogância, o orgulho e a sua queda no buraco.
Rodrix - As músicas antigas têm novos arranjos, a nova banda que está acompanhando a gente, a nova estrutura instrumental que estamos usando, eu acho que tem inclusive mais pegada, tá mais rock, apesar dos metais. É um banda com um "punch" muito grande, e ao mesmo tempo muito melódica, uma banda de climas muito interessantes.
Guarabyra - É mais ou menos o Ronaldinho Gaúcho antes e depois de ter ido para a Europa (risos).


(Matéria realizada para o site Bazarcultura)


Sobe

 

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COPYLEFT © 2003 Reinaldo Chaves da Silva
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