éramos três redatores BLOGGER
  18.10.05
Rafael diz:
 
Não há melhor definição para Elvis Costello do que ?indefinível?. Um artista que passou por punk, new wave e blues, entre outros gêneros; que fez músicas com orquestras de jazz (Charles Mingus), quartetos de corda (The Brodsky Quartet), Paul McCartney e Burt Bacharach; que foi interpretado por Chet Baker e Ute Lemper e interpretou Charles Aznavour e Bob Dylan; que mudou o rock com a banda The Attractions e mudou Diana Krall com casamento e composições em parceria ? um artista assim não pode ser classificado.

As lojas de disco costumam colocá-lo nas gôndolas de pop-rock, mas Costello não se enquadra. Tampouco se resume pelo adjetivo ?eclético?, que não capta a consistência de sua inquietude, o traço que liga os pontos mais dispersos de sua carreira, seu talento para a canção.

É por isso que uma seleção de seus seis melhores CDs se torna tão difícil. Há pessoas que preferem o Elvis Costello do início, que lançou com a banda The Attractions nada menos que seis discos entre 1977 e 1981, entre My Aim is True e Trust, com um rock agressivo e hiper-acelerado, no qual se destaca Armed Forces, que tem hits como Peace, Love & Understanding e Oliver?s Army.

Há outras pessoas, como eu, que preferem o Costello mais classicista ou jazzista dos últimos anos, especialmente a partir de Painted from Memory, sua obra-prima com Burt Bacharach, de 1998. E há outras ainda que acham que seus dois melhores discos são da segunda metade dos anos 80, King of América (1986) e Spike (1989), em que faz um pop de alta qualidade, a meio caminho entre a fase rock e a fase jazz.

Mas essa divisão cronológica não explica muita coisa. Por exemplo: foi ainda em 1981 que Costello fez Almost Blue, o disco cuja faixa-título compôs para Chet Baker (e Diana Krall regravou em seu CD mais recente, The Girl in the Other Room). Mal saído do punk, Costello fez uma das músicas mais ?cool? de que se tem notícia, com uma letra que parece ser a própria melodia, de tão suave que desliza no azul da tristeza.

E o mais recente CD de Costello, The Delivery Man (2004), com a banda The Imposters, que forma a base do show que dará no Brasil, é a volta do Elvis antigo, se bem que transformado e, no caso, namorando o gênero country, com belas faixas como Nothing Clings like Ivy (?Though she cuts deep/ It never leaves a mark? ? embora ela corte fundo, nunca deixa uma marca). No entanto, neste ano ele já fez um CD com a apenas competente música orquestral que compôs para uma companhia de balé italiana, Il Sogno, com o maestro Michael Tilson Thomas (London Simphony Orchestra), baseado em Shakespeare e com influência de Gershwin e Bartók.

Elvis vive de acordo com seus interesses musicais, sem se preocupar com o que seu fã espera do próximo trabalho. Nem por isso deixa de emplacar sucessos. Como compositor, depois da fase inicial, fez músicas como Indoor Fireworks, Verônica e God Give me Strength que qualquer ouvinte de rádio reconhece.

Como intérprete, ficou famoso por sua versão de Aznavour, She, usada no filme Notting Hill, e sua interpretação do standard My Funny Valentine também é conhecida. Uma de suas gravações mais bonitas e executadas, Baby Plays Around, não foi escrita por ele e sim por sua ex-mulher, Cait O?Riordan, e não à toa está entre as preferidas das mulheres.

Costello, por sinal, cai no gosto de intérpretes femininas: a mezzo-soprano Anne Sofie Von Otter, um dos timbres mais especiais da música clássica, fez com ele For the Stars, gravando três músicas suas, incluindo a que dá título ao CD, e ainda três letras que ele fez para melodias compostas por autores eruditos suecos; e Ute Lemper, em Punishing Kiss, também interpretou três canções suas, ao lado das de Nick Cave e Tom Waits, todas tendo como tema central a desilusão amorosa.

E é essa desilusão amorosa que indica a coerência autoral de Costello em meio a tantas aventuras musicais. Ele casa letra e melodia com uma habilidade rara porque domina ambas, além de ter vasto domínio de ritmo e conhecimento de harmonia. É também um cantor muito bom, que dá a dose certa de emoção a cada frase, embora sua voz seja mais agradável quando canta melodias mais complexas, nas quais passeia dos graves aos agudos, já que seu timbre nasalado cansa um pouco quando fica só em tom alto. Isso tudo permite que expresse sua sensibilidade para as situações em que um dos amantes foi abandonado pelo outro ou então não se sente correspondido à mesma altura. Costello amarra imagens verbais com linhas melódicas ? ou seja, é por essência um cancionista, um trovador. E isso vale para todas as suas fases.

?I talk to my self and I don?t listen? (Falo comigo mesmo e não escuto), escreveu ele em 1979. ?Diving for dear life/ when we could be diving for pearls? (Mergulhando por uma vida preciosa quando poderíamos mergulhar por pérolas), em 1983. Dez anos mais tarde: ?I can always pretend words/ I don't have the courage to send/ Reach you? (Eu sempre posso fingir que as palavras que não tenho coragem de enviar chegam até você). ?Does the extinguished candle care/ About the darkness?? (A chama apagada se importa com a escuridão?), perguntou há sete anos. São todos versos bem escritos que a música e o canto amplificam emocionalmente, traduzindo um estado de espírito ao mesmo tempo sutil e instantâneo. Portanto, leitor, para carregar seu iPod, mergulhe por pérolas de todas elas. No belo North, CD de 2003, ele canta, entre feliz e desamparado: ?All the words you say to me/ Have music in them/ All the sorrows and the joys like magnetism? (Todas as palavras que você me diz têm música em si. Todos os sofrimentos e as alegrias, como magnetismo). É esse magnetismo da música das palavras que Costello entoa como poucos na atualidade.


english version

How to Make Love Like a Porn Star
21st Century Boys: The Best of Sigue Sigue Sputnik
Jonny Quest - 1ª Temporada Completa
Fumaça e Espelhos - Neil Gaiman

vai um alerta de email?

veja também

arquivos

contato

camaradas

adriana tavares
ana accioli
alessander cattapreta
alessandra picoli
alexandre d'albergaria
alexandre lima
alexandre mandarino
alex maron
bruno pinheiro
caio lazzuri
carlos reichenbach
cecília giannetti
cristiano dias
daniele lima
daniel carneiro
daniel sansão
danilo medeiros
eduardo rocque
eric estevão
fabiano rosa
gustavo mills
guilherme darisbo
guilherme howat
gustavo guimarães
helena nacinovic
johann heyss
júlio césar barbosa
laura gold
leonardo de mello
leonardo silvino
lia caldas
lia amâncio
lois lancaster
luena santo
luciana filpo
luciana misura
lúcio leonardo
mariana dorin
mauro amaral
mônica carvalho
newton fleury filho
olívia mendonça
pedro giglio
rafael arraes
rafael garcia
rodrigo ribeiro
rodrigo teixeira
ruy gardnier
scarlet, alice e dorothy
simone villas boas
tatiana oliveira
tiago teixeira
wagner fajardo
winston smith
yami trequesser

favoritos

about
actress archives
agenda samba-choro
ain't it cool news
amazon
ananova
alan moore fan site
a list apart
altpick
alternet
allmusic
apple
artchive
asia argento
babelfish
bad ass movie images
bbc webguide
biblioteca nacional
black vault
blog critics
blogtree
blogs
bloglet
brunching website
chaos
comic book resources
conga conga news
contracampo
click music hate mail
cliff notes
curve
dangerous monkey
diga não às drogas
disinformation
duplipensar
emily strange
emotion eric
everything
eric fromm
fabrica
favourite website awards
filmwise
filmforce
google news
guerrilla news
groucho marx
happy tree friends
haloscan
hermetic library
human rights watch
indiewire
IMDB
IUMA
ITAG
jennifer connelly
john carpenter
klimt museum
macmania
marshall mcluhan
marvel online
matador
metacritic
metadoll
memepool
metaphilm
minipops
m&m online
modern humorist
monty phyton
movie-a-minute
movie magazines
moviepooper
michael moore
midnight eye
midsummer madness
mp3.com
name base
nemo
nerve
news24
oblique strategies
UNODC
omelete
paul verhoeven
dale list
photo.net
phillip k dick
porta curtas
radiohead
re:combo
salon.com
scott mccloud
smog
stanley kubrick
submarino
stock.xchng
simplyordinary
slashdot
the body
the bomb
the edge
the girl
the edge
the modern world
the residents
the onion
thuth laid bear
tori amos
tokelau
trabalho sujo
UGO
volume 11
webmonkey
web standarts
wired
x-entertainment
yahoo!

busca

about
google
ditto
hotbot
all the web
yahoo!
wisenut

 

como diria o feijão, aqui entra nosso patrocinador malandro!

        1