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:: Segunda-feira, Fevereiro 09, 2004 ::
Aqui estão os Arquivos Tubulares do
Tubular Bells Brasil Blog,e para os novos leitores,cá está sem precisar
de mto esforço para procurar nos arquivos antigos a biografia do Mike
Oldfield que eu fiz para o blog,e agora,atualizada,com as novidades do
Tubular Bells 2003 e do novo jogo de realidade virtual da família
MusicVR,o Maestro.
Espero que curtam! by Tati Oldfield
11:14 PM ::
Parte 1: Antes do Tubular Bells
No dia 15 de maio de 1953,o terceiro filho do casal Raymond
Henry Oldfield e Maureen Bernadine Oldfield(antes Liston),Michael Gordon
Oldfield veio ao mundo,e já tem uma irmã,Sally(de 1947) e tb um
irmão,Terry(de 1949),na cidade inglesa de Reading(aquela do famoso
festival de rock!).
Aos 7 anos de idade,o pai dele comprou seu
primeiro violão,e lhe ensinou os primeiros acordes.Depois disso,com um
lar contrubado pela doença que afetou sua mãe,o pequeno Michael se
refugiava no quarto e passava o tempo todo entretido com música,sendo
sua válvula de escape.Aos 10 anos,já tocava em clubes de folk em
Reading,e aos 15 deixou a escola,pra viver de música apenas (na
Inglaterra,o estudo obirgatório vai até essa idade).
Foi com 15
anos,juntamente com a irmã Sally,que surge o The Sallyangie,que tinha
uma sonoridade folk e acabou gravando um único disco,chamado
Children of the Sun(reeditado ano passado,com faixas bônus),e os irmãos
saíram fazendo alguns shows,mas que acabaram dando em
nada.Posteriormente,o Mike formou uma banda com seu irmão Terry,chamada
Barefeet,cuja uma das músicas era uma prévia da famosa caveman
section do TB(aquele vocal esquisito,gritando).
Em 1969,o Mike
torna-se membro da banda de Kevin Ayers,a The Whole World, inicialmente
como baixista, depois passando para a guitarra,e foi nessa época que
as idéias do que viria a ser o seu primeiro trabalho,o clássico Tubular
Bells,viriam à tona...
Parte 2: Tubular Bells
As
origens do Tubular Bells surgem quando o Mike tem apenas 17 anos, quando
começou a rascunhar Idéias para o seu primeiro trabalho(e retoma a
caveman section do Barefeet),sendo que em 72, durante uma sessão no
famoso estúdio Abbey Road enquanto esperava Kevin Ayers e o restante
da banda The Whole World,no qual tornou a espera num momento de
gravar suas idéias ultizando-se de vários instrumentos que lhe estavam a
sua disposição,e surge uma versão cru do TB,que foi a que o Mike
passou um tempo batendo de porta em porta de várias gravadoras e levando
um não atrás do outro,deixando ele muito deprimido...só que as
coisas mudaram,quando um certo Richard Branson, dono de uma rede de
lojas de discos, decidiu abrir uma gravadora e acabou contratando o
Mike usando um contrato de um músico de estúdio,já que não sabia o
que tinha num contrato!(e esse contrato deu o que falar anos mais
tarde...).
Com o apoio de Tom Newman e Simon Heyworth,finalmente
o trabalho do jovem tímido com ar hippie de apenas 19 anos começou a
ser gravado num mansão convertida em estúdio chamada The Manor House,no
condado de Oxfordshire,e nesse processo todo,o Mike aprendeu a
produzir e técnicas de gravação que engenheiros de som são responsáveis.
A primeira parte foi gravada em apenas uma semana,enquanto a
segunda foi sendo feita em doses homeopáticas,sempre nas folgas do
estúdio(que outros artistas usavam) e no período noturno,após rodadas de
cerveja num pub próximo.Além da música original escrita pelo garoto
de Reading de 19 anos,a segunda parte termina com uma revisita a um tema
tradicional chamado de The Sailor´s Hornpipe(uma clássica musiquinha
de marinheiro),e que teve uma versão que só foi a público alguns anos
depois no Boxed,com o MC(mestre de cerimônias) Viv Stantshall
totalmente chapado apresentando o estúdio,mas o que se ouviria no
produto final é uma versão normal.
Inicialmente intitulado de
Opus One,o Mike Oldfield muda de idéia ao ouvir um trecho presente na
parte 1 no qual o MC vai apresentando os instrumentos um a um,quando
finalmente diz,'And Tubular Bells!' ,entrando o som cheio dos sinos
tubulares e que permeia a atmosfera...e simplemente muda de
idéia,deixando Tubular Bells como o nome de seu primeiro trabalho.
No dia 25 de maio de 1973,surge mais uma nova gravadora na
Inglaterra,chamada de Virgin Records,e quatro discos são lançados ao
mesmo tempo,sendo um deles o Tubular Bells do Mike Oldfield.Aos poucos,o
disco vai conquistando admiradores,com uma sonoridade difícil de se
classificar,quase sem bateria,duas longas músicas instrumentais com
pouquíssimas intromissões de vozes que possam se chamar de vocais,e
o mais impressionante,tinha sido composta por um jovem tão novo,e que
além do mais tocava quase todos os instrumentos(e ai surge a cunha
de multiinstrumentista que oculta suas origens de guitarrista e que
deixa o Mike até hoje meio chateado).O TB começou a
vender,vender,vender que atingiu a considerável marca de 16 milhões de
cópias no mundo inteiro,chegando aos 10 milhões em 1981...e o sempre
sorridente Richard Branson não tinha do que reclamar do Mike Oldfield,o
qual era seu empresário e ficou nessa função por um bom tempo.
Uma estratégia pra fazer o TB entrar no concorrido mercado
americano foi a utilização de trechos na trilha do filme O Exorcista,
e que acabou ganhando o subtítulo de Tubular Bells(Theme from The
Exorcist) e acabou levando um Grammy em 1974 como melhor composição
instrumental.
Parte 3: Reclusão em Hergest Ridge
O sucesso do TB foi absurdamente grande que mexeu com os brios
do jovem de apenas 20 anos,cuja estrutura emocional não era das
melhores.Após um terrível experiência na premiere do Tubular Bells no
Queen Elizabeth Hall em Londres,no qual uma crise de ansiedade o
deixou desestablizado na hora de tocar guitarra,optou pelo método da
reclusão,indo morar em Hergest Ridge, nas montanhas galesas,perto da
fronteira com a Inglaterra.Nesse período,sai seu segundo trabalho,tb
chamado de Hergest Ridge(1974),que ao contrário do TB,tinha um
caráter mais romântico e pastoral na sonoridade.
Neste mesmo
ano,uma rápida aparição do Mike na BBC no programa Second House, tocando
a parte 1 do TB,que pode ser vista rapidamente no vídeo Elements,e
logo após grava no seu novo refúgio chamado de The Beacon,
Ommadawn(1975),disco que na época foi considerado(e até hj) o ápice
musical do seu trabalho,como uma sonoridade dita como se fosse world
music,com bastante elementos da música celta(está no sangue do
Mike,visto que sua mãe era irlandesa!),e batidas africanas(que sempre
gostou desde a experiência de tocar com garotos africanos qdo mais
novo).Também de 75 é lançado The Orchestral Tubular Bells,numa versão
que contou com orquestra comandada pelo amigo David Bedford e tb com
o próprio Mike nas guitarras.
Nesse período,entrevistar o Mike
era tarefa quase impossível,ele simplesmente recusava falar com outras
pessoas a não ser pelo seu chefe na Virgin,Richard Branson.Ainda o
sucesso bombástico continuava a marcar o Mike Oldfield em plenos 22
anos...
Parte 4: Mike "renascido"
Pois é,o período
de reclusão já estava matando o Mike,que depois da trágica morte da mãe
em 1975(que é um mistério até hoje), mergulhou literalmente no fundo
do poço,a base de mto ácido e bebida,e gerou ataques de pânico.Em
1976,sai a caixa com 4 LPs chamada Boxed,que traz os três primeiros
discos remixados em quadrafônico e com versões ligeramente diferentes
dos originais, mais o Collaborations,disco de colaborações com David
Bedford.Singles e vídeos promocionais(bem primitivos) saíram nessa
época, como Portsmouth,Don Afonso(que ele simplesmente detesta
hj),William Tell Overture,entre outros.
Buscando sair da
situação de ovelha negra da raça humana,em 1978,participa de um
seminário chamado Exegesis,que lhe traz de volta a confiança e
auto-estima necessária para sobreviver.Num dos exercícios,ele consegue
reviver o momento de seu nascimento, experiência que ele define como
seu renascimento,e o hippie de cabelos compridos e de barba e bigode,que
não aparecia em público dá lugar a um Mike Oldfield mais agressivo
na postura,cabelos curtos e até com um brinco na orelha direita,que
começa a dar entrevistas, aprender a pilotar aviões e
helicópteros,posa em seu birthday suit(=do jeito que veio ao mundo) em
fotos promocionais, casa com a filha do responsável pela Exegesis,ou
seja, se aventura por coisas que antes não tinha condições psicológicas
de fazer anteriormente.
Essa mudança de comportamento pode
ser notada no Incantations,disco duplo com 4 canções longas que reflete
essas mudanças, sendo um trabalho mais minimalista,com momentos mais
agitados(parte 3) e outros mais calmos(nas outras partes), trazendo
poemas de Henry Wadsworth Longfellow(The Song of Hiawatha) e de Bem
Jonson(Ode to Cynthia) como acompanhamento nas partes 2 e 4. Além do
lançamento do novo disco, o Mike acaba se casando com a filha do
fundador da Exegesis,mas o relacionamento só dura 3 meses, e dá
início a uma série de relacionamentos amorosos ao longo dos anos
subseqüentes e que vira e mexe param nos tablóides ingleses.
Esse novo Mike,que perdeu seus medos,parte para fazer algo
inimaginável há alguns anos antes:fazer turnês.De todas as turnês que
ele fez até hoje,essa primeira turnê,que foi documentada no CD duplo
chamado Exposed(=exposto),que trouxe versões orquestradas do Tubular
Bells e do Incantations,e que deixou um rombo nas contas do Mike devido
aos altos custos de produção.
Em 1979,com o Platinum,começa a
época de músicas mais curtas,e uma sonoridade mais acessível sem perder
o estilo inconfundível do Mike Oldfield que o público conhecia,e que
na época foi apelidado de Oldfield para iniciantes,e trazia uma versão
de North Star do compositor americano Phillip Glass.
Já em
1980,saiu QE2,um disco que tinha parte das composições feitas pelo Mike
e outra parte composta de covers do The Shadows (Wonderful Land) e
ABBA(Arrival), e que contou com a participação de Phil Collins na
bateria(em Taurus I e Sheba) e de Maggie Reilly, que acabou se
tornando uma das suas vocalistas preferidas nos anos seguintes. Em
QE2,ele compõe uma música para sua primeira filha,Molly,que nasceu
no ano anterior,do seu relacionamento com a RP Sally Cooper(que depois
tornou-se mãe do Dougal em 1981 e do Luke ,em 1986).
Nessa
época,além das novidades na personalidade do Mike,ele aprendeu a pilotar
aviões e helicópteros(desde pequeno era fascinado por aviões,e até
hoje pilota aeromodelos, vide capa do Hergest Ridge como um exemplo) e
um incidente no seu avião durante a turnê de 1980 é fonte de
inspiração para Five Miles Out, trabalho de 1982, que dá indícios de uma
fase mais de singles pra tocar no radio, como a faixa-título e
Family Man(que fez sucesso na regravação por Hall & Oates no mesmo
ano). by Tati Oldfield 11:09 PM ::
Parte 5: Mike mais comercial(anos
80)
Ao contrário do que a Virgin queria para marcar os 10 anos
de carreira,lançando uma continuação do TB,surge o álbum Crises em
1983,que mostra um Mike mais comercial,tendo um lado do disco cheio de
singles,e o velho e bom Mike instrumental no outro.Crises é o disco que
traz o maior single do Mike,Moonlight Shadow(cantado pela Maggie
Reilly,que sempre está sendo regravado por outros artistas em diversas
versões),mas além disso,tem a inconfundível voz de Jon Anderson(do Yes)
em In High Places e o vocal emocional de Roger Chapman em Shadow on the
Wall.
Para gravar seu novo trabalho,Discovery(1984),o Mike foi
parar na Suíça,a 2000 metros de altitude e com vista para o Lago
Geneva,numa casa que virou estúdio, e que resultou em um disco a la
Crises,com um instrumental longo(mas nem tanto,uns 12 minutos) e sete
canções curtas,intercalando o vocal da Maggie Reilly com o de Barry
Palmer(ex-Triunvirat). Assim como nos discos anteriores após o
Incantations,o Mike fez turnê para promover o Discovery,mas não passou
pela Inglaterra desta vez,deixando seus fãs chateados(tudo para melhorar
o rombo da turnê de 1979 que ainda perdurava). Também no ano de
1984,compõe sua primeira trilha sonora pra um filme,The Killing
Fields(Os Gritos do Silêncio),que trouxe um estilo totalmente diferente
de sonoridade,poucas guitarras e muito Fairlight(um teclado com jeito de
sampler),só que deixou mágoas,visto que ele detestou ter muito de sua
música podada pelo diretor,e não é um trabalho que se sentiu satisfeito
em fazer.
Entre Discovery e Islands(de 1987),lança vários
singles,como Crime of Passion(com Barry Palmer),Shine(novamente com Jon
Anderson) e Pictures in the Dark(com a cantora noruegesa Anita
Hegerland,que o conheceu em 84 e que tornou-se sua nova namorada em 86,e
teve dois filhos com ele, a Greta em 88 e o caçulinha Noah Daniel em
90).
Para o lançamento de Islands, o Mike inovou na forma de
promover o disco,lançando um vídeo-album,onde cada música do disco
ganhou um videoclipe,inclusive o instrumental The Wind Chimes Pt 1
&2(com seus mais de 20 minutos!),visto que na época o Mike investiu
em estúdio de vídeo e colocou em ação o projeto de bancar o diretor de
vídeoclipes. Islands também é um disco que segue a fórmula dos
anteriores,e trouxe Bonnie Tyler na faixa-título,o velho bom amigo Kevin
Ayers em Flying Start e a namorada Anita Hegerland nas outras faixas. Em
Magic Touch,dependendo da versão inglesa ou americana,o vocal era
diferente(na inglesa,Jim Price e na americana,Max Bacon).
A
pressão da Virgin por fazer algo mais comercial resultou em Earth Moving
em 1989,disco só de músicas curtas,sem nenhum instrumental,com uma
sonoridade bem pop e que muitos fãs torcem o nariz,que contou com a
participação de Andrew Belew do King Crimson em Holy, Max Bacon(que
participou do projeto GTR dos Steves Howe e Hackett) em Hostage, Maggie
Reilly em Blue Night,a namorada em Innocent e Chris Thompson(da Manfred
Mann´s Earth Band) em Runaway Son e See the Light.
Parte 6:
De mal com a Virgin(Amarok e Heaven´s Open)
Depois de Earth
Moving,o relacionamento do Mike com a Virgin chegou a um ponto quase
insustentável,que logo após fazer uma versão do TB meio que acústica
para um programa de rádio inglês,ele decidiu voltar às origens e fazer
um trabalho nos mesmos moldes,e eis que surge Amarok,considerado por
muitos uns dos seus melhores trabalhos,sendo uma única faixa de 60
minutos no qual ele volta ao esquema adotado em Ommadawn,mas de uma
forma mais agressiva e provocativa,fazendo da sua maneira,e traz
mudanças de ritmo constantemente a ponto de não sair nenhum single do
CD.Num determinado momento do CD,existe um código Morse que traz uma
mensagem especial para o Richard Branson(já comentei antes sobre
isso)...Amarok é o trabalho no qual o Mike bate o recorde de número de
instrumentos utilizados,desde os mais convencionais até os inusitados
como colher,porta,dentes,escova de dentes e por ai vai...
Pra
fechar o contrato com a Virgin,vem Heaven´s Open em 1991,que ao invés do
tradicional Mike Oldfield estampado na capa,vem assinado Michael
Oldfield(que seria o nome que ele assinaria todos os seus trabalhos
originalmente,apesar que Mike é mais cool,diga-se de passagem),e traz
uma novidade para os fãs,ao ver que o Mike deixa vocoders de lado e
solta sua voz(depois de 6 meses de aulas de canto) em todas as músicas
do CD,cujas letras mostram seu descontentamento com a Virgin(Make
Make),enquanto outras são autobiográficas(Gimme Back). A linha Amarok
volta no instrumental Music From the Balcony,com passagens rápidas de
ritmo e estrutura musical.
O que irritava o Mike na Virgin era o
contrato que tinha assinado em 73 que lhe obrigou a lançar 13
discos(descontando coletâneas e trilhas sonoras),e que não lhe favorecia
em termos de royalities,sem contar com a perda de interesse por seu
trabalho pela gravadora depois da bomba que foi os Sex Pistols em
77,ficando completamente deslocado.Mas uma coisa é certa...até hoje,o
Mike Oldfield é o artista que mais vende na gravadora,batendo grupos
como Simple Minds e Genesis,com vendas superiores a um milhão de cópias
de cada disco...
Parte 7: Na Warner(TB II a Voyager)
Se
Richard Branson ficava sempre na pressão de ver um Tubular Bells
II,ficou a ver navios ao ver que seu desejo foi realizado pelo Mike em
uma nova gravadora,a Warner,onde ele está até hoje,com contratos que são
feitos para 3 discos e são renovados(os 2 primeiros foram pela Warner UK
e o atual pela Warner espanhola). Em Tubular Bells II,contou com a
participação do famoso produtor Trevor Horn para co-produzir o disco
juntamente com Tom Newman(que ajudou na mesma função no original),e foi
estrurado com base no original de 73,mas com uma energia mais positiva e
segmentado em 14 faixas(Parte 1 vai de Sentinel até The Bell e a parte 2
de Weightless a Moonshine) e foi gravado na casa do Mike que ele alugou
nos EUA onde passou uma temporada morando.Depois de um longo tempo longe
dos palcos,surgiu a vontade de tocar ao vivo novamente,e surgiu a idéia
de fazer uma premiere do TBII,como se fosse um concerto de música
clássica ao ar livre,e o local escolhido foi o castelo de
Endiburgo(Escócia),numa noite mágica que foi um sucesso,passando na TV e
que depois virou vídeo(e DVD).
Com base no TBII,veio a turnê de
20 anos de carreira em 1993,ao mesmo tempo que começou a gravar seu
próximo trabalho,The Songs of Distant Earth,baseado no livro de mesmo
nome do autor de 2001-Uma Odisséia no Espaço,Arthur C. Clarke(que o Mike
teve a honra de conhecer pessoalmente no Sri Lanka,onde mora).Esse disco
de 1994 traz uma sonoridade que lembra muito o Enigma,sendo totalmente
tecnológico,sem nenhum instrumento acústico,e que trazia uma novidade na
época muito inovadora,uma faixa multimídia interativa para os usuários
de Mac,que trazia áudio e vídeo,que saiu da cabeça do Mike em
computadores bem grandinhos para os padrões de hoje.
A pedido da
gravadora,com a onda de música celta que assolou o mercado,surge
Voyager,disco de 1996 que traz algumas regravações de canções
tradicionais celtas como Women of Ireland e outras compostas pelo
próprio Mike Oldfield como The Voyager,que não deram tanto trabalho para
fazer visto que ele,cuja mãe era irlandesa,já estava acostumado a ouvir
música celta...
Parte 8: Ibiza e Tubular Bells III
Para quem curte o trabalho do Mike,não dá pra imaginar que ele
foi parar na Meca da música eletrônica na Europa,a ilha espanhola de
Ibiza,que fervilha no verão,trazendo jovens alucinados para os clubes
dançando até altas horas da madrugada. Acreditem se quiser...o Mike foi
parar lá,interessado em sair do clima clássico inglês,construiu uma
senhora casa na ilha,e morou por quase 4 anos,sendo que a mudança se
consumou depois das gravações do Voyager(cujas fotos foram tiradas lá).
O Mike pensava que iria ficar apenas relaxando,meditando,fazendo
tai-chi e curtir as belezas de Ibiza,mas depois que um amigo deu uma
fita de techno pra ele,ficou intrigado com a música e começou a fazer
brincadeiras com o famoso tema do Tubular Bells,e começou a frequentar
as baladas,se divertindo feito adolecente,e nada como sessões de
bebedeiras e consumo de drogas pra deixar o eterno tímido do Mike em
ponto pra curtir a agitação eletrônica da ilha.Os períodos de
alegria,euforia intercalados com de depressão e agressividade vividos
por ele durante sua estadia transformaram-se na música que está no
Tubular Bells III,que traz o lado eletrônico mesclado outras sonoridades
já exploradas em trabalhos anteriores,como Crises e Ommadawn(que tiveram
trechos sampleados no CD).
Se a mudança em 1978 foi radical,a
vista em 1998(no lançamento do TB III) também foi tanto quanto...TB III
ganhou uma premiere em Londres,em House Guards Parade em 4/9/1998,numa
noite chuvosa e que marcou a volta do Mike Oldfield aos shows,depois de
5 anos.Até o ex-chefe Richard Branson esteve presente na
platéia,prestigiando o show,que além do TB III,teve um trecho do TB
original,mais Moonlight Shadow e Family Man(cortadas do DVD por causa de
serem da era Virgin).O show foi um sucesso total,e deixou o Mike pronto
para voltar a fazer turnês como nos anos 80...
Parte 9: Then
and Now(Guitars e The Millennum Bell)
Depois do TBIII,surge um
projeto inusitado e que vários outros músicos tentaram fazer,mas não
saiu do papel deles...um disco feito só com guitarras(violões e baixo
tb)...surge Guitars,no comecinho de 1999,no qual o Mike fez todo o
trabalho musical(desde as composições até a instrumentação),gerando
todos os sons a partir de guitarras,samples de guitarras e guitarra em
MIDI,e reafirma sua posição de ser principalmente um guitarrista,e não
um cara que sabe tocar vários instrumentos. Unindo o novo disco com o
ainda com fôlego TBIII,surge a primeira turnê em 6 anos,batizada de Then
and Now,no qual trabalhou ambos os discos, o The Songs of Distant
Earth(que fez muito sucesso entre seus fãs) e trabalhos mais antigos
como Ommadawn e os singles do Crises(Moonlight Shadow e Shadow on the
Wall).
Como vários artistas fizeram seu disco para o novo
milênio,o Mike não ficou de fora e lançou The Millennum Bell no final de
99,que acabou sendo base para o show da virada em Berlin(Alemanha)
intitulado de Art in Heaven-The Millennum Bell Concert,que atraiu
milhares de pessoas em pleno inverno alemão e foi um sucesso
total,virando DVD e vídeo.
Parte 10: Mike multimídia(Tr3s Lunas
e o projeto MusicVR,e previsões)
Há muito tempo,o Mike Oldfield
tinha planos de ser mais do que um artista convencional,mas ser um
artista multimídia(como ele mesmo definiu numa entrevista em 94),só que
a tecnologia não tinha evoluído de tal forma que pudesse expressar
corretamente suas idéias quanto a um projeto de realidade virtual.A
faixa multimídia do The Songs of Distant Earth era só uma previa para
que viria a seguir....em 2000,o Mike começou a trabalhar
finalmente(depois de várias tentativas que ficaram de lado por causa de
outros projetos) no seu mundo virtual,batizado inicialmente de Sonic
Reality,passando por SonicVR até chegar no conhecido MusicVR(e nome
final!),que é uma espécie de simulador que leva o jogador a lugares
sonhados pelo Mike,com elementos fortes de surrealismo(estilo de arte
preferido dele),muitas cores,sem violência nenhuma,funcionando como uma
válvula de escape para a realidade que vivemos. O projeto,além da
parte visual,da criação do jogo,contou também com a parte musical,que
fez o Mike voltar aos tempos que morava em Ibiza e freqüentava o famoso
Café Del Mar,no qual a música chill out reina absoluto...o chill out é
uma vertente da música eletrônica mais calma,com temas para relaxar após
uma noitada agitada(ou um dia agitado,por exemplo),e que virou uma febre
em muitos lugares no planeta(inclusive aqui no Brasil),sendo executada
em lounges de danceterias.Pensando nesse som,o Mike compôs novas
músicas,que resultaram no seu trabalho mais recente,Tr3s Lunas(com
título em espanhol mesmo,baseado em um dos seus restaurantes preferidos
em Ibiza),que acompanha o primeiro episódio do MusicVR que tb leva o
mesmo nome do disco,e sem contar com outras músicas no mesmo estilo que
estão apenas no jogo.Como já foi dito antes no blog,o jogo tem a versão
demo e a completa,esta última que deve ser obtida no seu site oficial,o
MikeOldfield.com, pagando £11,75 via cartão de
crédito.Recentemente,surge o The Smart World,filhote do MusicVR feito
com ajuda da namorada atual(e esposa),a Fanny Oldfield(ela aparece com
ele na contagem regressiva do Millennum Bell),e que tem como público
alvo as crianças que estão aprendendo o alfabeto. by Tati
Oldfield 11:07 PM ::
Parte 11: 2003 - Tubular Bells 2003
e 50 anos do Mike Oldfield
Em 2003,veio a tão sonhada regravação
do primeiro disco do Mike Oldfield,o Tubular Bells,que foi
carinhosamente rebatizado de Tubular Bells 2003. Essa
regravação,além do aspecto comemorativo dos 30 anos de lançamento(e de
carreira dele),vem para satisfazer um desejo de 30 anos do Mike,que
nunca se mostrou satisfeito com o resultado do disco original,cujas
guitarras estão desafinadas,foi feito tudo na pressa,mal
feito,descompassado,mal gravado...é o Mike perfeccionista de sempre
pegando no próprio pé.O comediante John Cleese(do Monty Python)
participa do CD como o MC(mestre de cerimônias),a Sally Oldfield volta
para fazer vocais de apoio como no original e para incrementar a nova
versão do Pitdown Man(a famosa Caveman Section),juntamente com o
Mike,além de que muitos dos instrumentos originais usados em 72/73 foram
resgatados para executarem os mesmos papéis,juntamente com as novidades
tecnológicas de 2003.E,depois dos mixes em quadrafônico no passado,o
Mike brindou seus fãs audiófilos com um Tubular Bells 2003 em versão
DVD-Audio,em som surround em 5.1,para tornar mais completa a experiência
da nova versão do seu clássico mor,e que traz as famosas demos de 1971
feitas no gravador emprestado por Kevin Ayers que foram o começo do
sonho do clássico trabalho da história do progressivo e do rock.
Apesar de não ter vendido como o original e não ter sido bem
recebido pela crítica,pelo menos o Mike pode se sentir satisfeito em
poder ter realizado seu sonho pessoal nestes últimos 30 anos,e começar
um novo ciclo em sua vida profissional e pessoal.2003 foi o ano no qual
o Mike completou 50 anos de vida.Também foi o ano que sua visão a
respeito de casamento mudou,ao encarar com um novo olhar seu segundo
casamento,com a webmaster do MikeOldfield.com e namorada dele desde
meados de 1999,a francesa Fanny.E poder desfrutar de um momento estável
em sua vida,curtindo os prazeres da vida,como seus hobbies - aeromodelos
e andar de moto - como tendo a sensação de dever cumprido.
Parte
12: 2004 até agora
Até agora,em 2004,as grandes novidades no
trabalho do Mike estão voltadas para o novo jogo da família MusicVR,o
Maestro,que mostra em termos visuais um aperfeiçoamento,exigindo dos
usuários uma boa placa de vídeo(principalmente) para poder desfrutar do
jogo.Basicamente,o jogo é uma viagem por uma realidade virtual que tem
mto de ficção científica(bem ao gosto do próprio Mike,que é fã confesso
do estilo) a moda de Jornada nas Estrelas.Ainda a demo está
disponível,mas mesmo assim,já dá uma bela idéia do que vem por ai no
jogo.
Musicalmente falando,a fase zen do Mike parece que também
está influindo.Segundo o próprio no MikeOldfield.com,o plano atual é de
fazer um trabalho com melodias e atmosferas sonoras simples,dando a
impressão que a pesquisa feita pelo Mike no lançamento do Tubular Bells
2003 sobre a preferência dos fãs por longos instrumentais versus músicas
curtas(e os fãs querem a primeira opção) não ter sido válida,mas é
esperar para ver no que teremos em breve!
Parte 13: Analisando o
Mike Oldfield em detalhes
Com uma música difícil de se
classificar devido a presença de diferentes elementos de vários estilos
musicais,já vi várias classificações para o trabalho do Mike Oldfield
por ai...alguns dizem que é new age,outros progressivo e por ai vai.Mas
o mais plausível é encaixa-lo no rock progressivo,pela estrutura musical
adotada,complexidade,mudanças de ritmo e longos instrumentais,mas isso
não atrapaha em nada quem é fã do trabalho dele.
Outro ponto a
ser considerado é o papel da sua vida pessoal na sua música.Nota-se
claramente que é uma música na qual as diversas emoções estão
presentes.Tubular Bells chega a ter momentos mais pra baixo visto que na
época que ele compôs,encontrava-se num estado de depressão.Incantations
tem momentos para cima visto a transformação de personalidade do Mike
após ter feito o seminário Exegesis.Tubular Bells III é tão instável
quanto foi a passagem dele por Ibiza...
No caso do Mike
Oldfield,para se livrar da situação adversa que tinha em casa devido a
uma mãe com comportamento maníaco-depressivo,que foi internada uma série
de vezes,cuja origem era de uma família desestruturada por causa da
Primeira Guerra Mundial(que atingiu seriamente a mente do pai dela),
chegou a fazer lobotomia e ainda deu a luz a um filho com síndrome de
Down que ficou escondido da família até morrer abandonado,nada melhor
que recorrer a um comportamento escapista do mundo,se refugiando no
quarto,tocando violão e posteriomente guitarra,sendo um autoditata, e
que contou com a ajuda da irmã Sally,que acabou virando quase que uma
mãe para ele,e até hoje ela mantém uma amizade muito forte com ele,sendo
sua conselheira em muitas situações.
Outro aspecto interessante
da personalidade dele é o fato de ele ser uma pessoa com um grau de
inteligência muito acima da média...aprendeu sozinho a tocar vários
instrumentos,a compor músicas complexas,desenvolveu uma técnica própria
de tocar guitarra que é sua marca registrada em termos musicais chama a
atenção,além de ter idéias que a maior parte das pessoas levam um tempo
para entender qual é a dele.Mas o ser muito inteligente implica numa
desfalque na parte emocional dele,sendo que vários entrevistadores já
notaram imaturidade em termos de atitudes tomadas por ele e o consideram
um crianção: detesta ser contrariado,gosta de fazer as coisas da sua
maneira,é muito mimado,é de difícil relacionamento,gosta de perguntas
simples e diretas,nada muito complicado,já teve atitudes impulsivas(vide
época do Incantations),mas que soube administrar a grana que faturou sem
jogar pela janela como muitos outros artistas fizeram e se deram mal.A
vida amorosa dele é um caso a parte,só casou uma vez oficialmente,mantém
relacionamentos estáveis com suas namoradas,e sempre aparece uma
nova(isso se intensificou nos anos 90 para cá).
Mas apesar de
ser uma pessoa instável(como ele mesmo admitiu numa entrevista na época
do TBIII),ele sempre está buscando o seu autoconhecimento através de
terapias com psicólogos(que ele admite fazer e até criou uma organização
chamada Tonic para ajudar pessoas que não tem condições de pagar para
fazer terapia),meditação,tai-chi,e cada vez mais vem se sentindo melhor
e compreendendo as coisas que estão ao seu redor,e sem querer ficar com
vontade de mudar o mundo.
Seu trabalho musical reflete muito de
sua personalidade,como o elevado grau de cobrança que lhe atinge,e sendo
a regravação do Tubular Bells uma prova disso,visto que nunca gostou do
resultado final.É um músico altamente perfercionista e bastante
egocêntrico,que chega a irritar muita gente,criando uma certa
antipatia.Nas colaborações em seu trabalho com outros artistas,exige que
eles se encaixem no seu esquema ou senão não tem jeito...sem chance...
Em shows,não é do tipo do que fica falando pelos cotovelos,não curte
aftershow,raramente os fãs conseguem conhece-lo pessoalmente,é bastante
reservado até mesmo nas festas de lançamentos de seus próprios
trabalhos...continua a ser um cara tímido(mas menos do que no passado).
Assim pode ser concluir que tanto a música quanto a pessoa do
Mike Oldfield exige bastante para quem gosta de conhecer mais sobre o
trabalho dele.É uma pessoa bastante transparente em vários aspectos e
que isso ajuda mais nesse processo de analisar o seu universo.
by Tati Oldfield 11:07 PM ::
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