O INVESTIDOR E AS FLUTUAÇÕES DO MERCADO
Tradução e adaptação: SER-
-CAPÍTULO 8
O investidor que colocar seus recursos em títulos de boa
qualidade de curto prazo, digamos com prazo de vencimento inferiores a sete anos não precisará, normalmente, se preocupar com as
oscilações do Mercado. Já as ações e os títulos de longo prazo sofrerão
certamente flutuações com o passar dos anos.
O investidor deve estar
consciente destas possibilidades preparando-se, da melhor maneira possível,
tanto financeira como psicologicamente, para elas. Todo investidor deve desejar
lucrar com as variações de nível do Mercado, tanto pela valorização de seus
papéis com o passar do tempo, como pela compra e venda a preços vantajosos.
Dessa forma, preocupar-se com o que acontece no mercado é inevitável e
legítimo. Acontece que estas preocupações poderão induzi-lo a tomar atitudes e
se envolver em atividades especulativas que poderão colocá-lo em grande apuro.
É muito fácil virmos até aqui e dizer para vocês não especularem; o difícil,
realmente, é convencer vocês a seguirem os nossos conselhos. Vamos repetir aqui
o que já dissemos anteriormente: se você quiser especular, faça isso com olhos
bem abertos tendo a certeza de que, no final, você acabará perdendo dinheiro.
Assegure-se ainda que a quantidade de recursos que você emprega em operações de
risco seja bastante limitada e mantenha-os completamente separados do seu
programa regular de investimentos.
Vamos discutir primeiro o
assunto mais importante, a oscilação do preço das ações. No Capítulo 3,
apresentamos o desempenho do mercado acionário durante os últimos 100 anos.
Nesta seção, retornaremos a este estudo de tempos em tempos, de maneira a
descobrir o que a história tem a nos contar, tanto em termos de apreciação de
longo-prazo de uma carteira fixa durante todos os períodos de altas e baixas do
Mercado, como das possibilidades de se comprar próximo do fundo e se vender
perto do topo.
As ações, como qualquer outra forma
de investimento, estão sujeitas a um grande espectro de oscilações de tempos em
tempos. O investidor inteligente deve estar sempre atento às possibilidades de
se lucrar com eles. Existem duas possibilidades para se tentar isto: uma
através do “timing” e a outra através
do “pricing”
– nós entendemos por “timing” a capacidade de antecipar a tendência de preços
do mercado, comprando (ou pelo menos deixando de vender) quando o mercado
estiver com uma tendência de alta, e vendendo (ou pelo menos deixando de
comprar) quando o mercado estiver com tendência de baixa. Nós entendemos por “pricing” a capacidade de comprar um papel quando ele
estiver abaixo de seu “preço justo” e vender quando ele estiver acima. Outra
forma menos ambiciosa de se aplicar o “pricing” seria
um esforço para assegurar-se que, pelo menos, quando estivermos comprando não
estejamos pagando muito caro pelos papéis. Isso pode ser o suficiente para o
investidor defensivo, cujos objetivos tem ênfase no longo prazo e demanda
apenas um mínimo de atenção aos níveis do mercado (exceto nos casos de “dollar costing average”).
Estamos convencidos que o
investidor inteligente pode obter vantagens empregando quaisquer uma das formas
de “pricing”. E, estamos igualmente convencidos que,
se ele colocar sua ênfase no “timing” para tentar prever o que acontecerá com o
mercado de ações no futuro, inevitavelmente, terminará como especulador e; com
resultados de especulador. Esta distinção pode parecer bastante tênue para o
leigo, e não é normalmente reconhecida por Wall Street. Por uma questão prática, ou talvez por interesse,
as corretoras e os serviços de consultoria de investimento parecem convictos
que ambos, investidores e especuladores, devem dedicar uma grande atenção a previsão dos mercados.
Acreditamos que, quanto mais
longe um investidor estiver de Wall Street, mais cético ele ficará das possibilidades de se
prever corretamente o futuro do mercado.
Não se pode levar muito a sério as inúmeras previsões feitas, quase que
diariamente, e que ficam disponíveis publicamente. Muitas vezes damos muita
atenção e até mesmo tomamos decisões depois de tomarmos conhecimento destas
previsões. Por quê? Porquê os investidores são convencidos que devem possuir
alguma opinião formada sobre o futuro do mercado acionário e porquê acham que
opiniões de corretoras e instituições do mercado são mais confiáveis que as
suas.
Não temos aqui espaço suficiente
para discutir as vantagens e desvantagens de se tentar efetuar previsões do
futuro do mercado. Sabemos que uma grande quantidade de massa encefálica é
gasta neste assunto e, sem dúvida, algumas pessoas devem ganhar dinheiro sendo
bons analistas de mercado. O que é absurdo é pensar que o público em geral
possa fazer algum dinheiro tentando seguir a previsão desses analistas. Quem
irá comprar quando o público, devido a um determinado sinal, estará vendendo
para realizar o lucro? Se você, prezado leitor, está esperando ficar rico
acompanhando as dicas de um “expert” do mercado ou
seguindo algum tipo de esquema, você estará tentando fazer exatamente o mesmo,
que tantos outros estão tentando ao mesmo tempo e, mesmo assim, acreditando que
possa se sair melhor do que eles. Não existe nenhum relato anterior ou base que
prove que algum investidor comum possa antecipar os movimentos do mercado
melhor que o mercado como um todo, do qual, sem sombra de dúvida, ele faz parte.
Existe ainda um outro aspecto
filosófico do "timing" que parece ter passado despercebido. O
“timing” de uma operação é de grande importância psicológica para um
especulador porquê ele deseja conseguir seu lucro no mercado de forma rápida. A
idéia de esperar um ano para que seu papel comece a subir é inconcebível para
ele. Mas um tempo de espera como esse não trás qualquer conseqüência maior para
o investidor. Qual a vantagem auferida pelo investidor em manter seu dinheiro desaplicado até que receba algum sinal (presumidamente)
verdadeiro de que é hora de agir e começar a comprar? Ele só irá beneficiar-se
desta vantagem se, com a espera, conseguir comprar o papel a um preço tão mais
barato que compense a perda dos dividendos que receberia durante o mesmo
período. Isto significa dizer que o “timing” não tem qualquer validade para o
investidor a não ser que coincida com o “pricing”.
Nesse aspecto, a compra e venda
empregando o “timing”, segundo a Teoria de Dow,
contam uma história bem interessante. Em uma visão superficial, os usuários
dessa técnica visualizam o sinal de compra quando há uma “inversão” dos preços
médios dos papéis para cima, e o sinal de venda se dá quando há uma “inversão”
similar para baixo. Os resultados teóricos efetuados por alguém empregando esse
método, mostram uma série de lucros contínuos de 1897 até o início da década de
60. Tomando como base este argumento, a validade da teoria de Dow parece estar muita bem sustentada; a dúvida será que
existe alguma, é se os dados apresentados foram efetuados por alguém ou
simplesmente mostram os resultados do que poderiam ter sido obtidos caso alguém
seguisse a Teoria.
Um estudo mais acurado destes
números mostra que a qualidade dos resultados demonstrados pela Teoria Dow mudou radicalmente depois de 1938 – alguns anos após
ter começado a ser levado a sério em Wall Street. O resultado mais valioso foi dar um sinal de venda,
ao nível de 306 do Dow Jones, cerca de um mês antes
do “crash” de 1929, mantendo seus seguidores fora do
mercado durante o longo período de baixa, até que as coisas voltassem a se
acertar novamente, no nível 84 do Dow Jones, em 1933.
A partir de 1938 a Teoria Dow serviu apenas para
retirar seus adeptos do mercado a um preço razoável e colocá-los novamente no
mercado a um preço bem mais elevado. Durante os 30 anos que se seguiram
qualquer pessoa teria feito melhor se tivesse apenas comprando o índice e
segurado.
Na nossa opinião, baseada em
muito estudo sobre o problema, é que essas alterações na eficiência da
aplicação da Teoria Dow não aconteceram por mero
acaso. Elas demonstram uma característica típica das fórmulas pré-concebidas de
previsão e operação no campo das finanças e dos negócios. Essas fórmulas que
acabam por angariar muita importância e adeptos são divulgadas porquê funcionaram de maneira satisfatória durante algum
período. Algumas vezes porquê foram adaptadas a dados estatísticos de eventos
que ocorreram no passado. Mas quando o seu emprego se generaliza, a
confiabilidade normalmente tende a diminuir. Isso acontece por duas razões: a primeira porquê com o passar do tempo surgem novas
situações que não se adequam nas antigas fórmulas. A segunda porquê, nos assuntos ligados ao mercado de ações,
a popularidade das teorias de operação influenciam diretamente o comportamento
do mercado, o que reduz a possibilidade de se lucrar com elas, (a popularidade
de algumas teorias, como a Teoria Dow, parece criar
sua própria armadilha, pois faz com que o mercado avance ou decline em
decorrência das ações de seus próprios seguidores durante operações de compra
ou venda. É claro que um “carimbo” desse tipo aparenta ser muito mais um
problema do que uma solução para o acionista). De acordo com Robert M. Ross, um “expert“ na Teoria Dow, os pontos de venda, apontados em dezembro 1966 e
dezembro de 1970, foram bem inferiores aos apontado anteriormente.
Comprando na Baixa e Vendendo
na Alta.
Nós estamos bastante convencidos
que um investidor médio não irá sair-se bem tentando prever o movimento dos
preços no mercado. Será que ele conseguiria se beneficiar desses movimentos
depois deles terem ocorrido? Por exemplo, comprando depois de um grande
declínio ou vendendo após um forte avanço? As flutuações do mercado ocorridas
antes dos anos de 1950 encorajam bastante esse pensamento. De fato, uma
definição clássica de “investidor esperto" era aquele que "compra num
mercado de baixa quando todo mundo está vendendo, e vende na alta quando todos
estão comprando" se nós examinarmos o gráfico 1,
cobrindo as flutuações do índice Standard & Poor's
durante os anos de 1900 e 1970, e os números da Tabela 3-1 (p. 27), podemos ver
claramente que esse ponto-de-vista era válido até
anos bem recentes. Entre os anos de 1897 e 1949 ocorreram 10 ciclos completos
do Mercado, indo do fundo de um mercado de baixa ao topo de um mercado de alta.
Seis destes ciclos duraram menos de quatro anos, quatro duraram de seis a sete
anos, e um dos ciclos da "nova-era" de 1921-1932 durou onze anos. O
percentual de oscilação da baixa a alta foi de 44% a 500%, sendo que, a maioria
deles variou entre 50% e 100%. Os declínios subseqüentes variaram
percentualmente de 24% a 89%, sendo que, a maioria deles se situou entre 40% e
50%. (É bom lembrar que um declínio de 50% anula completamente um avanço de
100% efetuado anteriormente).
Quase todos os períodos de alta
possuíram um grande número de características em comum bem definidas, (1) um
nível historicamente alto de preços, (2) um alto índice Preço/Lucro, (3) um baixo Dividend
Yield quando comparado aos yields
de Títulos, (4) muita especulação em margem e, (5) o aparecimento de muitas
ofertas de novas ações de baixa qualidade. Com isso, um estudioso do mercado
acionário poderia concluir que um investidor inteligente estaria preparado para
identificar um novo ciclo de baixa ou de alta, comprando no primeiro e vendendo
no segundo, em um curto intervalo de tempo. Vários métodos foram desenvolvidos
para determinar pontos de compra e venda, baseados em valores, percentual de
avanço e declínio de preços ou uma combinação deles. Mas, devemos destacar que,
mesmo antes do mercado de baixa sem precedentes que se iniciou em 1949,
existiram variações suficientes nos ciclos do mercado para complicar e, por muitas
vezes, frustrar o ambicioso processo de se comprar na baixa e vender na alta. O
mais notável deles foi, sem dúvida, o grande mercado de alta que ocorreu no
final de 1920, que fugiu de todas as estatísticas anteriores. Até mesmo em
1949, não haveria certeza por parte do investidor de conseguir comprar na baixa
e vender na alta baseado em fórmulas e cálculos financeiros. Aconteceu, na
verdade, justamente o contrário. O comportamento do Mercado nos últimos 20 anos
não seguiu qualquer padrão definido não respeitando o que teria sido
anteriormente um claro sinal de perigo, não permitindo aos participantes seguir
as velhas regras para comprar na baixa e vender na alta. Nós não sabemos quando
o velho padrão voltará a funcionar. Mas nos parece surrealista que um
investidor fique aguardando um mercado de baixa para iniciar a compra de
qualquer papel. O procedimento que nós recomendamos, a critério do investidor,
é fazer provisões para efetuar mudanças nas proporções de ações e títulos em
sua carteira (NT. no caso do Brasil podemos considerar-se Renda Fixa), de
acordo como o nível de preços das ações mostrar-se mais ou menos convidativo
baseado em padrões de valor.
Muitos investidores tentaram
identificar o início de um ciclo de alta que se iniciou nos anos de 1949-50 com
o intuito de tentar tirar alguma vantagem. Estas tentativas ficaram conhecidas
como “Planos de Investimento por Fórmulas”. A essência desses planos é que o
investidor realize, automaticamente, a venda de alguns papéis à medida que o
mercado avance consideravelmente. Em alguns casos se a bolsa subir muito, o
investidor poderia ter que vender todos os seus papéis. Em outros, haveria a
retenção de uma pequena quantidade de papéis em todas as circunstâncias.
Este procedimento apresentava
duas grandes vantagens, a primeira era parecer racional (e conservador) e a
segunda era apresentar excelentes resultados quando aplicados ao passado
retroativamente. Infelizmente, a popularidade desses planos cresceu muito
quando se desejava justamente que eles não funcionassem. Muitos destes
"criadores de fórmulas" se viram total ou parcialmente fora do
mercado em algum nível nos meados de 1950. É verdade que eles conseguiram
realizar excelentes lucros, mas, de alguma forma, ficou parecendo que deixaram
o mercado escapar pelas suas mãos, pois suas fórmulas lhe deram pouca chance de
comprar alguns papéis novamente. Existe uma grande similaridade entre as
experiências sofridas por investidores que adotaram fórmulas de investimento no
início de 1950 e aqueles que adotaram uma outra versão puramente mecânica da
Teoria Dow, 20 anos antes. Em ambos os casos, o
aumento da popularidade dessas fórmulas marcou o exato momento em que estes
sistemas deixaram de funcionar. Nós também tivemos uma experiência frustrante
com nosso “método de valor central” para determinar os pontos de compra e venda
da média Industrial do Dow Jones. A moral da história
parece ser a seguinte: qualquer tentativa de se ganhar dinheiro no mercado com
uma regra que possa ser descrita e seguida por um monte de gente, acaba dando errado. A conclusão de Spinoza se aplica tanto a
Wall Street quanto à
filosofia: "todas as coisas excelentes são difíceis como elas são”.
Todo investidor que possui ações
deve esperar ver seus papéis oscilarem de tempos em tempos. O comportamento do
índice Dow Jones desde a nossa última edição escrita
em 1964, reflete muito bem o que aconteceu com a carteira de ações de um
investidor conservador que limitou suas escolhas a empresas grandes,
proeminentes e financiadas conservadoramente. O avanço foi desde um nível médio
de 890 a uma máxima de 995 em 1966 (e, 985 novamente em 1968), retornando para
631 em 1970, e fazendo depois uma recuperação quase completa para 940 no início
de 1971,(como os papéis atingem seus máximos e mínimos
em dias diferentes, a flutuação do índice Dow Jones
tende ser menos drástica). Nós seguimos as flutuações de outros tipos de
carteiras diversificadas e conservadoras de ações e chegamos à conclusão que o
resultado não é muito diferente do que apresentamos acima. De uma forma bem
genérica, as companhias de segunda-linha tendem a ter flutuação maior do que as
companhias grandes, o que não quer dizer, absolutamente, que as pequenas
companhias bem estabelecidas terão um desempenho pior no longo-prazo. Em todo
caso, o investidor deve preparar-se psicologicamente que a maioria de seus
papéis suba, 50% ou mais, do seu ponto histórico mais baixo e caiam de um terço
ou mais de seu ponto histórico mais alto, por várias vezes nos próximos cinco
anos. Um investidor sério não deve acreditar que os movimentos do dia-a dia, ou
até mesmo mensais, façam dele mais rico ou mais pobre. Mas o que dizer sobre os
movimentos de longo prazo e variações maiores? Aqui perguntas de ordem prática
começam a aparecer e causar grandes problemas psicológicos aos investidores. Se
um aumento substancial do Mercado é razão para grande satisfação, começa a dúvida
de qual atitude tomar em relação a isso, aumentando muito a chance do
investidor agir levado pela emoção. Seu papel subiu. Muito bom! Você agora está
mais rico do que era antes. Excelente! Mas será que os preços subiram demais e
você deve começar a pensar em vender? Ou você deve começar a lamentar-se por
não ter comprado mais quando os preços estavam baixos? Ou, pior ainda, você
deve deixar se contaminar pelo clima de euforia generalizado, a superconfiança
e a ganância do público (que afinal de contas, você também faz parte), e
começar a fazer compras grandes e arriscadas? Mostrado assim,
preto no branco, a resposta a essa última pergunta é evidentemente um
grande e redondo não, mas, até mesmo o mais inteligente dos investidores tem
que ter muita convicção e força de vontade para se superar e não seguir a
multidão.
É por essas razões da natureza
humana, mais do que pelo cálculo dos ganhos e perdas, que nós preferimos um
método mecânico para variar a proporção de títulos e ações na carteira de um
investidor. A maior vantagem talvez seja que, uma fórmula como essas dará ao
investidor alguma coisa para fazer nos momentos de apreensão. Enquanto o
mercado estiver subindo ele irá, de tempos em tempos, vendendo as ações e
comprando títulos (NT. ou renda fixa no Brasil), quando cair ele fará exatamente o
contrário. Estes procedimentos servirão para descarregar alguma tensão
acumulada pelo investidor. Se ele for o tipo certo de investidor ele ainda terá
uma satisfação maior sabendo que as suas operações vão justamente ao contrário
da multidão.
As flutuações do Mercado também
podem ser interpretadas como se o investidor fosse o dono de uma pequena parte
de vários negócios. O acionista em relação a suas ações beneficia-se de uma
dupla personalidade, com a vantagem de poder tirar vantagem de qualquer um
delas, a sua escolha. Por um lado a sua posição é muito similar a de sócio
minoritário e discreto de um negócio privado. Neste caso, seus resultados são
dependentes dos lucros da empresa ou da mudança no valor de seus ativos. Ele
pode estimar o valor do negócio calculando o valor da sua parcela dentro do Patrimônio
Líquido que aparece no balancete financeiro mais recente. Por outro lado, o
investidor em ações é um mercador que possui um pedaço de papel, um certificado
de garantia, que pode ser vendido em minutos, a preços que variam segundo a
segundo enquanto o mercado encontrar-se aberto. O que é, quase sempre,
diferente do valor apresentado no balanço.
Nas últimas décadas, o
desenvolvimento da Bolsa de Valores fez com que o investidor médio se tornasse
mais sensível ao preço das ações e menos confortável para se considerar apenas
o proprietário de um negócio. A razão disso é que as empresas vencedoras, nas
quais ele gostaria de concentrar sua carteira, são oferecidas, quase que
constantemente, acima do valor de seus ativos líquidos (ou Valor Patrimonial,
ou “valor de balanço”). Pagando prêmios ao mercado o investidor aposta na sorte
e espera que, com o passar do tempo, o mercado, por si
só, reconheça suas próprias avaliações. Isso é um fator de suma importância no
mundo dos negócios e que vem recebendo menos atenção do que realmente merecia.
A sistemática de cotação da Bolsa possui em si uma contradição. Quanto melhor o
resultado e as projeções futuras da companhia, menor a correlação entre o preço
cotado na Bolsa e o seu Patrimônio Líquido. Só que, quanto maior o prêmio pago
acima do Patrimônio Líquido, menos precisa será a base para se determinar seu
valor intrínseco, o que quer dizer que, este “valor” ficará mais dependente do
humor e da percepção da empresa pelo Mercado em geral. Assim, chegamos ao
paradoxo final: quanto mais bem sucedida é uma companhia, maior deverá ser as
flutuações do preço de seus papéis. O que isso realmente quer dizer é que,
quanto maior a qualidade de um papel, mais especulativo ele tenderá a ser. Pelo
menos quando comparado com papéis de qualidade intermediária (o que foi dito
aqui se aplica exclusivamente à comparação de empresas líderes, bem
estabelecidas e que apresentam crescimento. Nós excluímos deste estudo às
empresas altamente especulativas devido ao negócio na qual ela está envolvida
ser especulativo, também).
O argumento acima pode explicar
o comportamento de preços, quase sempre erráticos, de nossas melhores empresas.
O nosso exemplo favorito é o da rainha de todas as empresas, a IBM. O preço de
suas ações caiu de $607 para $300 em sete meses durante os anos de 1962-63;
depois de dois desdobramentos o preço caiu de novo de $387 para $219 em 1970.
Da mesma forma, o preço da Xerox, uma firma com
potencial de geração de lucros ainda maior, caiu de $171 para $87 durante os
anos de 1962-63, e de $116 para $65 em 1970. Estas quedas monumentais não
indicaram qualquer dúvida quanto a perspectiva de crescimento de lucros no
longo prazo, tanto da IBM quanto da Xerox; eles
refletem, na realidade, a baixa confiança no prêmio de avaliação que o Mercado
depositou em cima das suas já excelentes perspectivas.
Tal discussão nos leva a uma
conclusão de grande importância para o investidor conservador em ações. Um
investidor, ao selecionar papéis para sua carteira, deve concentrar-se
preferencialmente em empresas vendidas a um valor próximo de seus ativos
tangíveis líquidos (NT. ativos tangíveis menos as
dívidas) ou, pelo menos, a valores não superiores a um terço desse valor.
Aquisições efetuadas a esse nível, ou inferiores, podem ser relacionadas
diretamente ao Balanço Patrimonial, e possuem uma justificativa racional para
sua manutenção, independentemente da flutuação dos preços do Mercado. O prêmio
pago acima do Patrimônio Líquido deve ser considerado como uma taxa extra paga pelo benefício de se possuir uma parte de uma
firma listada na bolsa de valores com a possibilidade de ser comercializada a
qualquer momento.
Um aviso importante. Uma ação
não se torna um bom investimento somente pela simples possibilidade de ser
comprada a um valor próximo ao seu Patrimônio Líquido. Um investidor deve
exigir adicionalmente um índice Preço/Lucro
satisfatório, uma posição financeira forte, e uma projeção de lucros que deverá
se perpetuar por muitos anos. Isto pode parecer muito a se exigir de uma ação
cotada modestamente no mercado. Mas essa prescrição não é impossível de ser
encontrada. Mesmo em um mercado em alta. Se um investidor relegar alguns desses
brilhantes aspectos, como por exemplo, o crescimento esperado acima da média,
não terá nenhuma dificuldade em encontrar uma grande gama de opções de papéis
que atendam a este critério.
Nos nossos capítulos sobre
seleção de ações (Capítulos 14 e 15) apresentamos dados que demonstram que a
metade do DJIA atendia aos nossos critérios no final de 1970. O papel mais
comercializado de todos os Estados Unidos, a American
Tel. & Tel., estava sendo vendido abaixo do valor de seus ativos tangíveis
líquidos enquanto escrevemos este artigo. A maioria das
ações, das melhores às piores, estão agora (no início de 1972) cotadas a
um preço relativamente próximo aos seus ativos.
O investidor com uma carteira
que possui por trás valores de Patrimônio Líquido como estes pode ter uma visão
muito mais independente das flutuações do mercado acionário do que aqueles que
pagaram altos múltiplos, tanto de índice P/L quanto
dos ativos tangíveis. Enquanto o poder de gerar lucros destas companhias
continuar satisfatório, o investidor pode dar pouca importância às divagações
do mercado acionário. Mais ainda, na hora que o mercado começar a oscilar
demais, ele pode brincar do lucrativo jogo de comprar na baixa e vender na
alta.
O exemplo da A. & P.
Vamos descrever agora um de
nossos casos prediletos, que ocorreu há muitos anos, mas que nos trás uma
enorme fascinação até hoje porquê, com um único caso, podemos analisar vários
aspectos do mundo dos investimentos e das finanças corporativas. A empresa é a Great Atlantic & Pacific Tea Co. Aqui segue a
história:
As ações da A& P começaram a
vender em 1929 por $494 na Bolsa “Curb”, que veio a
se tornar hoje o American Stock
Exchange. Em 1932 ela caiu para $104, embora seus lucros continuassem tão
grandes quanto no catastrófico ano anterior. Em 1936 o preço girou entre $100 e
$131. Anos depois, no mercado de baixa de 1938, os papéis atingiram um novo
patamar de baixa de $36.
O preço era espetacular. Isto
significava que, naquela época, as ações ordinárias e preferenciais estavam
sendo vendidas em conjunto por $126 milhões, embora a companhia tivesse acabado
de divulgar um lucro, em dinheiro, de $85 milhões e um
capital de giro (ou ativos correntes líquidos) de $134 milhões. A A. & P. era o maior magazine da América, se não do
mundo, com um histórico contínuo e impressionante de lucros por vários anos
consecutivos. Em 1938 Wall Street
avaliou este negócio espetacular e chegou a conclusão
que ele deveria valer menos que seus ativos correntes - o que corresponderia a
menos do que se receberia caso a companhia fosse liquidada. Por quê? Primeiro
porquê havia o temor de uma taxação específica para lojas de rede. Segundo
porquê os lucros líquidos tinham caído nos dois anos anteriores. Terceiro, o mercado
estava deprimido. A primeira dessas razões era exagerada e, até mesmo, sem
fundamento. As outras duas eram influências tipicamente sazonais.
Vamos supor que um investidor
tivesse comprado o papel em 1937, a 12 vezes seu lucro por ação nos últimos
cinco anos, o que daria algo em torno de $80. Vamos dizer que, naquela época, o
papel tenha caído para $36. Estamos certos que esta queda não teria nenhuma
importância prática para ele. O investidor deveria assegurar-se que analisou o
cenário com bastante cautela certificando-se que não fez qualquer erro de
cálculo. Mas, se o resultado de seus estudos estiverem corretos, como realmente
estavam, ele deveria ter considerado aquela queda da Bolsa como um capricho do
mercado financeiro, e deveria, desde que tivesse recursos e coragem suficiente,
tirado proveito da situação comprando mais do papel que acabara de entrar em
promoção.
Um ano depois as ações da A.
& P. voltaram a subir e atingiram $117, o correspondente a três vezes seu
menor preço em 1938, ficando também acima da média anterior de 1937. Uma
reviravolta dessa no comportamento de um papel não é difícil de ocorrer no
mercado de ações. Mas, no caso específico da A. & P., a subida foi bem
maior que a média. Nos anos que se seguiram a 1949, as ações da firma
acompanharam a subida da Bolsa até que em 1961 houve um desdobramento do papel
(de 10 para 1) quando ela então atingiu a máxima de $70 o
que seria o correspondente a $705 das ações de 1938.
O preço de $ 70 foi surpreendente
por ser o equivalente a 30 vezes os lucros de 1961. Um
índice preço/lucro como este, quando comparado á média do Dow Jones de
23x no mesmo ano, embute uma grande expectativa no crescimento futuro dos
lucros da companhia. Este grande otimismo não encontrou qualquer justificativa
nos resultados apresentados nos anos anteriores e demonstraram, posteriormente,
estarem completamente equivocados. Ao invés de apresentarem avanço, os lucros
tendiam a cair. Um ano após ter atingido a máxima de $ 70 o papel despencou
para próximo da metade, situando-se em $34. Mas, nesta ocasião, o papel não
demonstrava a mesma qualidade que tinha em 1938. Depois de passar por toda
sorte de flutuação, o papel caiu para outro patamar de baixa de $21 em 1970
indo depois para $18 em 1972, quando a empresa apresentou seu primeiro déficit
da história.
Vislumbramos com essa história
como o preço das ações de uma grande firma americana
pode variar em um intervalo de tempo inferior a uma geração e, como a má
avaliação e o excesso de otimismo e pessimismo das pessoas podem afetar o preço
de um papel. Em 1938 o grande negócio deixara de existir. Em 1961 o papel
estava sendo vendido a preços ridiculamente altos. Depois disso, o papel sofreu
uma queda rápida de preço e, anos depois, houve uma nova queda ainda mais
pronunciada. Nesse meio tempo, a companhia se transformou em uma geradora de
lucros medíocre. Seu lucro em 1968, um ano espetacular, foi menor do que em
1958. No período, ela pagou uma série de dividendos
irrisórios e confusos, não lastreados por aumento de lucros. Dessa
forma, a. A. & P. era uma companhia maior em 1961
e 1972 do que era em 1938. Mas não tão bem conduzida, menos
lucrativa e pouco atrativa.
Existem duas morais para esta
história. A primeira é que o mercado, muito mais freqüentemente do que se possa
imaginar, está errado, e às vezes manda um alerta para que o investidor
corajoso possa tirar proveito de seus erros. A outra, é que maioria dos
negócios altera suas características e qualidades com o passar dos anos, algumas
vezes para melhor, outras para pior. O investidor não precisa ficar atento como
um falcão na performance destas companhias; mas deve dar uma boa olhada nelas
de tempos em tempos.
Vamos voltar para nossa
comparação entre aquela pessoa que possui títulos negociáveis na Bolsa e aquela
com verdadeiro interesse em um negócio. Dissemos que o investidor tem a opção
de considerar-se como dono de uma parte dos negócios de uma firma que ele
escolheu investir, ou como um comerciante que possui um papel que pode ser
vendido a qualquer hora que desejar, ao preço de mercado.
Note agora um dado importante: O
verdadeiro investidor muito raramente é forçado a vender seus papéis e, em
todas as outras ocasiões, encontra-se livre para ignorar a cotação oferecida
pelo mercado. Ele não precisa prestar atenção as
cotações ou agir em função delas, apenas se elas confirmarem a sua avaliação.
Nada mais. Aquele investidor que se permite ficar preocupado ou até mesmo
apavorado com as quedas de seus papéis na Bolsa estará transformando sua maior
vantagem em sua maior desvantagem. Para este homem seria melhor que não
houvesse qualquer cotação na Bolsa, para que ele não se deixasse contaminar
pela angústia mental causada pelo erro de avaliação de outras pessoas.
Uma situação deste tipo ocorreu
de fato durante os dias mais negros da depressão de 1931 a 1933. Nessa ocasião,
havia uma vantagem psicológica muito grande em se possuir um negócio que não
era cotado no mercado de ações. Por exemplo, as pessoas que tinham dívidas no
sistema financeiro habitacional e que continuaram a pagar as prestações de seus
imóveis estavam conscientes que o valor de seu bem permanecia intacto, pois não
havia qualquer cotação no mercado para lhes dizer o contrário. Por outro lado, as cotações dos títulos da
dívida de empresas de melhor qualidade e grande saúde financeira sofreram
enormes perdas em seu preço de mercado, fazendo com que os seus titulares
pensassem que iriam morrer na miséria. Na realidade, os donos dos títulos
estavam bem melhor com seus títulos listados na bolsa, apesar dos valores
baixos. Isso porquê, se eles desejassem vende-los, ou
fossem compelidos a vende-los,
seria possível efetuar a operação no mercado a um preço baixo. Eles poderiam
também ter agido racionalmente, ignorando o preço do mercado considerando que
os movimentos da bolsa não tinham qualquer significado para eles. É muito
difícil se convencer de não ter perdido nada quando seus papéis deixam de ter
cotação.
Voltando para o caso dos
acionistas da A. & P. Nós temos certeza que, se em 1938, eles seguram seus
papéis e não venderam, não sofreram qualquer prejuízo com o mercado em baixa. A
não ser que, por intermédio da sua própria avaliação, tenham chegado à
conclusão que seus papéis perderam valor intrínseco. Se não houve nenhuma perda
de valor intrínseco, eles têm toda a razão de acreditar que os preços do
mercado voltarão a ser aqueles praticados em 1937, ou melhores, como de fato
ocorreu no ano seguinte. Neste caso específico, o posicionamento foi muito
semelhante a que ele teria se tivesse uma sociedade em uma empresa sem qualquer
cotação no mercado. Mesmo assim, ele poderia ter sido tentado a vender sua
porção na companhia como conseqüência dos resultados da recessão de 1938.
Os críticos da estratégia de
investimento em “valor” afirmam que ações não podem ser encaradas e avaliadas
da mesma forma que empresas privadas porquê a presença de um mercado de ações
organizado “injeta nesses papéis um atributo extremamente importante: a
liquidez”. Mas o que a liquidez realmente quer dizer, é que o investidor possui
a oportunidade de receber avaliações dinâmicas e diárias de seus papéis pelo
Mercado, e julgar se elas são coerentes, ou não. Segundo, que o investidor terá
a possibilidade de aumentar ou diminuir sua participação nos investimentos de
acordo com os preços cotados pelo Mercado, se ele assim o desejar. Concluímos
assim que a existência de um mercado organizado dá ao investidor algumas opções
que ele não teria, caso não existissem cotações. Mas o mercado não impõe seus
preços ao investidor. O verdadeiro investidor prefere tirar sua idéia de valor
de outras fontes.
Vamos terminar essa seção com
uma parábola. Imagine que você possua uma sociedade numa empresa que tenha lhe
custado $1.000. Um de seus sócios, muito atencioso, chama-se Sr.
Mercado (“Mr. Market”).
Todo dia ele olha para você e diz quanto ele acha que vale a sua parte no
negócio. E, pior ainda, ele faz uma oferta, para comprar a sua parte ou vender
uma parte da dele a este preço. Algumas vezes, a idéia dele sobre o valor do
negócio se parece bastante com a sua, após analisar as perspectivas futuras e o
desempenho e da empresa. Outras vezes, o Sr. Mercado
deixa o entusiasmo ou o medo tomar conta dele, e a proposta que faz a você ou
se parece infantil ou idiota demais.
Se você é um investidor prudente
ou um homem de negócios sensato, deixaria a oferta do Sr.
Mercado influenciar o seu ponto de vista sobre o valor dos $1.000 que você
pagou pelo negócio? Somente nos casos em que você concordar com o preço dele ou
estiver disposto a fazer negócios com ele. Você ficaria muito feliz de vender
quando ele fizer uma oferta a preços ridiculamente altos ou comprar quando os
preços dele estiverem demasiadamente baixos. Mas, no resto do tempo, você
ficará melhor se for esperto e formar sua própria idéia do valor daquilo que
você tem, baseada nos resultados divulgados pelas companhias sobre suas
atividades e saúde financeira.
É assim que se sente o
verdadeiro investidor quando possui uma carteira de ações. Ou ele tira proveito
das cotações diárias ou as ignora, de acordo com suas avaliações e desejos. Ele
deve ter conhecimento dos grandes movimentos do mercado financeiro porquê de
outra forma não teria como tirar proveito de suas próprias avaliações. O
investidor deve interpretar atentamente os sinais enviados pelo mercado, mas
com uma percepção aguçada. Isso, em português bem claro quer dizer que, ele não
deve vender quando os preços caírem temendo que alguma coisa pior possa
acontecer. No nosso ponto de vista, estes sinais atrapalham da mesma forma que
ajudam. De uma forma geral, as flutuações de preço só tem um significado para o
verdadeiro investidor. Elas oferecem a ele uma oportunidade ímpar para comprar
inteligentemente quando os preços caírem bastante e vender inteligentemente
quando eles subirem bastante. Em todas as outras oportunidades o investidor
fará muito melhor se prestar atenção no seu retorno em dividendos e nos
resultados operacionais de suas companhias.
Sumário.
A mais clara diferença entre o investidor
e o especulador está nas suas atitudes em relação ao movimento de preços no
mercado. O interesse principal do especulador é antecipar os movimentos do
mercado e lucrar em cima deles. O interesse principal do investidor é adquirir
papéis das companhias certas ao preço certo. O movimento do mercado só é
importante para ele porquê, quando está retraído apresenta preços nos quais
será prudente comprar e quando está expandido apresenta preços em que será
prudente vender.
Não é justo esperar que o investidor
típico aguarde para efetuar suas compras até que apareça no mercado um nível de
preços suficientemente baixo porquê isso pode envolver uma longa espera, a
perda de dividendos e de grandes oportunidades de investimento. Na maioria das
vezes, será melhor que o investidor efetue compras sempre que tiver dinheiro
disponível para investir em ações, exceto quando o nível de preços esteja tão
alto que não se justifique por padrões bem estabelecidos de valor. Se ele
desejar ser inteligente, sempre poderá procurar por ações que estejam vendendo
a preço de promoção.
Além de procurar adivinhar o que
o mercado vai fazer no futuro, Wall Street coloca muito esforço e recursos para tentar
selecionar as ações ou indústrias que “irão melhor” que o resto da bolsa no
curto prazo. Por mais lógico que esse assunto pareça ser, não acreditamos que
isso se adeqüe ao temperamento do verdadeiro
investidor, principalmente porquê ele estará competindo com um número grande de
“traders” e analistas financeiros de primeira linha
que estarão tentando fazer a mesma coisa. Todas as atividades que priorizam o
movimento de preços primeiro e colocam o valor palpável em segundo lugar, com o
passar dos anos, acabam por neutralizar-se e destruir-se devido ao poder de
ação de um grande número de mentes inteligentes engajadas no mesmo objetivo.
Um investidor com uma carteira
de ações superior deve esperar ver os preços flutuarem, não devendo ficar
preocupado com grandes declínios nem excitado com grandes avanços. Ele deve
sempre se lembrar que as cotações do mercado estão lá para sua conveniência,
tanto para que ele possa tirar vantagem quanto para ignorá-las. Ele nunca deve
comprar uma ação porque ela subiu nem vender porque ela caiu. Ele nunca estará
muito longe da verdade se lembrar-se do ditado: “Nunca
compre uma ação após um grande avanço ou venda após um grande declínio”.
Alguma coisa deve ser dita sobre
o significado dos preços do mercado como uma medida para avaliar a competência
da administração. Um acionista avalia se seus investimentos foram bem feitos
tanto pelos dividendos que recebe quanto pela valorização de seus papéis
através dos tempos. O mesmo critério deveria ser aplicado para testar a
efetividade da administração da companhia e a correção de suas atitudes com os
verdadeiros donos do negócio.
Esta afirmação pode parecer
altruísta, mas tem que ser enfatizada. Pelo menos, até que outra forma de
avaliação seja trazida ao conhecimento do público. O administrador, em
contrapartida, vem sempre contra-argumentando que não têm qualquer
responsabilidade com o que acontece com o preço dos papéis no mercado. É
verdade que ele não têm qualquer responsabilidade quanto às flutuações de preço
que, como nós mesmo temos insistido, não guardam qualquer relação com seu
verdadeiro valor. Mas, é a falta de
percepção e inteligência por parte dos acionistas que permite que essa falta de
coerência se espalhe por todas as cotações de papéis do mercado, incluindo aí o
estabelecimento permanente de um nível de preços depreciado e insatisfatório. O
fato é que boas administrações resultam em bons preços de mercado, e
administrações ruins resultam em preços ruins.