ELLEN
É muito fácil cada um aqui idealizar um mundo comunista... mas o fato (e o fato existe) é que vivemos sim numa sociedade capitalista. Garanto que cada um gosta de ter seu carro, sua roupa de marca, seu computador para entrar no Orkut, de tomar Coca-Cola e comer no Pizza Hut.... e é muito bom mesmo. Creio que o Capitalismo não é de todo mal, são alguns capitalistas que estragam todo o resto, assim como se o regime fosse outro, teríamos algum comunista hipócrita, um anarquista mentiroso ou até um socialista que só pensa em si próprio. É a Lei de Gerson. Com certeza vamos continuar evoluindo, e ninguém aqui está aceitando as coisas como elas estão. Mas o pior cego é aquele que não enxerga e discursos bonitos não servem para nada.
É alienado quem só acredita em um único regime. (...) Não adianta querer discutir se as pessoas só entenderão aquilo que as convêm e se virão com respostas do tipo "Isso é problema teu", é ótimo termos opiniões divergentes o que até ensina bastante, mas qdo se fala de marcas, de lanchonetes não é para entender ao pé da letra, a questão é ampla, só que não podemos ser hipócritas ao ponto de falar que não precisamos de um pouco de cada regime. Só encontraremos uma REAL solução qdo todo mundo (ao menos a maioria) enxergar as coisas como elas são. Isso inclui a mim tbm, não estou dizendo o contrário.
FERNANDO
Cara Ellen.
A análise marxista do capitalismo prevê a constante revolução das forças de produção pela burguesia. E esse seria o fim da mesma. Os trabalhadores tomam para si o controle das forças de produção e passam a utilizá-los com o fim de acabar com o domínio capitalista. Parece uma análise utópica? Talvez, mas vejamos um exemplo concreto.
Partindo de um exemplo empírico, temos a internet. Criada na década de 70 pelo Pentágono americano, constituída através de uma aliança com grandes corporações da informática americana (inclusive com a IBM, que vendeu todo um sistema de identificação preciso aos alemães antes da Segunda Guerra), seria um instrumento puramente capitalista. Porém, os protestos antiglobalização - de tendência abertamente anticapitalista - em Seattle e Gênova foram convocados, em grande parte, por meio de e-mails e cyberhacking. A internet torna-se um meio de combater o capitalismo, mesmo sendo uma criação do mesmo.
Parece um exemplo bobo, mas creio eu que mais boba ainda é a concepção de que se sou socialista, não posso usar nada que venha do capitalismo. Isso é de um stalinismo primário. Foram mais de 5 séculos de transformações do sistema capitalista, desde o mercantilismo até a era da terceira revolução industrial (e provavelmente ainda mais adiante).
O que é central nessa visão é de que o usufruto de um produto não pode ser feito através de alienação, sem compreender as condições da qual ele foi produzido - e portanto, a exploração do capital sobre o trabalho humano, existente no capitalismo. Tendo em vista essa exploração, pode se combatê-la e usar das armas da burguesia como "corda para que ela mesmo se enforque".
ELLEN
Fernando.
Nossa você decorou o manifesto comunista hein?!? Eu não sei se você escreveu isso para concordar comigo ou não, mas se ler e entender as mensagens que postei verá que é isso que estou tentando dizer...... nós precisamos do capitalismo e dos produtos gerados por ele... a essa altura em que se encontra a sociedade, as revoluções e evoluções que sofremos... O problema é que as pessoas não enxergar nem admitem aquilo que elas não querem..... fazer discurso é bonito, mas temos que ser realista, só assim algo poderá ser feito.
FERNANDO
Puxa, Ellen, você conseguiu desvirtuar o que eu botei e ainda diz que eu que fiz isso. Vamos resumir de uma forma mais compreensível e bastante realista: CAPITALISMO não é uma coisa que paira no ar, não é um estado de espírito. Hoje vivemos em um sistema capitalista porque as nossas relações de trabalho são controladas pelo capital (sério, não tenha preconceito com o Manifesto Comunista, é uma boa leitura, recomendo bastante...é um panfleto, mas é o melhor panfleto já escrito, como diria um professor meu). Dizer que o capitalismo é bom, ou mal é conferir a ele um estado metafísico quando na verdade ele tem um caráter concreto.
Agora, resumir o capitalismo como algo material pelos seus produtos e não pelas relações de produção é como eu dizer que ainda estamos na era da pedra polida porque hoje usamos a roda. Até onde eu li por aqui, ninguém pretende voltar à "era de ouro" do feudalismo europeu, ou do trabalho compulsório dos impérios indígenas latino-americanos. Ninguém aqui negou que vivemos em um sistema capitalista também.
Concordo com você. Fazer discurso é muito fácil. Tentar subverter as relações de poder que o sistema capitalista constrói, embasadas no lucro e na alienação, aí é que são elas. Ter consciência de que os trabalhadores do McDonald's não possuem direito a se reunir em sindicato, que a Coca-Cola é uma das empresas que apresenta maior quadro de funcionários demitidos nos últimos anos e de que o tênis Nike é produzido com mão-de-obra semi-servil, com salários que valem menos de 1% do valor real de cada tênis pelo preço de mercado... Acho que aí é o primeiro passo para realizar AÇÕES.
ELLEN
O problema é que eu não consigo escrever de forma mais clara e compreensível, tudo o que falei até aqui.... um dia meu professor de sociologia me disse que eu penso muito rápido.....
Então acho que vc não vai entender mesmo e nem estou disposta a ficar tentando mudar sua opinião. Devo ter sido infeliz ao usar produtos como exemplo, já que nem todo mundo compreende.... devia ter falado da mais-valia.... e você fez citações do manifesto comunista sim...... principalmente ao dizer que a burguesia se auto-destrói..... “Tendo em vista essa exploração, pode se combatê-la e usar das armas da burguesia como corda para que ela mesmo se enforque.” Palavras suas.........
FERNANDO
Ué, não disse que não havia citado o Manifesto Comunista (ok, eu sei que não fui criativo, mas essa é a comunidade Karl Marx - Brasil). E não se esqueça também que por muito tempo a argumentação do stalinismo foi essa, de que o capitalismo iria se "auto-destruir" naturalmente. Porém, creio que não foi isso que eu disse.
Ao dizer que pode-se usar das revoluções constantes nas forças de produção - ou se você preferir, o constante desenvolvimento tecnológico que o capitalismo proporciona - para alterar as relações de produção. Mas QUEM pode? Ora, quem está disposto a enfrentar o sistema capitalista. E quem são os mais indicados a fazer isso segundo Marx? O PROLETARIADO! IUPIIII!!!
Para não ficar rasteiro demais, Marshall Berman tem uma análise que acho bastante interessante que é a da "dialética da nudez". Onde a última transformação da modernidade, que seria o pleno controle sobre ela, só poderia ser feita por aqueles que nada têm a perder (desprovidos de véu, de máscaras) e que nas relações de poder da modernidade se vêem submissos. No mundo capitalista, os "nus" seriam os trabalhadores, aqueles que nada têm exceto sua força de trabalho para oferecer durante a produção.
Por isso, esperar a auto-deterioração de um sistema é inútil, mas reconstruir uma alternativa a ele partindo do zero é igualmente impossível. Em nenhum momento discordei de você, só quis especificar mais a questão. Mas, enfim...falhas na comunicação não possibilitaram tal acréscimo ao debate.
Por fim, mil desculpas por espalhar a "verborragia marxiana" justo em um espaço onde se debate com plena autonomia intelectual. Porém, uma das linhas iniciais do "18 de Brumário de Luís Bonaparte", escrito pelo bom velhinho inclusive, sintetiza melhor do que eu jamais poderia a questão que eu procurei trazer.
"Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado."