JULHO 2.001 - Homossexualidade e Mídia
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       Já há muito tempo pretendíamos publicar nesta página alguns comentários sobre como a mídia tem tratado a questão da homossexualidade tão presente em programas humorísticos, seriados nacionais, notícias culturais e outras fontes. A cada dia, ficamos mais surpresos com tantas aparições e comentários que tal discussão não poderia ser deixada de lado. Futuramente, publicaremos aqui nosso comentário.

       Entretanto, para começarmos essa discussão publicamos um texto redigido por uma nova colaboradora. Nosso primeiro contato foi devido à sua solicitação para que enviássemos informações sobre preconceito e discriminação homossexual. Agradecemos de antemão a sua compreensão e principalmente seu empenho. Todos nós fazemos parte atuante da história e da construção de novos conceitos.

Homossexualidade e Mídia

       Bom, vou lhes passar agora um "esqueleto" do que pude perceber ao pesquisar o tema homossexualidade e a mídia, bem como um relato sobre o trabalho na Faculdade e a forma como ele foi encarado e analisado por todos. De antemão, posso lhes dizer que o trabalho foi muito bem aceito por colegas e professores, e que passamos a analisar o Grupo como uma organização de cidadãos conscientes, que luta contra o preconceito, e mais do que isso, que está engajada em campanhas sociais que não envolvem unicamente o homossexualismo, além de praticar atividades com relação à prevenção de DST's e AIDS junto a outras organizações, não é? Tive certeza de que, dessa forma, nosso grupo passou a considerar os homossexuais como parte integrante e, mais importante que isso, ATUANTE em nossa sociedade. Notamos que o preconceito não é mais tão forte, embora ainda existente. É necessário lutar mais, para que a sociedade aprenda a enxergar a relação entre homossexuais uma coisa tão natural quanto relacionamentos heterossexuais.

       Temos ainda, estereótipos de gays escandalosos, espalhafatosos, que nem sempre correspondem à realidade. Entretanto, acho que isso se deve, em parte, a alguns representantes homossexuais que talvez, inconscientemente, ostentem essa postura: por exemplo, algumas personalidades femininas, que são hoje presença constante na mídia, que adotam uma postura máscula, e talvez até agressiva, o que ajuda incrustar ainda mais esses estereótipos na sociedade. Outro aspecto que podemos analisar, é talvez o preconceito dos próprios homossexuais em relação aos heterossexuais, provavelmente em reflexo ao preconceito que sofrem, mas que também só ajuda a aumentar o abismo na luta por uma maior integração entre todos os indivíduos, independentemente de sua opção sexual.

       Quanto a mídia, concordo que, ao mesmo tempo que o homossexualismo não é mais um tabu, e é tratado até com certa naturalidade, temos aspectos estereotipados, como a questão da AIDS entre homossexuais, já que no começo da década de 80, quando surgiram os primeiros casos da doença, eles eram considerados um grupo de risco. Hoje sabemos, felizmente, que não há grupos de risco e que todos estão expostos ao mesmo perigo. Outra coisa, quanto aos estereótipos, acho que as pessoas precisam se conscientizar de que não podem classificar alguém como homossexual ou julgar que alguém seja gay por sua simples aparência física e seu comportamento. A questão de opção sexual vai muito além disso. Entretanto, da mesma forma que heterossexuais devem parar de querer classificar as pessoas, ou julgá-las, os homossexuais devem ser mais cautelosos e evitar possíveis atitudes que pudessem reforçar os estereótipos criados.

Emília Furtado



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