
Beiramos o fim do milênio!!! Terceiro-mundistas, subdesenvolvidos, observamos o extermínio diário de milhares de pessoas que são deliberadamente excluídas da sociedade e postas à míngua. Vemos a escalada da violência governamental fazendo como vítimas noss@s amig@s e irmãos. As forças policiais cada vez mais com suas armas e equipamentos modernos, prontos para reprimir qualquer tentativa de conscientização popular. Famílias são expulsas de suas casas pelos manipuladores imobiliários, prisões ilegais são feitas, jovens negros são rotineiramente assassinados perante uma justiça criminisa que modofica os graus de sua eficácia dependendo do extrato social a que ela se aplica. Observamos a degradação continuada do meio-ambiente em nome de um dito progresso, o progresso do câncer.
Com os meios de comunicação manipulando as mentalidades, fazemos parte duma geração vazia que se maravilha com o brilho colorido dos anúncios das multinacionais e não percebe os corpos desnutridos das crianças assassinadas pela fome. Estamos à beira dum precipício!!! E o povo continua caminhando em sua direção como um comportado rebanho conduzido pelos seus líderes e pastores que se apresentam com as mais belas máscaras e os mais angelicais discursos.
Como então colocar/encaixar no cotidiano caótico em que vivemos, uma proposta de mudança, de transformação libertária, lógica e prática?
Nós propomos a educação integral! Educação que se baseia no conhecimento profundo tanto das raízes antepassadas da formação dessa prática libertária, quanto das pilastras onde se fundamenta o Estado opressor. Pretendemos resgatar, na história, todos os focos de revolta e reajuntá-los com os conhecimentos retirados da nossa vivência cotidiana, não de uma forma acadêmica, eurocêntrica, mas seguindo as pulsações do nosso sangue que traz consigo a herança dos mocambos, das comunas, das aldeias Sioux. Um sangue que traz a memória genética do anarquismo, capoeira, medicina natural, dança, dada, bantustão, sobibor, computadores, parto acocorado, telepatia, cabala, ayhuasca, canguru, arroz integral, alquimia, poesia, cesta de três, jazz, moicano, cadeira elétrica, kingstom, groove, alagados, tetrahidrocanabinol, futebol, Chiapas, punk, 1984, atabaque, Canudos...
Tendo como base essa gama de fatores que se agrupam nas raízes do nosso ser, propomos um novo corpo, um novo sexo, uma nova alimentação, uma nova arte, uma nova política que tenham como limite apenas o respeito à liberdade e o respeito ao indivíduo.
Ao iniciar a publicação de um periódico libertário estamos lançando ao solo as sementes da insatisfação e da mudança. Sementes que germinarão outras sementes para impregnar de liberdade esse deserto de ódio, disseminando informação a um número cada vez maior de pessoas, através de uma imprensa crítica e sincera. Fazemos uma minúscula, mas importantíssima parte na luta contra o senhor de engenho.
"The belly full, but we hungry, a hungry mob is a ungry mob..." (Bob Marley).
"O homem aspira a libertar-se de todas as formas de autoridade e de poder e não são discursos que o impedirá de romper para sempre as correntes. Os esforços do homem devem prosseguir... e eles prosseguirão". (Emma Goldman)
Porquê você é um ser pensante e inteligente, lhe propomos a alimentação libertária (para queijo de soja: 1kg de grão de soja, deixe a soja de molho da noite pro dia). Diariamente, milhões de toneladas de alimentos são dados ao gado como ração. Esses alimentos, se destinados aos seres humanos, simplesmente solucionariam o "problema" da fome no mundo. O que os governantes não ousam revelar é que para produzir uma tonelada de carne o gado ingere mais de quatro toneladas de grãos. E que o espaço necessário para a criação de um boi, se destinado à produção agrícola, produziria quatro vezes mais alimentos do que o boi pode dar em carne (no outro dia, retire com cuidado o máximo possível de cascas da soja). Mas o que esperar de loucos, que diariamente desperdiçam milhões na indústria armamentista? A alimentação carnívora é baseada no desperdício. Os governantes não ousam revelar que as florestas tropicais, incluindo a amazônica, estão sendo destruídas, incendiadas PROPOSITADAMENTE para que o gado tenha espaço para pastar. Onde você imagina que multinacionais como o McLixo, a Parmalat, a Bob's, a Nestlé e empresas similares criam o gado necessário para a produção de hamburgueres, queijos, iogurtes, chocolates e todo o detrito restante que elas vendem às pessoas? Não precisa ser muito esperto para acertar, enquanto multidões morrem de fome, os governantes se divertem desperdiçando (após tirar as cascas, bata a soja no liquidificador. Para cada quantidade de soja, coloque duas de água. Coe o líquido com um pano, reserve o bagaço e ponha o leite em uma panela para ferver). Outro ponto a se falar é a forma que são tratados os animais destinados ao abate. As vacas às vezes são colocadas por anos em lugares onde não podem ao menos se por de pé, para que sua carne fique mais macia, os bezerros quando nascem são imediatamente separados da mãe e existem mesmo restaurantes que anunciam orgulhosamente pratos preparados com a carne de animais recém nascidos. Os animais quando sentem que vão ser assassinadosl iberam na carne uma espécie de ácido que se ingerido pelo ser humano é extremamente cancerígeno. A indústria da carne é a indústria do câncer! As galinhas passam todo o tempo da vida confinadas em espaços minúsculos, têm seu bicos serrados para que não se furem na violência constante gerada pelo confinamento. Além disso, são mantidas em ambientes eternamente iluminados para que não durmam e assim ponham mais ovos (quando o leite ferver, desligue o fogo e junte um copo de sumo de limão para coalhar. Aguarde uma hora). Os porcos são mantidos numa imundice tipicamente humana, seus focinhos são furados para que não fuce a lama. Quando vão ser assassinados muitas vezes são mergulhados ainda vivos em caldeirões de água fervente. Qual a justificativa para tanta crueldade? Para falar em termos de saúda, a alimentação vegetariana é infinitamente superior à alimentação carnívora, pois além de não ser baseada no consumo de cadáveres, possui todos os nutrientes necessários para o bom funcionamento do corpo humano, livre de doenças, saudável. Mas e aí, quem vai sustentar a indústria farmacêutica? Quem vai sustentar os latifundiários parasitas que não produzem nada? Daí pode-se perceber o quanto o boicote à indústria da carne é uma prática revolucionária e transformadora, pois os próprios grandes produtores de alimentos agrícolas trabalham apenas com a monocultura, isto é, produzem em larguíssima escala apenas um tipo de alimento que é destinado à exportação. O consumo de alimentação vegetariana, não visto como pregação religiosa, mas como uma proposta lógica e subversiva, beneficia apenas o pequeno produtor, aquele que tem seu terreninho do qual retira a sua sobrevivência. Aliás nada lhe impede de buscar produzir seus próprios alimentos. Quanto mais estivermos independentes do sistema, mais provaremos sua inutilidade. Primeiro boicotando a indústria da carne, que é um dos alicerces da sociedade capitalista. Segundo, mantendo nossos corpos saudáveis para a luta diária, descartando a indústria da doença com seus malditos remédios e hospitais que custam ao povo pobre milhares de reais por mês. Terceiro, e talvez mais importante, respeitando a vida de todos os seres vivos que, ao contrário do que muitos pensam, não está à nossa disposição. Pra terminar: passe o leite já coalhado em um pano, esprema bem, a parte sólida é o queijo da soja, também conhecido como tofu, alimento riquíssimo em proteína. Tempere à gosto e sirva em saladas, macarronadas, sanduíches ou mesmo puro só com o tempero. O bagaço que restou, é ótimo para a feitura de pães, bolos e etc. Bom apetite revolucionário, saúde e anarquia.
Durante o transcorrer histórico da humanidade, notamos que a dominação cultural dos idiomas, sempre esteve ligado à exploração sócio econômica. As civilizações de maior potencial (bélico ou econômico)sempre impuseram seus idiomas e leis aos povos subjugados. Podemos citar como exemplo o latim, que mesmo depois da queda do império romano, foi difundido em dialetos, continuamente funcionando como língua internacional de aculturação, durante toda a idade média e parte da moderna.
Atualmente vemos o mundo anglo-americanizado pelo domínio aculturatório do inglês. A partir da explosão tecno-científica, esse idioma foi imposto pelo mundo capitalista aos povos sob domínio das superpotências (principalmente EUA). Língua de pronúncias irregulares, teve sua expansão iniciada justamente com o crescimento do império inglês até a atualidade da globalização neo-liberal. O controle imposto aos povos de terceiro-mundo, assume um caráter não apenas de dominação econômica, mas transfigurou-se também na sútil manipulação cultural que mantém em vigor o crescente estado de alienação dos seres humanos.
Mas será que devemos nos restringir a comer hamburguers, esquecer nossas raízes, sentar no colo do Tio Sam, enquadar-nos no estilo americano e simplesmente acomodar-nos na condição de sub-povo? Será que devemos nos limitar a usar um idioma europeu dentro de um território demarcado por linhas imaginárias?
Em meio a essa aculturação generalizada, como poderíamos resolver o problema da comunicação mundial e ao mesmo tempo as relações idioma-nação que super-estimam e impõem as línguas dos países mais poderosos sobr os demais?
COMUNICAÇÃO MUNDIAL - A partir do século XVII a solução para tal problema começou a ser seriamente pesquisada e poliglotas de todo o mundo criaram diversas línguas com esse fim. Podemos citar como exemplo de idioma internacional o Volapuque, criado pelo alemão Scheleyer, que apesar de apresentar neutralidade nacional, tinha irregularidades gramaticais e complexidades aos seu aprendizado, por isso esquecido no tempo.
Os línguistas estimam que já houveram mais de mil línguas projetadas com o intuito de internacionalização idiomática dos povos. Porém, poucas continuaram insolúveis aos dialetos, expressões idiomáticas e aos sotaques.
Atualmente temos como proposta real de comunicação entre os povos o Esperanto, "La bela linguo", que sobrevive há 140 anos permanecendo viva e original desde a sua criação. Língua internacional que visa unificar os povos sem qualquer limite fronteiriço ou elitização social, o esperando foi proposto ao mundo pela primeira vez em uma cartilha escrita em russo pelo políglota polonês Lázaro Luiz Zamenhof, em 26 de julho de 1887.
Zamenhof, buscou com a criação do esperanto solucionar o problema da comunicação existente no mundo e ao mesmo tempo difundir um idioma que abolisse o domínio cultural das metrópoles sobre os povos colonizados.
Zamenhof era filho de judeus e nasceu em Bialistoque, na Polônia, e cresceu atormantado entre os conflitos étnicos-religiosos entre polacos, lituanos, judeus e alemães. Com 20 anos elaborou a "língua universala" que viria a ser considerada a antecessora do esperando.
A partir do início do nosso século aconteceram os primeiros encontros internacionais de esperantistas e a língua ia sendo amplamente divulgada pelos quatro cantos do mundo. Pelo seu conteúdo amplamente libertário, o esperanto foi duramente perseguido durante os períodos de maior fechamento totalitário, tanto pelo nazi-fascismo de Hitler e Mussolini quanto pela ditadura comunista de Stálin. Hoje, observamos um novo surgimento do esperanto em todas as partes do mundo como proposta de unir os seres humanos para além das fronteiras inexistentes impostas pelos supostos governos nacionais. Vamos então juntando nosso tijolinho na busca da superação das divisões divulgando lições de esperanto a cada número, mais uma vez, rompendo as grades do poder do estado.
Um homem subiu em uma carroça, considerando como um altar e dizia-se Dionísio. A massa que por ali se agrupava riu às gargalhadas, afinal, Dionísio era o Deus festejado naquele lugar e não se comunicava com mortais. O homem insistiu, a massa acreditou, não como um Deus, mas num ser astuto, que talvez tivesse muito a dizer ou mostrar. Desde aí o teatro surgiu na rua, no povo, em carroças, nas praças... e a classe dominante viu que era bom e foi encaixotando, encaixotando, encaixotando e hoje o teatro é uma merda da caixa. O que antes era feito para cinco mil pessoas vibrantes de uma arquibandaca, hoje, de dentro de uma caixa, restrita, limitada, rotulada... ou você tem dinheiro ou não vai ao teatro, ou você é ator ou não vai ao teatro, ou você é crítico ou não vai ao teatro, ou você é qualquer coisa ligada ao teatro ou não vai ao teatro e que teatro, um monte de merda fétida que te jogam na cara para abrir o sorriso fácil e ainda assim sair formulando crítica, quando não, é alguma coisa cheia de imagens e luzes e efeitos, e... que chamam de vanguarda.
Você imagina o que os atores tinham que ter de voz para alcançar cinco mil pessoas vibrantes? Você imagina o que os atores tinham que ter de corpo em movimento para fazer entender? Você imagina com que clareza os atores se faziam presentes diante de cinco mil pessoas vibrantes? Hoje, atores, pobres mortais, mal alcançam seu objetivo dentro de uma caixa e, aliás, quais são mesmo seus objetivos? Fazer teatro para o público pagante? Ou para coisas que buscam o passeio divertido? Ou ainda, ser um astro reconhecido?
Diante de tudo, eu digo: o povo, o qual assistia vibrantemente tragédias e comédias gregas... o povo, o qual foi tirado do teatro como diversão e conscientização do povo, o qual é negado de fazer parte da vida sócio-econômica-cultural... permanece, e precisa de que esteja de seu lado.
E digo ainda que viva o teatro de rua. O teatro que vai às ruas, aos subúrbios, aos recitais de praça e salve os que ainda mantém essa idéia viva!!!